Sustentabilidade e desenvolvimento sustentável




O princípio de sustentabililidade planetária envolve a eclipse social para o meio ambiente. Eclipse social significa esconder o desenvolvimento sustentável. Cada um deve fazer a sua parte.



sábado, 27 de fevereiro de 2010

A rota da sustentabilidade

Muitos empreendedores ainda têm a percepção de que responsabilidade social é assunto apenas para grandes empresas.
Por Claudio Tieghi*
Na semana passada, durante o 1º Simpósio de Responsabilidade Social realizado pelo setor de franchising, a colocação de um executivo de uma empresa franqueadora me chamou atenção. Tal qual uma grande parcela de empreendedores do país, esta rede de franquias planejava aderir a práticas de responsabilidade social, mas não sabia por onde começar, nem em que área atuar.

O grande empecilho é que muitos empreendedores ainda têm a percepção de que responsabilidade social é assunto apenas para grandes empresas. Não é.

No passado, quando a RSE (Responsabilidade Social de Empresas) era tida como a capacidade de fazer grandes investimentos em projetos sociais, até poderia haver essa leitura. Mas ao longo da última década, o termo ampliou e ganhou novos significados. O principal deles é a sustentabilidade. E este termo permeia tudo que diz respeito à gestão da empresa.

Hoje, para ser socialmente responsável, é necessário primeiro analisar questões como: a empresa faz bom uso dos recursos naturais? Trata com respeito seus funcionários? Escolha fornecedores confiáveis e conhece sua cadeia de produção? Entrega produtos ou serviços com qualidade desejável? Cuida dos resíduos que produz? Todos esses itens, entre muitos outros, dizem respeito a qualquer tipo de empreendimento e é possível analisar cada um deles graças aos Indicadores de RSE desenvolvidos pelo Instituto Ethos. Eles contemplam categorias setoriais para que uma gama maior de empresas, mesmo as pequenas, possam utilizá-los com êxito. Existem indicadores para o setor de mineração, financeiro, construção civil, para micro e pequenas empresas e, desde o ano passado, também para o franchising. Os indicadores são perguntas reunidas em questionário cujas respostas, sigilosas, são processadas internamente pelo Instituto Ethos. O resultado é entregue à empresa e ela pode comparar a nota que recebeu com a média obtida pelas empresas, além de compará-la às empresas que conquistaram os melhores resultados e assim ter uma ideia de como se posicionar em relação a cada item avaliado. É uma boa radiografia de como anda a responsabilidade social do próprio negócio. Por exemplo, a empresa pode se sair bem em aspectos éticos como definido no item “Práticas anticorrupção e antipropina”, mas se sair mal no quesito “Critérios de contratação e valorização da diversidade”. E essa consultoria, acessível e gratuita, oferece os subsídios necessários para que a empresa descubra o “por onde” e “como” começar, tornando a responsabilidade não só acessível, mas também uma grande aliada na gestão dos negócios. O importante é dar o primeiro passo, principalmente em tempos de Aquecimento Global.

*Claudio Tieghi é presidente da Associação Franquia Solidária (Afras), braço de responsabilidade social da Associação Brasileira de Franchising (ABF). Leia MaisO caminho para a criação de uma franquia social.

fonte: www.globo.com.br

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

PLANEJAMENTO E RESPONSABILIDADE SOCIAL NA EDUCAÇÃO: contribuindo para a formação de alunos socialmente responsáveis

Postado por Sulenir às 2/21/2010 09:41:00 AM


Sulenir Cândida da Silva Nascimento



“Não basta que exista educação para que um povo tenha seu destino garantido. É preciso determinar o teor educacional para que saiba em que direção está caminhando ou deixando de caminhar uma nação”
(Arduini, 1975)



Resumo: Objetivou-se com este estudo analisar como a escola está contribuindo para a formação de alunos socialmente responsáveis, promovendo a reflexão, o reconhecimento das diferenças, a participação dos sujeitos da educação no planejamento da escola e suas concepções sobre responsabilidade social, considerando o compromisso político e pedagógico da escola campo da pesquisa. Utilizou-se a pesquisa bibliográfica e de campo, através de uma abordagem quantitativa e qualitativa envolvendo profissionais da educação e membros da comunidade. Verifica-se que a escola, bem como a comunidade externa, consideram importantes à prática da responsabilidade social no âmbito educacional, à medida que pode proporcionar mudanças comportamentais e ambientais, já que faz com que todos se percebam como agentes de transformação. No entanto, constatou-se que, apesar da escola trabalhar através de uma pedagogia de projetos, os mesmos não estão atrelados a um planejamento macro, o que acaba por não dimensionar as metas que exatamente se deveria alcançar.


Palavras-chave: Responsabilidade Social, Planejamento Estratégico, Participação, Gestão

Introdução

A discussão a respeito da gestão educacional e os novos significados que estão sendo propostos aos gestores educacionais pode ser orientado pela reflexão sobre o significado social da escola, principalmente, quando estamos pensando e realizando o processo educativo da perspectiva dos sistemas educacionais, onde são gestadas políticas, normas e diretrizes para a sua operacionalização.
Segundo Ferreira (2000), a gestão da escola deve garantir a realização dos princípios básicos da educação, como, o compromisso da sabedoria de viver junto, respeitando as diferenças e o compromisso com o mundo mais justo para todos os que nele habitam, independentemente de raça, cor, credo ou opção de vida.
Entende-se deste modo que, o ato de gerir a educação e a escola precisa ultrapassar as formas estritamente racionais, técnicas e mecânicas, mantendo-se, porém alguns mecanismos a fim de garantir o bom funcionamento da instituição e a qualidade do processo de formação humana – expresso no projeto pedagógico – que possibilitará ao educando crescer e torna-se mais humano.
A escola deve repensar qual perfil de aluno se deseja formar, bem como qual o seu papel e qual o papel do educador no desenvolvimento de práticas, atitudes e exemplos aplicados que tenham como finalidade promover a reflexão e a formação de alunos autônomos, críticos e reflexivos. Diante disso, pergunta-se: como a escola está contribuindo para a formação de alunos socialmente responsáveis e como o planejamento escolar pode ser elaborado com fins direcionados a ações de responsabilidade social?
As questões norteadoras que subsidiaram este estudo são: Como o professor percebe e quais são suas concepções sobre a prática da responsabilidade social na escola pública?, De que forma o gestor escolar contribui para que sejam aplicadas ações voltadas à prática da responsabilidade social? Como a escola compreende a importância de ações voltada à responsabilidade social e de que forma, é possível, implementar uma gestão estratégica que possibilite um planejamento de acordo com as reais necessidades e anseios da comunidade escolar como um todo?
Este estudo teve como principal objetivo analisar como a escola está contribuindo para a formação de alunos socialmente responsáveis, promovendo a reflexão, o reconhecimento das diferenças, a participação dos sujeitos da educação no planejamento da escola e suas concepções sobre responsabilidade social.
Diante disso, não se deve confundir, ações de responsabilidade social com práticas filantrópicas. Segundo Melo Neto (2001, p. 27), “a filantropia é uma simples doação, fruto da maior sensibilidade e consciência social do indivíduo”, ou seja, a ação filantrópica corresponde a uma ação social fora da organização, tendo como beneficiário a comunidade, porém suas ações não seguem uma continuidade, uma finalidade, sendo executadas de forma esporádica e sem a necessidade de qualquer planejamento ou organização, enquanto que a prática de responsabilidade social tem como objetivo promover o desenvolvimento do cidadão e estimular a cidadania coletiva e individual, estendendo suas ações a todos que participam da vida em sociedade.
A Responsabilidade Social busca a sustentabilidade e a auto-sustentabilidade de grandes e pequenas comunidades.(...) A responsabilidade social é uma ‘ação transformadora”. Uma nova forma de inserção social e uma intervenção direta em busca da solução de problemas sociais. (MELO NETO, 2001, p. 27)

Assim, podemos considerar que responsabilidade social é uma ação coletiva, mobilizadora, à medida que valoriza a cidadania, promove a inclusão social e restaura a civilidade. Em outras palavras, pode-se aplicar a responsabilidade social a educação quando a forma de gerir se dá através de uma cão transparente, de forma crítica e sustentável com toda a comunidade escolar.
Através de ações de responsabilidade social, como: preservação de recursos ambientais e culturais para futuras gerações, respeito a diversidade e promoção da redução das desigualdades sociais, a escola estimula todos os públicos com que se relaciona ao exercício pleno da cidadania, contribuindo através de uma gestão participativa e eficaz desenvolver capacidades que se permitam intervir na sociedade para transformá-la.
A participação e a democratização num sistema público de ensino é a forma mais prática de formação para a cidadania. A educação para a cidadania dá-se na participação no processo de tomada de decisões. [...] Quanto mais pessoas se envolverem com os assuntos da escola, maior será a possibilidade de fortalecimento do projeto autônomo de cada escola. (GADOTTI, 2000, p.49-52)

Neste sentido, fala-se de planejamento estratégico para as escolas, como um elemento onde todos possam contribuir com suas idéias a fim de encontrar caminhos e alternativas positivas para a construção de uma sociedade mais responsável. Nas palavras de Veiga (1995):
O projeto busca um rumo, uma direção. É uma ação intencional, com um sentido explicito, com um compromisso definido coletivamente. (...) Propicia a vivência democrática necessária para a participação de todos os membros da comunidade escolar e o exercício da cidadania.(...) Preocupa-se em instaurar uma forma de organização do trabalho pedagógico que supere os conflitos, buscando eliminar as relações competitivas, corporativas e autoritárias, rompendo com a rotina do mando impessoal e racionalizado da burocracia que permeia as relações no interior da escola, diminuindo os efeitos fragmentários da divisão do trabalho que reforça as diferenças e hierarquiza os poderes de decisão. (VEIGA, 1995, P. 13-14)

Portanto, não dá para pensar em projeto sem pensar em planejamento e no construcionismo social, o que conseqüentemente, resultaria no fracasso das metas estabelecidas pela escola, uma vez que sem planejamento não se determina que objetivos se desejam alcançar, quais propostas se pretendem executar, entre outros elementos primordiais para o melhor andamento das atividades educativas e práticas socialmente responsáveis.
É imprescindível à formulação de políticas, de diretrizes e de metas que tenham como finalidade o bom andamento do planejamento, pois sem isso, torna-se impossível ao longo do processo, projetar, acompanhar e avaliar o andamento das ações, bem como traçar novos rumos quando necessário.
As metodologias de planejamento estratégico propõe identificação de ameaças e oportunidades, tendo em vista a interação da instituição com seu ambiente externo, bem como evidenciar os pontos fortes e fracos da organização, por meio de análise interna, para que, com isto, sejam definidas as diretrizes e estratégias que, no caso, leve as organizações escolares a darem respostas efetivas as demandas, que emergem do ambiente em que se inserem. (MOSIMANN apud SAMISTRARO E RIBEIRO, 2006, p. 71-72)

Normalmente, a elaboração do planejamento escolar é feita de forma muito sucinta, não há uma análise preliminar do ambiente – tanto interno como externo – onde se possibilite definir estratégias de atuação que viabilizem uma melhoria da qualidade do ensino, bem como a formulação de metas possíveis de serem alcançadas.
Desta forma, para um melhor andamento das ações, faz-se necessário à elaboração de planos de ação, que determinem o que deve ser feito, como e quando deverá ser feito, estabelecendo prazos para a execução que irão permitir esse acompanhamento e avaliação, dinamizando assim todo o processo. “Os planos de ação prevêem atividades programadas, contendo o detalhamento de como deverá ser realizada e concretizada a estratégia para se atingir o objetivo”. (COLOMBO, 2004, p. 33)
De acordo com Samistraro e Ribeiro (2006), o ponto de partida para uma mudança sólida, é o “querer” do corpo diretivo, que, por sua vez, promoverá o engajamento de todos os integrantes da instituição (corpo docente e funcionários) que, em última análise, são as pessoas que irão garantir o sucesso da implementação de novas propostas e, com isto, a permanência da instituição no sistema e o devido cumprimento de seu papel na sociedade.
Para isso, a escola deve planejar-se estrategicamente, tendo claro o porquê e para quê a instituição existe, de que forma ela faz e como faz. No entanto, anterior a isto, é preciso que se faça uma leitura do cenário em que a escola está inserida e a tomada de decisões, o que resultará em um conjunto de planos altamente flexíveis, que nortearão todas as ações administrativas a longo prazo.
O planejamento estratégico envolve uma reflexão ampla e aprofundada sobre a organização, iniciando pela definição da missão, da visão e de estratégias organizacionais, e inclui a definição de objetivos, finalidades, metas e diretrizes organizacionais. (...) A falta de planejamento estratégico como instrumento de gestão é responsável em parte pela manutenção de baixos resultados de aprendizagem. Portanto, um enfoque adequado sobre o planejamento é essencial. (SAMISTRARO E RIBEIRO, 2006, p. 70)

Mais que encontrar respostas, é preciso entender que, a educação necessita estar pautada em objetivos claros, que tenham como finalidade a formação de alunos críticos e reflexivos, capazes de articular ações para o bem comum. Daí a importância, da escola, incluir em seu planejamento práticas voltada a responsabilidade social, possibilitando que todos tenham conhecimento da dimensão que tais ações podem influenciar na sociedade.
A responsabilidade social busca estimular o desenvolvimento do cidadão e fomentar a cidadania individual e coletiva. [...] As ações de responsabilidade social são extensivas a todos que participam da vida em sociedade – indivíduos, governo, empresas, grupos sociais, movimentos sociais, igrejas, partidos políticos e outras instituições. (MELO NETO, 2001, p. 27)

Percebe-se com isso que, a atuação perante a realidade da escola pública deve ser de análise e de conscientização, não somente da equipe docente, mas de toda a comunidade, de que deve haver perspectivas de mudanças do quadro presente. A escola, como espaço de convivência dos cidadãos, deve ser influenciada diretamente pelos valores que lhe cabem e fortalecido com ações de responsabilidade social que colaborem para a melhoria do ambiente em que se está inserido, criando um espaço onde o coletivo possa ser o alvo das ações de cidadania, onde as diferenças possam ser vistas como mecanismos essenciais a promoção de pessoas e nunca como objetos de discriminação ou preconceito. O termo cidadania, no seu sentido mais lato, é compreendido aqui não como um conjunto de direitos e deveres que cada pessoa tem num estado civil, mas, além disso, como a constituição do coletivo, de práticas que ultrapassam o campo do eu, do individuo, que se prolongue ao ser coletivo, da solidariedade de cada grupo.
Assim, percebe-se a importância de uma gestão mais estratégica, pela qual o gestor ultrapasse o papel de mero espectador, passando a ser, um conselheiro e facilitador das decisões em todos os níveis da organização, reconhecendo-se assim, como o estrategista chave da organização como um todo. Ora, através de uma gestão estratégica, a escola, conjuntamente com os demais membros da organização, tem a possibilidade de estruturar de forma sistemática suas ações, possibilitando a inserção de práticas socialmente responsáveis, e a melhoria da qualidade, tanto do ensino como do relacionamento com a comunidade, uma vez que, isso irá possibilitar uma reflexão acerca do papel que cada indivíduo pode e deve exercer na sociedade.

REFERÊNCIA BIBLIOGRAFICA

COLOMBO, Sônia Simões. Gestão Educacional: uma nova visão / organizado por Sônia Simões Colombo ... [et. al.]. – Porto Alegre: Artmed, 2004.

FERREIRA, N. S. C. GESTÃO DEMOCRÁTICA DA EDUCAÇÃO PARA UMA FORMAÇÃO HUMANA: conceitos e possibilidades. Em aberto, Brasília, v. 17, nº 72, p. 167-177 – fev-jun, 2000.

GADOTTI, Moacir. Escola Cidadã, 6ª ed. – São Paulo: Cortez, 2000.

MELO NETO, Francisco Paulo de. Gestão da Responsabilidade social corporativa: o caso brasileiro. – Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 2001

SAMISTRARO, Ires; RIBEIRO, Rosane Santos. Implementação do planejamento estratégico nas instituições de ensino: a percepção do corpo diretivo de uma escola privada in Opinio: revista do Centro de Ciências Econômicas, Jurídicas e Sociais / Universidade Luterana do Brasil. – N. 1 (jan/jun. 1998) – Canoas: Ed. ULBRA, 1998.

VEIGA, Ilma Passos Veiga. Projeto Político Pedagógico da Escola: uma construção possível. Campinas, SP: Papirus, 1995.

FONTE: http://sulenir.blogspot.com/2010/02/planejamento-e-responsabilidade-social.html

Relatório de sustentabilidade ambiental é tema de audiência

A Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável quer conhecer o Relatório de Sustentabilidade 2008, elaborado por gestores e técnicos do Sistema Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Sisema). Para isso, promoverá audiência nessa terça-feira, 23/02, às 10h, no Auditório da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. O requerimento da reunião é do deputado Almir Paraca (PT-MG). Entre os convidados, estão o secretário de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, José Carlos Carvalho, e representantes de comitês de bacias hidrográficas, da Associação Mineira de Defesa do Ambiente (Amda) e do Projeto Manuelzão - criado em 1997 por iniciativa de professores da Faculdade de Medicina da UFMG, que busca a melhoria das condições ambientais e tem a bacia do Rio das Velhas como foco de atuação.

Segundo o site do Sisema, este é o primeiro Relatório de Sustentabilidade do sistema e o primeiro de um órgão público brasileiro a seguir as diretrizes da Global Reporting Initiative (GRI), que adota parâmetros para comparação na busca de sustentabilidade no trabalho de empresas e governos em cerca de 30 países. O relatório tem, entre outros objetivos, o de prestar contas das atividades do Sisema à sociedade. Observa diversos aspectos dos investimentos e ações executadas pelos órgãos que compõem o sistema em 2008, entre eles a regularização ambiental, a regularização fundiária de unidades de conservação (UCs), a gestão de recursos hídricos e de resíduos sólidos.

O deputado Almir Paraca destaca que o propósito da audiência é dar visibilidade e avaliar o conjunto das ações implementadas na área ambiental, bem como definir de que forma a Assembleia pode acompanhar o processo. Ele demonstra particular interesse pela fiscalização do uso de carvão oriundo de mata nativa; legalização dos parques estaduais; organização dos comitês de bacia, que deliberam sobre o gerenciamento dos recursos hídricos e são formados por poder público, sociedade e usuários das águas; e pela revitalização da bacia do Rio São Francisco, incluindo os resultados da Meta 2010, projeto estruturador do governo estadual cujo objetivo é nadar, pescar e navegar no Rio das Velhas em sua passagem pela Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Convidados – São convidados da reunião o ministro de Meio Ambiente, Carlos Minc; o secretário José Carlos Carvalho; o procurador-geral de Justiça, Alceu José Torres Marques; o coordenador-geral do Fórum Nacional de Comitês de Bacias Hidrográficas, Lupércio Ziroldo Antonio; o coordenador do Fórum Mineiro de Comitês de Bacias Hidrográficas, Mário Dantas; o coordenador do Projeto Manuelzão, Antônio Thomaz da Matta Machado; e a superintendente executiva da Amda, Maria Dalce Ricas.

Legislação é desafio constante

A atualização da legislação ambiental é citada como desafio constante no relatório do Sisema, que lista exemplos de leis aprovadas pela ALMG, após ampla discussão entre poder público, sociedade civil e segmento empresarial. Entre elas, a readequação da Lei de Crimes Ambientais; a criação da política de resíduos sólidos; a revisão da Lei Florestal, com a fixação de metas graduais de redução de consumo do carvão oriundo de mata nativa; e a instituição da Bolsa Verde, que permite que o Estado remunere financeiramente o serviço ambiental prestado pelo produtor rural que mantém área de preservação em sua propriedade. Sem a lei, o Estado não teria permissão para repassar dinheiro diretamente para o cidadão. Antes, a alternativa era o repasse por meio de terceiros (ONGs contratadas para realizar projetos específicos), o que encarecia e burocratizava o processo.

Na apresentação do Relatório, o secretário José Carlos Carvalho cita diversas ações do Sisema. Entre elas: desenvolvimento do Zoneamento Ecológico Econômico, que permitirá a inclusão do fator de localização entre os critérios de análise de licenças ambientais, constituindo instrumento para a regularização ambiental; redução de desmatamentos no Estado em 29,3%, em relação a 2007; proteção de 84 mil hectares, distribuídos em 14 UCs criadas; entre 2007 e 2008, regularização de 65 mil hectares de áreas de UCs, superando a meta prevista; crescimento de 2.100% do volume de esgoto tratado na bacia do Rio das Velhas, na RMBH, na comparação entre 2002 (3,9 milhões de m3) e 2008 (85,9 milhões de m3).

http://www.almirparaca.com.br/?sessao=materia&idMateria=2623

domingo, 21 de fevereiro de 2010

PRÊMIO ETHOS

O Instituto Ethos e o jornal Valor Econômico convidam, pelo décimo ano seguido, estudantes e professores universitários a participarem do Prêmio Ethos-Valor - concurso para trabalhos acadêmicos sobre responsabilidade social empresarial e sustentabilidade aplicada às empresas. O objetivo do prêmio é incentivar e aprofundar o debate sobre a responsabilidade social das empresas e o desenvolvimento sustentável entre a comunidade acadêmica, envolvendo professores e alunos de todas as áreas de conhecimento, nos cursos de graduação e pós-graduação, em todo o território nacional. Participe!

INSCRIÇÕES
· Pré-Inscrições: de 23 de novembro de 2009 a 5 de abril de 2010.
· Envio dos trabalhos: de 23 de novembro de 2009 a 6 de abril de 2010.
Não há limite de inscrições por autor, categoria ou instituição de ensino.

CATEGORIAS, SUBCATEGORIAS E TEMAS

Professores - Educação para a Sutentabilidade
· Planos de Ensino
· Artigos de Pesquisa

Estudantes - Resonsabilidade social empresarial, desenvolvimento sustentável e a Carta da Terra
· Graduação e Cursos Sequenciais
· Pós-graduação

Mista e Temática - Corrupção

PREMIAÇÃO
· Publicação dos trabalhos em livro comercial
· Convite para a Conferência Internacional do Instituto Ethos
· Convite para o Curso de Formação de Multiplicadores da RSE
· Assinatura do jornal Valor Econômico
· Troféu Prêmio Ethos-Valor
· Conjunto de publicações do Instituto Ethos

Consulte o regulamento para saber as premiações relativas a cada categoria

Para saber mais sobre o concurso visite:
Site - http://www.premioethosvalor.org.br
Email - premio@ethos.org.br
Twitter - http://twitter.com/ethos_valor
Blog, Orkut e Facebook

TURISMO SUSTENTÁVEL: O Caso da APA de Tinharé/ Boipeba, na Vila de Morro de São Paulo – Ba.

Michele Moura Teixeira
Graduanda em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Santa Cruz. E-mail: michellebr_br@yahoo.com.br.

Thiana de Souza Cairo
Mestranda em Cultura & Turismo pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC) e Universidade Federal da Bahia (UFBA). Economista. Professora do Departamento de Economia da Universidade Estadual de Santa Cruz. E-mail: ticairo@bol.com.br.

RESUMO: O presente trabalho teve como objetivo geral verificar os aspectos que visam conciliar a atividade turística com a preservação do meio ambiente na APA de Tinharé/Boipeba na Vila de Morro de São Paulo para o seu desenvolvimento turístico sustentável. Buscou-se também analisar se o programa desenvolvido pela APA vem atendendo aos preceitos de turismo sustentável, bem como verificar as condições da infra-estrutura existente na vila para a melhoria da atividade turística. Utilizou-se no referencial teórico da pesquisa, abordagens concernentes ao turismo sustentável, desenvolvimento sustentável e turismo e meio ambiente. No que tange aos aspectos metodológicos, os dados coletados foram obtidos a partir de entrevistas junto aos órgãos públicos e a comunidade local. O método de abordagem e procedimento utilizado foi o descritivo e o estudo de caso. Dos resultados obtidos, verificou-se que o turismo em Morro de São Paulo não atende ainda aos preceitos de turismo sustentável. Enfim, acredita-se que para a consecução do desenvolvimento sustentável na vila, deverão ser atendidos os objetivos de proteção e preservação ambiental, bem-estar e a melhoria da qualidade de vida da comunidade residente, a satisfação das necessidades e expectativas do turista e as integrações econômicas locais e regionais, levando-se em conta os pilares da sustentabilidade econômica, ambiental, social e cultural.

PALAVRAS-CHAVE: desenvolvimento sustentável; turismo e meio ambiente; infra-estrutura turística; turismo e comunidade.


ABSTRACT: The current research had as a general goal checking the aspects/points that aims at balancing the touristic activity with the preservation of the environment in the APA of Tinharé/Boipeba in Morro de São Paulo Village to its touristic sustainable development. It was also searched if the developed program in APA has been providing the main concepts of sustainable tourism, as well as checking the conditions of the main-base that is already in the village in order to improve the touristic activity. In the theorical reference of the research, it was used points of view concerned to the sustainable tourism, sustainable development and tourism and enviromment. The methodological aspects, data were collected from primary and secondary sources. The primary sources were gotten from interviews on public places and at the local community, and the secundary sources through magazines, books, monographies and in articles and paper related to the topic. The method of exploring and the producere used was the description and the studies of cases. It was checked from the results gotten, that the tourism in Morro de São Paulo still doesn’t provide the main concepts of the sustainable tourism. At last, it is believed that to execute the sustainable development at the village, it will need to provide the goals of environmental protection and saving, welfare and the improvement of the quality of life of the local community, as well as the satisfaction of the needs and hopes of the tourist and both local and regional economic integration, valuing the bases of the economic, environmental, social and cultural sustainability.

KEY-WORDS: Maintainable development; tourism and environment; infra structures tourist; tourism and community.





1. INTRODUCÃO

O turismo pode ser considerado um conjunto de atividades econômicas diversas que englobam transportes, os meios de hospedagem, as agências de viagens e as práticas de lazer, além de outras tantas ações mercadológicas que produzem riquezas e geram empregos para muitas regiões.
Assim, a atividade turística é um dos fenômenos mais marcantes e expressivos, pois movimenta em nível mundial, um enorme volume de pessoas e de capital, inserindo-se materialmente de forma cada vez mais significativa ao criar e recriar espaços diversificados.
Quem viaja, por lazer ou por necessidade, precisa receber o conforto proporcional ao custo de seu contrato e à qualidade dos bens e serviços que deseja receber sendo turista ou não.
Andrade (1999) afirma que é impossível satisfazer a natureza do homem sem atender às seguintes necessidades: proteção, repouso, higiene, alimentação, privacidade e tranqüilidade, sendo estes requisitos que formam os fundamentos teóricos e ideais de moradia ou residência.
O turismo tem um importante papel para o crescimento de várias economias e regiões, pois com o fluxo de pessoas para determinados locais, ocorre um incremento das necessidades de maior produção de bens e serviços, provocando na economia um efeito multiplicador, gerador de empregos, impostos e de uma rede de serviços de apoio das mais variadas áreas que movimentam os recursos materiais e humanos.
Destarte, a atividade turística deve ser vista como um empreendimento que necessita de divulgação, promoção e ampliação de estratégia para comercialização, pois, se as belezas naturais atraem os turistas da mesma forma é preciso melhorar os serviços oferecidos tornando-o mais atraente. Esses recursos que são artificiais têm custos e necessitam de permanentes cuidados de atualização para enfrentar a concorrência e satisfazer a demanda.
O turismo é uma força econômica das mais importantes, uma vez que ocorrem fenômenos de consumo, originam-se rendas e criam-se mercados. Os resultados do movimento financeiro, decorrentes do turismo são expressivos e justificam que esta atividade seja incluída na programação de política econômica de todos os países. Assim, o turismo que era para muitos uma atividade secundária, passou a receber atenção especial em razão de ser uma fonte geradora de receitas e a exigir metódica e delicada manipulação, consolidando-se dentro do conceito de “indústria normal” (BENI, 1998).
Ao longo das últimas décadas o turismo se diversificou. Surgiram vários tipos no qual leva - se em consideração demandas diferenciadas de classes sociais, faixa etária, renda entre outros. Tendo como: aventura, ecológico, negócios, eventos, lazer, cultural, religioso e esportivo, os motivos para o deslocamento de acordo com a procura dos visitantes. Essa diversificação do produto turístico tem sido fundamental para inserir certas regiões no roteiro do turismo nacional e internacional.
De fato, alguns tipos de turismo vêm proporcionando a revitalização de áreas decadentes e estagnadas economicamente, bem como na preservação ambiental e cultural dessas áreas. O Brasil, um país rico em belezas naturais, possui uma cultura diversificada, um clima agradável, no que atrai muitos visitantes pena que não sabe utilizar seu potencial, entretanto poderia investir em propaganda, marketing, mostrando o seu litoral que é muito lindo, sua cultura variada, a sua fauna e flora que torna o turismo bastante atrativo .
Na última década fortaleceram-se as preocupações com a adoção de práticas mais favoráveis que contemplem uma melhor relação com o meio ambiente, emergindo assim, o turismo sustentável.
Por possuir atrativos naturais e culturais a Bahia, atrai turistas de todo Brasil e também estrangeiros que procuram descanso, tranqüilidade, lazer e sol tornando assim o Estado um grande pólo turístico.
No litoral sul do Estado da Bahia o balneário do Morro de São Paulo, localizado no município de Cairu - Bahia possui um litoral bastante recortado, com a presença de morros, recifes e ilhas. O local apresenta um rico complexo estuário, sendo formada pelo encontro do oceano com diversos rios e riachos, sua vegetação é praticamente antropizada, com remanescente primário de mata atlântica, além de restingas e manguezais. A fauna é bastante diversificada, com destaque para avefauna migratória (CRA, 2002).
A Área de proteção ambiental (APA) do Morro de São Paulo é uma unidade de conservação que tem como objetivo conciliar às atividades humanas com a preservação da vida silvestre, a proteção dos recursos naturais à melhoria da qualidade de vida da população, através de um trabalho conjunto entre organismos públicos e privados com a participação ativa da comunidade.
Com todos estes atrativos, suscita nas pessoas o desejo de desfrutar das belezas naturais que Morro de São Paulo oferece, transformando essa prática em uma rentável atividade econômica.
Nesse sentido, acredita-se que o turismo se apresenta como uma alternativa sócio – econômica da Vila de Morro de São Paulo, localizada no Estado da Bahia, com características sustentáveis, na medida em que apresenta um papel social (geração de empregos), ecológico( não agride o meio ambiente) e econômico ( é rentável – efeito multiplicador).
Segundo o Centro de Recursos Ambientais - CRA, a administração da APA além de fiscalizar a área, promove junto a associações de moradores da APA encontros e seminários como instrumentos de conscientização dos recursos naturais existentes no conjunto de ilhas, além de promover mutirões para a retirada de lixo das praias. O trabalho de informação ambiental vem se fortalecendo e inovando técnicas para a sua propagação, baseada na gestão participativa dos recursos naturais.
Devido a todos estes atributos, uma série de indagações torna-se pertinentes neste estudo, tais como: De que maneira as iniciativas e trabalhos realizados pela administração da APA em Tinharé/Boipeba têm contribuído na promoção do turismo sustentável na vila do Morro de São Paulo? Qual a situação atual do turismo no que se refere a sua infra-estrutura? O turismo desenvolvido tem sido capaz de conciliar a atividade turística com a preservação do meio ambiente no Morro de São Paulo?
Diante do exposto, buscou-se nesta pesquisa, verificar a viabilidade e compatibilização da exploração econômica, no que se refere à atividade turística, com a preservação ambiental, no que tange as práticas exercidas pela administração da APA de Tinharé /Boipeba. Para tanto, coletou-se os dados a partir de entrevistas, junto à administração da APA, associações: de moradores, de artesãos, de pousadas e hotéis e os seguintes órgãos públicos: secretaria de turismo, prefeitura municipal, delegacia de polícia, ong’s entre outros.
Para analisar a pesquisa foi usado o método descritivo que utiliza técnicas padronizadas de coleta de dados como questionário e a observação sistemática e o estudo de caso que envolve exame de registros, observação de ocorrência de fatos, entrevistas estruturadas e não estruturadas ou qualquer outra técnica de pesquisa. As variáveis selecionadas envolveram a análise dos programas desenvolvidos pela APA e os aspectos da infra-estrutura no Morro de São Paulo.
2. Aspectos sobre o Turismo Sustentável, Desenvolvimento Sustentável e Turismo e Meio Ambiente.
O turismo sustentável, segundo Tôrres (2001 p.3) citando Coutinho & Selva (1999,s.p) tem como objetivo a busca da integração do uso turístico com eficiência econômica à proteção do ambiente e à melhoria das condições de vida das comunidades locais, a partir de discussões e propostas de formatação do turismo ecologicamente viável, socialmente justo, com base na realidade local e no planejamento participativo.
Para se ter um turismo de qualidade, existem alguns pontos que devem ser considerados: evitar as grandes concentrações turísticas e urbanização excessiva, integrar o turismo ao meio ambiente mediante uma arquitetura adaptada, preservar e valorizar os patrimônios naturais, históricos e culturais, participar as comunidades locais e conseguir a consciência da população local e do turista em relação à necessidade de proteger as riquezas naturais e o patrimônio (PAGANI & SCHIAVETTI, 1999), citado por TÔRRES (2001, p.13).
Ao desenvolver o turismo sustentável, é necessário respeitar a capacidade de absorção para poder manter a qualidade do ambiente e a satisfação do visitante. O turismo ambiental, ao que alguns conceituam como turismo sustentável, tem como pretensão otimizar o desenvolvimento econômico com base local, sob condições que assegurem não só a qualidade dos serviços oferecidos, mas também a salvaguarda do patrimônio, que deve ser mantido, melhorado e restaurado pelos recursos auferidos.
O conceito de sustentabilidade consiste em satisfazer as necessidades presentes sem comprometer a possibilidade das gerações futuras e está ligado a três fatos importantes: qualidade, continuidade e equilíbrio. Segundo Cunha (1997), o turismo será sustentável se tiver como base o tripé: sustentabilidade ecológica, sociocultural e econômica.
O conceito de desenvolvimento sustentável, por sua vez, é entendido pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento como:
Um processo de transformação, no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação da evolução tecnológica e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas (CMMAD, 1991, p.49).

O desenvolvimento do turismo em particular depende da preservação, da viabilidade de seus recursos de base. Encontrar o equilíbrio entre os interesses econômicos que o turismo estimula e um desenvolvimento da atividade que preserve o meio ambiente não é tarefa fácil, principalmente porque seu controle depende de critérios e valores subjetivos e de uma política ambiental e turística adequada que ainda não se encontrou no Brasil e em vários outros países (RUSCHMANN, 1997).
Assim, entende-se por desenvolvimento sustentável a gestão e administração dos recursos e serviços ambientais e a orientação das mudanças tecnológicas e institucionais, no sentido de assegurar e alcançar a contínua satisfação das necessidades humanas para o futuro, dentro dos limites da capacidade de sustentação dos sistemas ambientais (CAVALCANTI, 1997).
O contato com a natureza constitui, atualmente uma das maiores motivações das viagens de lazer e as conseqüências do fluxo em massa de turistas para esses locais, extremamente sensíveis. Entretanto, pode ter um efeito negativo simbolizando perigo para a região, mais especificamente para vegetação, vida selvagem, poluição do ar e outras manifestações de destruição de vida animal e vegetal.
O meio ambiente é a base econômica da atividade turística e apresenta oportunidades e limitações. O caráter finito da qualidade dos recursos em ambientes naturais e os custos e benefícios de desenvolvimento turístico para as populações e seu meio trazem à tona uma série de conflitos que necessitam ser resolvidos.
O equilíbrio entre promoção e preservação é fundamental. A agressão ao meio em uma visão integral, física e social pode trazer prejuízos severos para um núcleo turístico, muitas vezes irreversível. Por isso as diretrizes do turismo sustentável são imprescindíveis na gestão do turismo (PETROCCHI ,1998).
3. A Atividade Turística no Morro de São Paulo
A comunidade da vila de Morro de São Paulo se beneficia da atividade turística por ser a maior geradora de empregos diretos e indiretos, desde o carregador de produtos aos gerentes de hotéis e pousadas. Neste sentido, segundo informações dos entrevistados, faz-se necessário o oferecimento de cursos para aperfeiçoar a mão-de-obra local que são oferecidos pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - SENAC com parceira do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas - SEBRAE sendo eles: recepcionista, garçom, barman, camareira, garçonete, café da manhã e cozinheira.
A comunidade mencionou que o Sebrae realizou somente um seminário sobre parcerias de liderança e o líder cidadão e também um diagnóstico da área ambiental com interpretação cultural para a comunidade. A prefeitura, por sua vez, realizou um pequeno curso para guias de turismo, o qual não foi suficiente para atender a demanda que trabalha nessa área.
Em relação à preservação ambiental a comunidade tem recebido orientação através das Organizações Não-Governamentais (ONG’s) Baiacu de Espinhos e Coral através de palestras e campanhas nas escolas. No verão, quando a cidade está cheia de turistas, executam o projeto Morro Limpo no qual peneiram a areia das praias, limpam os riachos e solicitam tanto a comunidade como aos turistas que façam a coleta seletiva. Entretanto não é um trabalho permanente, restringindo-se apenas ao verão quando quase triplica o número de turistas que vêem em busca de praia, sol, belezas naturais e paz.
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis - IBAMA também fez uma orientação para a comunidade, mostrando o que é preciso ser feito para a preservação ambiental da vila, mas não executa trabalhos permanentes, deixando assim a desejar.
Vale ressaltar, que estes cursos de aperfeiçoamento não são realizados com freqüência e não são gratuitos. Geralmente são oferecidos duas vezes por ano, não atendendo a necessidade da vila, uma vez que a capacitação exigida pelo setor turístico é sempre constante, pois o Morro de São Paulo e sua atividade econômica crescem a cada dia, implicando o aumento da oferta de empregos e conseqüentemente a necessidade de qualificação.
No que se refere ao envolvimento da comunidade local com o setor turístico, Cairo (2001) relata que para a consecução do desenvolvimento do turismo, faz-se necessário combinar esforços do governo, com os da iniciativa privada e da comunidade. Dessa forma, a sociedade deve passar por um processo de conscientização acerca da importância do turismo para a projeção do crescimento e desenvolvimento econômico, cuja relevância se torna notória quando são analisados os principais benefícios oriundos da atividade turística. Este setor, se encarado com seriedade, tornará um destino mais competitivo em relação aos demais e aumentará de forma significante a receita nacional.
Ainda segundo a autora supra, o grande diferencial hoje quando se pensa em boa prestação de serviços, tendo como foco clientes distintos, como é o caso do turismo, é sem dúvida um atendimento eficiente, seguido de produtos com qualidade apreciável. O elemento humano pode ser considerado o alicerce de uma empresa, mas este não terá êxito se não acompanhado dos elementos que permitam a consecução de um trabalho satisfatório.
Enfim, percebe-se que a comunidade na Vila do Morro de São Paulo carece ainda, de uma maior capacitação e profissionalização no setor turístico, para assim harmonizar os interesses existentes entre turistas e a comunidade receptora.
No que diz respeito a estudos ligados aos impactos ambientais na área protegida, nota-se que são quase inexistentes e os que são desenvolvidos apresenta pouca aplicabilidade, bem como não há um acompanhamento constante do próprio centro de recursos ambientais (CRA) responsável pela APA de Tinharé/Boipeba, segundo informações dos entrevistados.
Observa-se que é evidente a necessidade de preservação ambiental, onde a Prefeitura Municipal de Cairu possui na Lei Orgânica Municipal, diversos artigos voltados a esta temática. Entretanto, no que tange a própria APA de Tinharé/Boipeba é visível à demasiada negligência aos estudos ambientais.
Apesar da ainda incipiente preocupação ambiental, algumas iniciativas foram mencionadas pelos entrevistados como: o Departamento de Estradas de Rodagem da Bahia - DERBA fez um estudo para avaliar as condições da implantação de uma estrada no Morro de São Paulo; a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia - CONDER tem um estudo de um mini aterro sanitário e o projeto de obra para a construção de uma estrada em andamento que liga o Zimbo (localizado na quarta praia) a segunda praia.
De acordo com informações do Presidente da Associação de Moradores da Fonte Grande, a Prefeitura de Cairu está fazendo um remanejamento para o estudo da APA tentando minimizar os impactos ambientais que vem ocorrendo em Morro de São Paulo.
Porém, não existe nenhum órgão responsável pela preservação do patrimônio histórico-cultural e natural da vila. Os moradores juntamente com a Associação da Fonte Grande, foram os responsáveis pela reforma no teto da Igreja Nossa Senhora da Luz, pois ao buscarem ajuda dos órgãos competentes como a Unesco, Governos do Estado entre outros, não lograram sucesso. Assim, eles mesmos providenciaram um novo forro. Entretanto, uma vez concluída a reforma do teto a Unesco recusou-se a fazer o tombamento e conseqüentemente as demais reformas necessárias, alegando a interferência de pessoas não autorizadas. Os demais monumentos, como o Farol e o Forte, não têm a devida manutenção, sendo que a pintura de um deste, foi feita pela própria comunidade.
Na área de preservação ambiental de Morro de São Paulo não existem quaisquer placas de sinalização indicando as espécies vegetais e animais encontrados naquela região; ou até mesmo indicando aos turistas aonde eles podem passear e/ou encontrar o que desejam. Enfim, se eles não perguntarem ficarão totalmente perdidos no local, demonstrando a extrema necessidade de placas de sinalização turística na vila para facilitar a vida dos turistas que ali passeiam. Também não é realizado nenhum trabalho de conscientização dos turistas que vão conhecer uma área de proteção ambiental. Os folder, folhetos ou até mesmo sacos plásticos são distribuídos apenas em determinados períodos, quando há campanha para preservar o verde ou só no verão, revelando a falta de respeito à comunidade que sobrevive do turismo. Por parte dos agentes turísticos só uma única pousada, chamada “Tia Glória” distribui entre seus hóspedes saquinhos plásticos, para que eles não joguem lixo no chão durante os passeios que fazem na ilha.
Os crimes ambientais mais comuns praticados são as queimadas e/ou corte de árvores em florestas de preservação ambiental, bem como a pesca em local interditado (determinado pelo órgão competente – IBAMA). Informou-se também que uma parte do manguezal está sendo destruída por um grande empreendimento hoteleiro, bem como as construções irregulares feitas na faixa da orla. Tem-se, ainda a contaminação do lençol freático originado pelos resíduos finais do lixo da comunidade como um todo, a retirada de pedras e corais do mar e construções irregulares dentro da mata.
Segundo as estatísticas e informações obtidas junto a Delegacia de Polícia de Cairu, o crime que mais ocorre é a pesca em local interditado, onde de janeiro a junho de 2003 ocorreram aproximadamente 15 crimes.
São poucos os órgãos que se envolvem na fiscalização e combate aos crimes ambientais. A comunidade e as ONG’s tentam amenizar denunciando alguns crimes, procurando o Ibama, a Prefeitura Municipal de Cairu, o Ministério Público e a Delegacia de Polícia. Entretanto, falta ainda uma fiscalização mais rígida, pois os crimes acontecem com bastante freqüência. Os agressores quando identificados são punidos, onde são realizados as apurações dos crimes cometidos e conseqüentemente o encaminhamento dos autos do “inquérito policial e dos termos circunstanciados” • lavrados ao juízo criminal da Comarca de Valença para adoção das providências legais.
Os crimes supracitados encontram-se nos artigos 29; 34; 35; 38; e 41; da Lei 9.605/98 (Lei de Crimes Ambientais). As penalidades leves variam de três meses a um ano e outras de um ano a três anos, sendo que a maioria dos crimes ambientais é afiançável (cabe fiança).
Quanto ao problema da segurança pública na Vila do Morro de São Paulo, o Delegado de Polícia, explicita que:
No que diz respeito ao direito social, segurança pública pode-se afirmar que esta necessita urgentemente da atenção devida dos poderes público e municipal, pois há uma grande carência de policiais militares, que são em número de três, embora o local necessite de no mínimo doze policiais. O Morro de São Paulo já necessita também de uma delegacia especializada para o turista, com a presença constante de um delegado, o mínimo de quatro agentes de polícia e dois escrivões. Carece também a segurança pública de boa estrutura material, pois há necessidade de armamentos, lanchas para o combate de crimes ambientais... Na delegacia, por exemplo, não existem computadores, nenhum agente de polícia, dentre outros problemas...
Ora, partindo-se do pressuposto que a segurança é uma condição sine qua non para o homem, esta deverá ser priorizada tendo em vista a necessidade de uma maior proteção para os turistas, cujos reflexos também se estenderão para a comunidade local. Tal perspectiva é assegurada no nosso ordenamento jurídico, onde a Constituição Federal do Brasil, ao relatar os direitos e garantias fundamentais do cidadão no seu art. 5º, explicita acerca da inviolabilidade do direito à liberdade, à segurança, entre outros.
O combate à criminalidade é hoje uma aspiração mundial, uma vez que a busca de conforto, tranqüilidade, qualidade de vida e segurança, é almejada por toda a humanidade. Não gozando destas perspectivas nos seus momentos de lazer nas regiões escolhidas para suas viagens e passeios, os turistas, sem dúvida, voltarão frustrados aos seus locais de origem, se cometidos por instabilidades oriundas da insegurança e incidência da violência.
A segurança pública é dever do Estado, devendo este atuar da maneira mais eficaz possível na realização desta tarefa essencial e indispensável. O Morro de São Paulo, por apresentar requisitos satisfatórios para o desenvolvimento da atividade turística, deverá buscar nos seus órgãos competentes, otimizar a prestação dos serviços turísticos, através de um fator primordial, que é a promoção da segurança.
Na avaliação da comunidade, as condições do saneamento básico na Vila de Morro de São Paulo são insuficientes. A água não é aconselhável para beber, devido ao excesso ou por vezes escassez de cloro, bem como o não tratamento adequado, diante a existência de “coliformes fecais” e outras impurezas. No período de alta estação o fluxo de turistas, cerca de três vezes maior do que a capacidade da vila gera colapso no abastecimento de água, revelando a necessidade de reestruturação desse sistema e de estudos de capacidade de carga para o local ainda inexistente. Esta situação tem ocasionado o aumento do consumo de água mineral, gerando ônus para a comunidade, que muitas vezes, não possuem recursos financeiros suficientes.
Quanto ao esgotamento sanitário, embora tenha sido inaugurado um centro de tratamento somente há um ano, o mesmo não atende a totalidade da população, bem como não há a devida manutenção. Vale ressaltar, que tal sistema de esgoto tão precário, fora custeado pela população, correspondendo a maior porcentagem do valor mensal da conta de água, proveniente do alto custo do esgotamento sanitário. Sabe-se também da existência de mais de 100 poços artesanais feitos pelos grandes empreendimentos do setor hoteleiro.
Por se tratar de uma ilha, a coleta de lixo enfrenta demasiadas dificuldades, pois a coleta é realizada por um trator que só tem acesso a ilha quando a maré está alta. O fornecimento de energia elétrica sofreu melhorias no último ano, com ampliação da rede. Entretanto, a totalidade da população e de ruas não foi atingida. O sistema de telefonia atende satisfatoriamente a população. Em contrapartida, é obrigada a administrar os atos de vandalismo em telefones públicos. As vias de acesso à ilha são áreas e marítimas, sendo a última mais utilizada, mas que não dispõe de constante fiscalização, deixando claro a necessidade de melhorias.
Quando inquiridas sobre a existência de programas e ações dos poderes públicos junto ao Morro de São Paulo, os entrevistados citaram as iniciativas do PRODETUR (Programa de Desenvolvimento do Turismo) e do Projeto Município Parque do Morro de São Paulo.
Por fim, as maiores dificuldades existentes na atividade turística no Morro de São Paulo salientados pelos entrevistados referem-se em sua maioria, a: Melhorias na estrutura de atendimento do único posto médico da Vila de Morro de São Paulo que só funciona até as 18 horas, o que não é suficiente para atender aos turistas e a própria comunidade, necessitando ainda de equipamentos, medicamentos e funcionários qualificados como: médicos, enfermeiros e auxiliares; o alto índice de analfabetismo na comunidade; a falta de segurança pública, pois existem apenas três policiais militares para atender a Vila de Morro de São Paulo; tráfico de drogas e prostituição infanto – juvenil; a falta de receptividade da população ao turista; a desorganização das embarcações que fazem o transporte dos turistas de Valença ao Morro de São Paulo, o que prejudica o atendimento; os elevados preços praticados na Vila de Morro de São Paulo; a rivalidade entre os próprios barraqueiros para a realização de festas na praia.
4. Considerações Finais
A explosão e o crescimento do turismo nas ilhas de Tinharé e Boipeba, sobretudo Morro de São Paulo, cresceu nas últimas décadas com o advento do turismo de massas, que trouxe grande impacto para a infra-estrutura existente que não suporta a crescente demanda em períodos de alta estação, com graves conseqüências para o meio ambiente local. Esses problemas estão ligados, sobretudo as deficientes condições de saneamento básico e à deficiência dos serviços de saúde, segurança e educação.
Por isso se faz necessário um planejamento do turismo juntamente com os líderes da comunidade da Vila de Morro de São Paulo, pois a idéia de que o turismo só pode ser sustentável se a comunidade local estiver envolvida em seu planejamento e em sua administração.
Ao se falar em turismo de qualidade tendo como suporte o contexto de turismo sustentável, não se quer dizer com isto que, para se alcançar tal objetivo, o turismo destine-se apenas a grupo de pessoas com maiores rendimentos ou nível cultural elevado (dentro do princípio do turismo seletivo).
Considerando-se que os bens turísticos sejam de qual for sua natureza e/ou característica, são bens escassos que precisam ser utilizados com muito cuidado para garantir sua preservação. Torna-se assim necessário que a comunidade e os órgãos governamentais ou não governamentais, utilizem todos os meios para preservar este santuário. Para tal, segundo Torres (2001) deve-se organizar e elaborar estudos e projetos, considerando os seguintes aspectos: Enquadrar e regulamentar a utilização dos espaços; Limitar o acesso à utilização dos bens mais sensíveis e, sobretudo informar e interpretar o patrimônio com o objetivo de orientar e/ ou ensinar aos residentes locais e aos turistas sobre a importância desses bens.
A APA das ilhas de Tinharé/Boipeba, em especial a Vila de Morro de São Paulo pelo valioso patrimônio natural que representa, ressente-se, no momento atual, da adoção de um sistema de gerenciamento que avalie dinamicamente o grau de intervenção no meio ambiente e estabeleça mecanismos de controle e desenvolvimento através da utilização sustentável dos recursos naturais e a preservação dos ecossistemas mais sensíveis. Deve-se também controlar de alguma maneira o excesso de turistas que visitam a ilha durante o período da alta estação como, por exemplo, uma taxa de permanência na vila, como acontece no Arquipélago de Fernando de Noronha, a fim de determinar o número de dias que os visitantes podem passar, desde que os mesmos conheçam todos os lugares de passeio, entre outros.
Considerando todas as observações sugeridas e implementadas as devidas ações, o destino de Morro de São Paulo tornar-se-ia viável, dentro do turismo sustentável, pois a natureza ajudou a ilha, dando a ela uma bela paisagem e seus recursos naturais de excepcional beleza. Mas para que tudo isto possa ser visto no futuro é preciso a conscientização da comunidade, bem como parcerias entre empresários, ong’s e outros. É preciso também que seus gestores tenham vontade política para realizar projetos e investir no que for necessário para transformar os recursos naturais em recursos econômicos para a vila.
Diante do exposto, verifica-se que o turismo em Morro de São Paulo não atende ainda aos preceitos de turismo sustentável, divergindo-se da hipótese outrora exposta nesta pesquisa. Acredita-se que para a consecução do desenvolvimento sustentável na vila, deverão ser atendidos os objetivos de proteção e preservação ambiental, bem-estar e a melhoria da qualidade de vida da comunidade residente, a satisfação das necessidades e expectativas do turista e as integrações econômicas locais e regionais, levando-se em conta os pilares da sustentabilidade econômica, ambiental, social e cultural.

5. REFERÊNCIAS

ANDRADE, J. V. Turismo: Fundamentos e Dimensões. São Paulo: Ática. 1999.

BENI, M.C. Análise estrutural do turismo. 2º ed. São Paulo: SENAC, 1998.

CAIRO, Thiana de Souza. Origens dos alimentos e bebidas (A&B) para o abastecimento da rede hoteleira de Ilhéus. 2001. 77p. Monografia (conclusão de curso) - Faculdade de Ciências Econômicas.Universidade Estadual de Santa Cruz. Ilhéus.

CAVALCANTI, A. P. B. Desenvolvimento Sustentável e Planejamento: Bases teóricas e conceituais. Fortaleza: UFC-Imprensa Universitária, 1997.

CUNHA, L. Economia e Política do Turismo. Portugal: Mc-Grraw-Hill, 1997.

CMMAD – Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. “Nosso Futuro Comum”. 2º ed., Rio de Janeiro, FGV, 1991.

COUTINHO, S.F.S. SELVA, V.S.F Minicurso: Ecoturismo. In: 8º Congresso Nordestino de Ecologia. (RE) Pensando o Futuro. Ambiente XXI, Recife-PE, maio-junho, 1999.

__________.On-line. In: CENTRO DE RECURSOS AMBIENTAIS, disponível: www.cra.ba.gov.br capturado em 20 de out. 2002.

GOVERNO DO ESTADO DA BAHIA, Plano de Manejo: APA da ilhas de Tinharé e Boipeba, Centro de Recursos Ambientais.1998.

PETROCCHI, M. Turismo: planejamento e gestão. São Paulo: Futura, 1998.

RUSCHMANN, D.V.M. Turismo e planejamento sustentável: A proteção do meio ambiente. Campinas, São Paulo: Papirus, 1997.
TÔRRES, A.P. Capacidade de Carga Turística como fator de Sustentabilidade Ambiental – O caso da cidade de Itacaré - Ba. 2001. 50p. Monografia (conclusão de curso) Faculdade de Ciências Econômicas. Universidade Estadual de Santa Cruz.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Assunto: Confusão nas comunicações

Em uma certa empresa.....

DE: Diretor-Presidente
PARA: Gerente

Na próxima sexta-feira, aproximadamente às 17 horas, o cometa Halley estará nesta área . Trata-se de um evento que ocorre somente a cada 78 anos. Assim, por favor, reúnam os funcionários no pátio da fábrica, todos usando capacete de segurança, quando explicarei o fenômeno a eles. Se estiver chovendo, não poderemos ver o raro espetáculo a olho nu. Sendo assim, todos deverão se dirigir ao refeitório, onde será exibido um documentário sobre o cometa Halley.

DE: Gerente
PARA: Supervisor

Por ordem do diretor presidente, na sexta-feira, às 17 horas, o cometa Halley vai aparecer sobre a fábrica . Se chover, por favor, reúna os funcionários, todos com capacete de segurança, e os encaminhe ao refeitório, onde o raro fenômeno terá lugar, o que acontece a cada 78 anos a olho nu.

DE: Supervisor
PARA: Chefe de Produção

A convite do nosso querido diretor, o cientista Halley, 78 anos, vai aparecer nu no refeitório da fábrica, sexta-feira, às 17 horas, usando capacete, pois vai ser apresentado um filme sobre o problema da chuva na segurança . O diretor levará a demonstração para o pátio da fábrica.

DE: Chefe de produção
PARA: Mestre

Na sexta-feira, às 17 horas, o diretor, pela primeira vez em 78 anos, vai aparecer no refeitório da fábrica para filmar o Halley nu, o cientista famoso e sua equipe. Todo mundo deve estar lá de capacete, pois vai ser apresentado um show sobre a segurança na chuva. O diretor levará a banda para o pátio da fábrica.


DE: Mestre
PARA: Funcionário

Todo mundo nu, sem exceção, deve estar com os seguranças no pátio da fábrica, na próxima sexta-feira, às 17 horas, pois o manda-chuva (diretor) e o senhor Halley, guitarrista famoso, estarão lá para mostrar o raro filme Dançando na chuva. Caso comece a chover mesmo, é para ir para o refeitório de capacete na mesma hora. O show será lá, o que ocorre a cada 78 anos.

Aviso fixado no pátio:

Atenção todo mundo: na sexta-feira o presidente fará 78 anos e liberou geral para uma festança , às 17 horas, no refeitório. Vão estar lá Bill Halley e seus cometas. Todo mundo deve estar nu e de capacete, porque a banda é muito louca e o rock vai rolar solto no pátio, mesmo com chuva de segurança.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

FAZENDO UMA RESENHA

Resenha é um trabalho de síntese que revistas e jornais científicas publicam geralmente logo após a edição de uma obra, com o objetivo de divulgá-la. Não se trata de um simples resumo.

O resumo deve se limitar ao conteúdo do trabalho, sem qualquer julgamento de valor. Já a resenha vai além, resume a obra e faz uma avaliação sobre ela, apresentando suas linhas básicas, deve avaliá-la, mostrando seus pontos fortes e fracos.

A resenha pode ser de um ou mais capítulos, duma coleção ou mesmo dum filme. Apresenta falhas, lacunas e virtudes, explora o contexto histórico em que a obra fora elaborada e faz comparações com outros autores.

Conhecida como resumo crítico, a resenha só pode ser elaborada por alguém com conhecimentos na área, pois sua elaboração exige opinião formada, pois além de resumir, o resenhista avalia a obra, sustentando suas considerações, deve embasá-las seja com evidências extraídas da própria obra ou de outras de que se valeu para elaborar a resenha.

"Se o resumo do conteúdo da obra não está bem feito, o leitor que não a conhece encontrará dificuldades em acompanhar a análise crítica. Se, por outro lado, o recensor se limita a relatar o conteúdo, sem julgá-lo criticamente, ele estará escrevendo um resumo e não uma recensão crítica. Finalmente, se ele não sustenta ou ilustra seus julgamentos com dados extraídos da obra recenseada, ele não dá ao leitor a oportunidade de formar seus próprios julgamentos".

De uma boa resenha devem constar:

a referência bibliográfica da obra, preferencialmente seguindo a ABNT;

alguns dados biográficos relevantes do autor (titulação, vínculo acadêmico e outras obras, por exemplo);

o resumo da obra, ou síntese do conteúdo, destacando a área do conhecimento, o tema, as idéias principais e, opcionalmente, as partes ou capítulos em que se divide o trabalho. Deve-se deter no essencial, mostrando qual é o objetivo do autor, evitando recorrer a detalhes e exemplos, com máxima concisão. Este momento é mais informativo que crítico, embora a crítica já possa estar presente;

as categorias ou termos teóricos principais de que o autor se utiliza, precisando seu sentido, o que ajuda evidenciar seu approach teórico, situando-o no debate acadêmico e permitindo sua comparação com outros autores. Aqui não só se deve expor claramente como o autor conceitua ou define determinado termo teórico, mas já se deve introduzir críticas, seja à utilização ou à própria conceituação feita pelo autor [em uma resenha para revistas especializadas, esta parte pode ser dispensada, até por economia de espaço, mas é essencial em trabalhos de aula, em que o recensor é também aprendiz];

a avaliação crítica, nos termos já referidos anteriormente no item 1. Este é o ponto alto da resenha, onde o recensor mostra seu conhecimento, dialoga com o autor e/ou com leitor, dá-se ao direito de proceder a um julgamento. Há vários tipos de críticas, mas destacam-se: (a) a interna, quando se avalia o conteúdo da obra em si, a coerência diante de seus objetivos, se não apresenta falhas lógicas ou de conteúdo; e (b) a externa, quando se contextualiza o autor e a obra, inserindo-os em um quadro referencial mais amplo, seja histórico ou intelectual, mostrando sua contribuição diante de outros autores e sua originalidade.

Atualmente quase todas as revistas científicas trazem boas seções de resenhas. Sempre é aconselhável ir a uma biblioteca e consultar alguns destes periódicos para observar atentamente como os mais destacados profissionais e pesquisadores da área as elaboram.

Finalmente, deve-se lembrar que o recensor deve preocupar-se com a obra em sua totalidade, sem perder-se em detalhes e em passagens isoladas que podem distorcer idéias. Deve-se certamente apresentar e comentar pontos específicos, fortes ou fracos do trabalho, mas estes devem ser relevantes. Nada mais deplorável do que uma crítica vazia de conteúdo, sem base teórica ou empírica, que lembre preconceito. Ou elogios gratuitos, que podem parecer corporativismo ou "puxa-saquismo". (Prof. Dr. Pedro Cezar Dutra Fonseca)



Bibliografia:
FRANÇA, Júnia Lessa et alii. Manual para normalização de publicações técnico-científicas. Belo Horizonte, UFMG, 2000.
SILVA, Rebeca Peixoto da Silva et alii. Redação técnica. 2.ed. Porto Alegre, Formação, 1976.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Meio Ambiente

5 de fevereiro de 2010 16:13


MMA promoverá intensa mobilização social pela sustentabilidade
AIDA FEITOSA

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO DO MMA

As boas práticas implementadas pela Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental em 2009 serão ampliadas e terão prosseguimento em 2010. A campanha para o consumo consciente de sacolas plásticas “Saco é um Saco”, a I Conferência de Saúde Ambiental e a primeira edição do Prêmio A3P são destaques da atuação da secretaria no ano que passou. Segundo a secretária Samyra Crespo, para 2010 já estão agendadas uma campanha para o consumo consciente de eletroeletrônicos e lâmpadas, a I Conferência Internacional Infanto-Juvenil e a segunda edição do Prêmio A3P.
A Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental (Saic) é o setor do Ministério do Meio Ambiente que promove políticas públicas para o consumo consciente, a educação ambiental e a responsabilidade socioambiental. Um dos exemplos da atuação da Saic é o incentivo para que a população brasileira reduza o consumo de sacolas plásticas por meio de campanhas como a “Saco é um Saco”, que conta com a participação de diversos artistas e utilizou as mídias impressas e audiovisuais para levar às pessoas a mensagem de recusar, reduzir e reutilizar as sacolas plásticas que embalam os produtos do comércio em geral e, particularmente, dos supermercados.
“Só o Carrefour economizou 895 milhões de sacolas plásticas e o Wall Mart criou um caixa preferencial para os consumidores que não usam sacolas plásticas. Os estados e municípios também foram despertados para a importância de limitar seu uso.”, explica a secretária Samyra Crespo, destacando que a campanha prevista para 2010, que tratará de lâmpadas e eletroeletrônicos, vai esclarecer os perigos do mau uso desses itens, além de fornecer alternativas de descarte.
Para a educação ambiental, em 2009, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) ganhou uma nova instalação para o Centro de Informação e Documentação Ambiental (CID-Ambiental). Utilizando técnicas de construção sustentáveis, o novo centro amplia a possibilidade do grande público de ter acesso a um grande acervo de publicações que tratam da questão ambiental.
O MMA também apoiou o VI Fórum de educação ambiental, do qual participaram cerca de três mil educadores ambientais. E em parceria com o Ministério da Educação, o MMA realizou a III Conferência Infanto-Juvenil “Cuidar do planeta e das mudanças climáticas” com a participação de cinco mil delegados, o que mobilizou 36 mil escolas em todo o Brasil. Agora em julho de 2010 , os dois ministérios se unem novamente para realizar a I Conferencia Internacional Infanto-Juvenil de Meio Ambiente. Jovens de mais de 27 países vão se reunir em Brasília para discutir a sustentabilidade do mundo em que eles vão viver nos próximos anos.
Em 2010, serão comemorados os dez anos da lei que instituiu a educação ambiental no Brasil. Para comemorar a data, serão promovidas inúmeras ações educativas, dentre elas, a orientação dos agricultores para o uso de técnicas de agroecologia e para a organização e o uso das áreas destinadas à reserva legal e à proteção permanente.

Outro projeto é a criação de telecentros nas unidades de conservação. A expectativa é que para cada 140 unidades de conservação seja criado um telecentro que permita aos visitantes ter aulas de educação ambiental a distância e fazer críticas e sugestões por meio de uma ouvidoria virtual. Está prevista ainda a criação de um centro de dados para gerenciar as salas verdes que existem em todo o País.
Com o intuito de ampliar a responsabilidade socioambiental das políticas na área de saúde ambiental, foi realizada, em dezembro de 2009, a I Conferência Nacional de Saúde Ambiental, que reuniu esforços dos ministérios do Meio Ambiente, da Saúde e das Cidades.
Cerca de 50 mil pessoas participaram de todo o processo de construção da conferência, que chegou ao final com diversas propostas que serão incorporadas às políticas públicas do Governo Federal ainda em 2010.
Responsabilidade Socioambiental
A responsabilidade socioambiental na administração pública também foi destaque no ano passado com o lançamento do Prêmio A3P, que premiou as melhores práticas sustentáveis dos órgãos públicos que fazem parte da Agenda Ambiental da Administração Pública ( A3P). A adesão dos entes públicos ao programa é voluntária e, no último ano, mais do que dobrou.
Dos 44 termos assinados até 2008, houve, em 2009, um aumento para 91. A I Edição do prêmio teve quatro primeiros lugares: na categoria Eficiência Energética e Inovação na Gestão Pública, a Caixa Econômica Federal foi a grande premiada; nas categorias Uso Racional da Água e Gestão de Resíduos, as prefeituras de Rio Branco (AC) e Ubatuba (SP) foram, respectivamente, as ganhadoras dos primeiros lugares.
Além da segunda edição do Premio A3P, em 2010, a sustentabilidade na administração pública vai se estender por toda a Esplanada dos Ministérios. O Projeto Eficiência e Sustentabilidade na Esplanada, coordenado pelos ministérios do Planejamento, Orçamento e Gestão, de Minas e Energia e do Meio Ambiente, vai promover ações de eficiência energética, de separação do lixo para reciclagem, de redução do uso de copos plásticos e também obras para coleta da água das chuvas.
“O projeto prevê que toda a esplanada passe pela campanha ´De quem é a responsabilidade´, que o Ministério do Meio Ambiente implementou em 2009, internalizando os critérios de responsabilidade social na rotina do serviço público, tendo os servidores como parceiros da sustentabilidade do órgão”, explica a diretora de Cidadania Ambiental e Responsabilidade Social do MMA, Karla Matos.
Para conhecer mais de perto o trabalho das 600 Agendas 21 espalhadas pelo País, a Saic organizou, no último ano, uma pesquisa nacional. Foram 177 respostas espontâneas, e a conclusão é que até o momento a Agenda 21 é uma metodologia adotada, em sua grande maioria, por prefeituras e ONGs.
Daí a importância do primeiro encontro Agenda 21 e Empresas que vai ocorrer em 2010, reunindo empresários interessados em implementar os conceitos da Agenda 21 em suas empresas. A ideia é extrair um modelo de Agenda 21 que atualmente vem sendo implementado em grandes empresas, como a Petrobras, para posteriormente formatá-lo e divulgá-lo para outras empresas.

http://amarnatureza.org.br/site/mma-promovera-intensa-mobilizacao-social-pela-sustentabilidade,37645/

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

ORAÇÃO DA COMPETITIVIDADE" - XV ESMAD 2002

Oh! Deus iluminai-me
Nestes novos caminhos,
Você sempre junto,
Acerca-te ainda mais
É no teu encontro
É na tua parceria
Que vamos caminhar,
Fica comigo.
Quero vencer
Estes novos desafios.
Mas sei,
Com humildade,
Que são novas as formas.
Mais que crescer
Quero desenvolver,
Quero dividir,
Dai-me amor,
Eu darei energia.
Dai-me paz,
Eu darei força.
Dai-me emoção,
Eu darei razão.
Mestre!
Eu aceito,
Eu entrego,
Eu agradeço, eu confio
Mas eu trabalho.
Para ganhar
E para triunfar.
Vou ganhar
Na matéria,
Vou triunfar
No humano.
Serei soldado
Do mundo
Da humanidade,
Do universo.
Na minha empresa
Ou na empresa
Que é minha,
Ou em mim
Que sou empresa.
Serei inteligente
Flexível,
Maduro.
No emprego,
Na profissão
Na ocupação,
Seja lá onde for
Vou vencer!
Para a comunidade
Vou partilhar.
Vou dar um
Pedaço de mim,
Pedaço que sai,
Mas que retorna,
Que faz um "mim"
Muito maior.
Vou aprender,
Vou estudar,
Vou até desaprender.
Mais que tudo
Este é um obrigado: Pela empresa,
Que é sua dádiva
Que é divina
O meu canal,
A minha oportunidade
De melhorar este mundo.
Um grande obrigado
Pela vida.
Oh! Deus obrigado!
Por minha vida,
Hoje tão complexa
Amanhã, quem sabe
Mais simples,
Mas sempre abençoada.
Oh Deus obrigado!
Por ser tua criatura,
Por minha família,
Por meus filhos.
E por eles eu peço
Dai-me inteligência
Para ser cada vez mais
Um foco de amor.
Sim porque eu quero,
E vou conseguir,
Manter a mágica chama
De olhar,
Olhos nos olhos,
Do meu filho,
Da minha filha,
E transmitir paz,
E transmitir sabedoria,
Que eles tanto precisam.
Manter este fluxo vital,
Do amor de pai,
Do amor de mãe,
Orientando
E sendo orientado
Ensinando e
Aprendendo,
Criando nas lágrimas do amor,
A fonte mágica da vida.
Oh! Deus,
Eu amo a vida!
Eu apenas quero
E vou conseguir,
Continuar a amá-la
Eu apenas quero
E vou conseguir,
A cada manhã de sol
A cada manhã de chuva
Olhar para cima
E falar com você.
Aliás, falar bem alto,
Obrigado, meu Deus!
Eu amo esta vida.

ORAÇÃO DO ADMINISTRADOR...

Senhor, diante das organizações
devo ter CONSCIÊNCIA de minhas responsabilidades
como ADMINISTRADOR.
Reconheço minhas limitações, mas, humildemente,
junto com meus companheiros de trabalho busco o
consenso para alcançar a SOLUÇÃO e tornar o
trabalho menos penoso e mais produtivo;
Senhor, despido do egoísmo, quero crescer, fazendo
crescer, também, os que me cercam e que são a razão
de minha escolha profissional;
Senhor, ADMINISTRE o meu coração para que ele
siga o caminho do bem, pois, a mim caberá
realizar obras sadias para tornar as organizações
cada vez melhores e mais humanas."

Adm. Rui Ribeiro de Araújo
CRA/DF nº 2285

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Empresa socialmente responsável

Será possível no início deste novo século conceber e desenvolver uma empresa
ética e socialmente responsável?

No decurso da historia e especialmente nestes dias, graças à extraordinária popularizaçãodos meios de comunicação, fala-se sobre muitos termos – ética, responsabilidade social,liberdade, justiça e tantos outros – em muitos âmbitos, sem especial cuidado de entender,ou aprofundar, seu significado. Parece claro que se por um lado temos um aspecto positivo na própria discussão, por outro, incorremos no risco de banalizar até tal ponto os conceitos,que eles deixam de ter sentido e se convertem em palavras de ordem ou “chavões” de grupos. O risco é ainda maior quando compreendemos que todos os termos acima citadosimplicam escolha, posição pessoal, e que estas sempre tem conseqüências, sejam pessoais ou coletivas.
“Ethos”, palavra de origem grega, nos proporciona a idéia de ‘habitat’, morada, e também, habito, costume. Dela derivamos um adjetivo: ‘ético’, ao qual freqüentemente atribuímos como sinônimo o termo ‘moral’, e disto passamos, pelo direito romano, a ‘normas de conduta’ ou princípios que regem uma sociedade ou grupo determinado.
Mas qual é, na origem, o sentido de “ethos”? Aristóteles começa a “Ética a Nicômaco”
definindo que o objeto de um ato ético é o bem, quando escreve: “Admite-se geralmente
que toda arte e toda investigação, assim como toda ação e toda escolha, têm em mira um bem qualquer; e por isso foi dito, como muito acerto, que o bem é aquilo a que todas as coisas tendem” 1. Sem mergulhar na infindável riqueza da discussão, que durante os últimos 25 séculos, originou esta afirmação por meio de incalculáveis tratados e teorias, e, rejeitando a acusação de ingênua – no relacionado com ‘o bem’ -, ou como por demais otimista, no seu aspecto global, proponho vejamos sua aplicação no campo empresarial. A organização empresarial é, sem dúvida, um dos maiores senão o maior, agente transformador da sociedade. Vivemos em uma mudança de época, com profundas e irreversíveis influências motivadas pela “cybernetização” da sociedade onde a empresa está inserida, mudando os médios de produção, gerenciamento e a relação com a sociedade.
Não resulta simples nos dirigir a grandes corporações ou a microempresas com a mesma
linguagem ou o mesmo instrumental. Empresas que trabalham no âmbito dos serviços têm
características próprias e diferentes às industriais ou financeiras; em resumo: assim como cada ser é uma individualidade específica e indivisível, também as empresas têm “personalidade” própria, uma identidade. Assim como todos temos uma percepção com respeito ao ‘outro’, assim como todos temos uma noção da ‘alteridade’, assim também – e cada vez com maior freqüência – buscamos identificar, definir, conhecer a ‘identidade’ das empresas que estão no mercado com as quais, necessariamente, interagimos. Para identificar um ponto de partida na elaboração da resposta ao título deste artigo, e, tentando conceituar que significa uma empresa ética e socialmente responsável, gostaria partir de uma afirmação de Milton Friedman, premio Nobel de economia, pensador da Escola de Chicago no inicio dos anos 70: “Se homens de negócios têm outra responsabilidade social que não a de obter o máximo de lucro para seus acionistas, como poderão saber qual seria ela? Podem os indivíduos decidir o que constitui o interesse
social?”

2.
Atrevo-me a responder as perguntas acima e, a concordar com seu autor, se puder
identificar as formas por meio das quais os “homens de negócios” obtêm “o máximo de
lucro...”. Vejamos isto em termos práticos, através de como esta analise possa afetar os “stakeholders”, isto é, os agentes e ambientes que têm vínculos com a empresa em
questão. 1 ARISTOTELES. “Ética a Nicômaco” Trad. L. Vallandro e G. Bornheim da Versão inglesa de W.D. Ross. São Paulo, 1979, Abril Cultural. Coleção “Os pensadores”. 2 FRIEDMAN, Milton. “The social Responsability of Business is to Increase Profit” New York, 1970. New
York Times Magazine, 13 de setembro de 1970. Vide também “Capitalismo e Liberdade”. 1984. São
Paulo. Abril Cultural, Coleção ‘Os Economistas’, p. 123. Artigo 1.doc 2
Vejamos como cada uma dessas relações implica, sempre, uma escolha a fazer, o por que
adotamos um caminho ou outro, como em função de uma escolha consideramos os
interesses ou os valores de cada um desses agentes, como cuidamos do futuro ou a
perenidade da empresa, em última instancia, qual visão estratégica que temos para criar a nossa ‘identidade’ empresarial.
Meio ambiente: depredamos a natureza da qual tiramos os insumos para nossa produção?
Descuidamos os resíduos químicos e/ou poluentes industriais que geramos? Ou, investimos o necessário para cuidar dos recursos naturais? Cuidando desse meio e assegurando seu usufruto sustentável no longo prazo.
Estrutura jurídica, tributária e legal do Estado: Aproveita-se do ‘jogo do poder’ em beneficio do interesse próprio, ou a sobrevivência? Sonegamos impostos, taxas e tributos alegando o ‘injusto’ de sua carga, e/ou as dúvidas de sua aplicação? Ou, cumprimos com as obrigações, ainda que não estejamos totalmente de acordo? Utilizando sim, os meios
representativos e institucionais para mudar a situação.
Agentes da Comunidade organizada: Desconhecendo a necessidade do entorno? Proibindo a
participação de voluntários nos trabalhos dessas comunidades? Ou, atendendo conforme
possibilidades e prioridades alguns projetos? Permitindo a participação do voluntariado e
outras formas institucionais de participação?
Clientes: crescendo por meio de publicidade enganosa? Descuidando da qualidade?
Ganhando mercado através de subornos ou “gratificações” irregulares? Ou, Cumprindo com
as especificações contratadas e prometidas? Não utilizando nenhuma forma ilegal ou contra
a dignidade da pessoa ou empresas? Fornecendo sempre claras informações?
Fornecedores: extorquindo? Usando todo o peso do poder econômico? Utilizando-se de
informação reservada? Ou, Otimizando a cadeia de valor? Buscando parcerias de longo
prazo?
Investidores e/ou acionistas: Fraudes em balanços econômicos e contáveis? Falta de
transparência nas informações? Ou, Informando com responsabilidade em qualquer caso?
Dedicando o tempo necessário para dar a conhecer a situação empresarial?
Colaboradores e funcionários: Falta de comunicação proposital? Estilo “manda quem pode,
obedece quem tem juízo?” Discriminado por qualquer tipo de minoria ou diferencias? Ou,
Propiciando uma verdadeira gestão participativa? Aceitando as diferencias? Promovendo
talentos?
Poder-se-ia ampliar em muito as perguntas, assim como adicionar outros “stakeholders”,
entretanto já e suficiente para saber qual o tipo de identidade da empresa em questão
conforme as respostas sejam antes ou depois do “ou”. Esta visão global tem implicações
muito importantes desde o ponto de vista da alta administração: (i) exige integrar a ética e
“o social” no planejamento estratégico integrado da Organização; (ii) define uma nova
dimensão da Direção Executiva e / ou Conselho de Administração; (iii) pressupõe uma real
gestão participativa; (iv) resgata a primazia do homem versus a coisa; (v) consolida a identidade empresarial e impõe coerência a seus administradores.
Este processo também é cada dia mais maduro e consciente na sociedade, e o próprio
mercado avalia as atitudes empresariais até o limite de condenar ao desaparecimento as organizações que pactuam com praticas não éticas.
Em conclusão podemos afirmar que não somente é possível conceber e desenvolver
empresas ética e socialmente responsáveis, mas, estou totalmente seguro, são as únicasque sobreviveram no fim deste século que tivemos o privilegio de começar.
Depois das perguntas acima formuladas não parece muito difícil identificar “o bem” ao qualse referia Aristóteles, talvez seja oportuno voltar a lê-lo.
Alberto Augusto Perazzo. Economista pela UNBA, Membro do Conselho de Administração de
diversas companhias na área de Tecnologia da Informação. Presidente Executivo da
Fundação Instituto Desenvolvimento Empresarial e Social – FIDES -, Membro do FRH,
Fórum Permanente de Estudos Avançados das Relações Humanas no Trabalho.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Futura ISO 26000

Minuta da ISO 26000


A ISO 26000 será a norma internacional de Responsabilidade Social e está prevista para ser concluída em 2010. O Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO (ISO/TMB WG) – responsável pela elaboração da ISO 26000 - é liderado em conjunto pelo Instituto Sueco de Normalização (SIS - Swedish Standards Institute) e pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Assim, em decisão histórica o Brasil, juntamente com a Suécia, passou a presidir de maneira compartilhada o grupo de trabalho que está construindo a norma internacional de Responsabilidade Social.




O desenvolvimento desta norma tem também sido inovador, um processo multistakeholder. O Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO (ISO/TMB WG) é constituído por mais de 360 experts e observadores de mais de 60 países. Os experts e observadores participam do processo de construção da ISO 26000 de duas formas – por meio de delegações nacionais ou das chamadas organizações D-liaison. As delegações nacionais são compostas pelas seguintes categorias ou partes interessadas (stakeholders) da sociedade:


• Trabalhadores;
• Consumidores;
• Indústria;
• Governo;

• ONG’s; organizações não governamentais
• Serviço, suporte e outros.



Esta última categoria engloba consultores, academia, etc. Já as organizações D-liaison são relevantes organizações internacionais ou regionais com importante atuação nos temas relativos à RS como, por exemplo: Organização Internacional do Trabalho, Global Reporting Initiative, Organização Mundial da Saúde, Consumers International, UN-Global Compact (Pacto Global da ONU);



Organization for Economic Co-operation and Development (OCDE) entre outros. Do Brasil, o Instituto Ethos de Responsabilidade Social tem participado como organização D-liaison pela Rede Interamericana de Responsabilidade Social.


O ISO/TMB WG realizou, até o presente momento, cinco reuniões que definiram as principais resoluções a respeito da ISO 26000. Seguem abaixo as principais características desta norma:


• será uma norma de diretrizes, sem propósito de certificação;
• não terá caráter de sistema de gestão;
• não reduzirá a autoridade governamental;
• será aplicável a qualquer tipo e porte de organização (empresas, governo, organizações não governamentais, etc);
• será construída com base em iniciativas já existentes (não será conflitante com tratados e convenções existentes);
• enfatizará os resultados e melhoria de desempenho;
• prescreverá maneiras de se implementar a Responsabilidade Social nas organizações;
• promoverá a sensibilização para a Responsabilidade Social;



Embora ainda em processo de construção podendo, portanto, sofrer alterações, podemos dizer que a ISO 26000 abordará como temas centrais da RS, as seguintes questões:



• Organizational Governance - Governança Organizacional
• Human rights - Direitos Humanos
• Labour practices - Práticas do Trabalho
• The environment - Meio ambiente
• Fair Operating Pratices - Práticas Leais(justas) de Operação
• Consumers issues - Questões do Consumidor
• Community involvement and development – Envolvimento e Desenvolvimento da Comunidade




Além disso, pode-se aferir que as organizações que quiserem ter um comportamento socialmente responsável deverão:



• ser responsáveis pelos impactos de suas decisões e atividades na sociedade e no meio ambiente;
• contribuir com o desenvolvimento sustentável, a saúde e bem estar da sociedade;
• considerar as expectativas dos seus stakeholders ;
• ter um comportamento ético e transparente;
• estar de acordo com as normas internacionais de comportamento.



Para saber mais consulte:



www.iso.org/sr
www.ethos.org.br
www.abnt.org.br
www.ethos.org.br/gtethosiso26000


fonte.Inmetro

Uma das primeiras notícias da ISO 26000

ISO 26000 - A norma internacional de responsabilidade social


Fernando Credidio

Nunca, como nos últimos tempos, se falou tanto em desenvolvimento sustentável e
responsabilidade social. Por essa razão, considerei oportuno abordar um assunto diretamente relacionado a essa temática tão atual e instigante que, a cada dia, tem despertado mais atenção e interesse por parte das organizações: a futura ISO 26000. Trata-se de uma norma de diretrizes com todos os predicados para se transformar em um dos principais guias para as organizações no
tocante a práticas de gestão social e ambientalmente responsável.
Iso é um prefixo grego que significa igual e é, também, a sigla da International Organization for
Standardization, uma organização não-governamental internacional de padronização, formada por representantes de mais de 150 países, que, atualmente, entre outras finalidades, tem como objetivo estabelecer o padrão mundial para a implementação de diretrizes direcionadas à responsabilidade socioambiental. Criada em 1946 e com sede em Genebra, Suíça, a ISO elabora e
difunde normas internacionais em todos os domínios de atividades – exceto no campo eletroeletrônico, que é de responsabilidade da International Eletrotechnical Commission (IEC) –, por meio da cooperação no âmbito intelectual, científico, tecnológico e de atividade econômica, com a intenção de facilitar o intercâmbio internacional de produtos e serviços.

Histórico
A ISO 26000, prevista para ser publicada em 2008, será a terceira geração de normas ISO, uma vez que já vigoram os sistemas de gestão da qualidade (ISO 9000) e o de gestão ambiental (ISO 14000), adotadas por mais de 600 mil organizações em todo o mundo. Contudo, diferentemente destas, a ISO 26000 não será uma norma para certificação, ou seja, ela servirá apenas como um guia de diretrizes e não como base para obtenção de selos e certificados de responsabilidade socioambiental pelas empresas e outras organizações. Felizmente!
A decisão da ISO foi elaborar uma norma de diretrizes em responsabilidade social dirigida para todos os tipos de rganização. Essa determinação tem gerado um debate constante sobre o tratamento que será dado às empresas, pois há um temor de que a formulação das diretrizes, por se dirigir a organizações em geral, perca o significado concreto para a conduta das corporações.
A norma trará orientações sobre o processo de incorporação da responsabilidade social e ambiental às atividades de uma organização, além de indicações sobre os principais instrumentos, sistemas e entidades que, atualmente, tratam do tema, visando orientar as organizações de todos os tipos e tamanhos sobre os cuidados e princípios que devem ser
seguidos por quem, um dia, desejar se tornar socialmente responsável.
Nesse sentido, com a publicação da ISO 26000, espera-se que a tênue linha que separa o discurso corporativo ocialmente responsável das verdadeiras políticas e práticas empresariais ganhe contornos mais acentuados, servindo as diretrizes como parâmetro para a sociedade medir a verdadeira atuação socioambiental das empresas, uma vez que um dos principais objetivos da norma será o de
estabelecer um entendimento comum sobre o que de fato significa responsabilidade social, a fim de que as iniciativas duvidosas sobre o assunto possam ser claramente resolvidas.

Composição
A ISO 26000 abrangerá três tipos de princípios. No primeiro, denominado Gerais, se aplicam todas as circunstâncias, como por exemplo, respeito à lei, a convenções e a declarações reconhecidas internacionalmente. Os princípios
que fazem parte do segundo critério, chamados Substantivos, são voltados a resultados e avanço de critérios internacionalmente reconhecidos nas diversas áreas da responsabilidade social. Por fim, os ditos Operacionais dizem respeito à natureza e qualidade do processo, englobando inclusividade, accountability, transparência, materialidade e responsabilidade, entre outros aspectos.
O processo tem envolvido representantes dos mais variados países, organizações da sociedade civil e grupos sociais. O Grupo de Trabalho de Responsabilidade Social da ISO, responsável pela coordenação mundial dos trabalhos, está sendo liderado, pela primeira vez, em conjunto por entidades normalizadoras de um país
industrializado, o Instituto Sueco de Normalização (ou Swedish Standards Institute – SIS), e de um país “em desenvolvimento”, a Associação
Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que foi a vencedora dentre cinco outras candidaturas apresentadas. Vale dizer que o Brasil tem dado contribuições importantes para a elaboração da futura diretriz internacional de esponsabilidade social. Para muitos especialistas, inclusive, o Grupo de Trabalho liderado pelo Brasil e pela Suécia tornou-se o principal fórum global de discussões multissetoriais sobre responsabilidade corporativa.
Sem o glamour dos anos 90 e resvalando para a banalização, devido à enxurrada de certificações,principalmente na China, é certo que a ISO ainda goza de relativa credibilidade em todo o planeta.
Um fator importante para que esse estado se mantenha é que, a cada dia, as normas se renovam e passam a englobar outros conceitos, a exemplo da responsabilidade social. Por isso, tudo leva a crer que a futura ISO 26000 dará novo impulso às políticas e práticas de responsabilidade social no Brasil e no mundo, estimulando processos de mudanças de comportamento em todos os níveis da sociedade e, em especial, demonstrando às empresas que é possível aliar desenvolvimento sustentável com a manutenção do lucro. Afinal, como bem define o ecologista Francisco Milanez, “ganhar dinheiro sem sustentabilidade não é negócio”.
CREDIDIO, Fernando. ISO 26000 - A norma internacional de responsabilidade social. Revista
Filantropia – OnLine, n. 91. Mensagem recebida por: em 22 fev. 2007.
Fernando Credidio. Palestrante, articulista,
gestor e
consultor organizacional em Terceiro Setor,
sustentabilidade e responsabilidade social empresarial

Por que você merece reconhecimento?

João trabalhava em uma empresa há muitos anos.
Funcionário sério, dedicado, cumpridor de suas obrigações e, por isso mesmo, já com seus 20 anos de casa.
Um belo dia, ele procura o dono da empresa para fazer uma reclamação:
- Patrão, tenho trabalhado durante estes 20 anos em sua empresa com toda a dedicação, só que me sinto um tanto injustiçado. O Juca, que está conosco há somente três anos, está ganhando mais do que eu.
O patrão escutou atentamente e disse:
- João, foi muito bom você vir aqui. Antes de tocarmos nesse assunto, tenho um problema para resolver e gostaria da sua ajuda. Estou querendo dar frutas como sobremesa ao nosso pessoal após o almoço. Aqui na esquina tem uma quitanda. Por favor, vá até lá e verifique se eles têm abacaxi.
João, meio sem jeito, saiu da sala e foi cumprir a missão.
Em cinco minutos estava de volta.
- E aí, João?
- Verifiquei como o senhor mandou. O moço tem abacaxi.
- E quanto custa?
- Isso eu não perguntei, não.
- Eles têm quantidade suficiente para atender a todos os funcionários?
- Também não perguntei isso, não.
- Há alguma outra fruta que possa substituir o abacaxi?
- Não sei, não...
- Muito bem, João. Sente-se ali naquela cadeira e me aguarde um pouco.
O patrão pegou o telefone e mandou chamar o Juca.
Deu a ele a mesma orientação que dera a João:
- Juca, estou querendo dar frutas como sobremesa ao nosso pessoal após o almoço. Aqui na esquina tem uma quitanda. Vá até lá e verifique se eles têm abacaxi, por favor.
Em oito minutos o Juca voltou.
- E então? - indagou o patrão.
- Eles têm abacaxi, sim, e em quantidade suficiente para todo o nosso pessoal; e se o senhor preferir, tem também laranja, banana e mamão. O abacaxi é vendido a R$1,50 cada; a banana e o mamão a R$1,00 o quilo; o melão R$ 1,20 a unidade e a laranja a R$ 20,00 o cento, já descascado. Mas como eu disse que a compra seria em grande quantidade, eles darão um desconto de 15%. Aí aproveitei e já deixei reservado. Conforme o senhor decidir, volto lá e confirmo - explicou Juca.
Agradecendo as informações, o patrão dispensou-o.
Voltou-se para o João, que permanecia sentado ao lado, e perguntou-lhe:
- João, o que foi mesmo que você estava me dizendo?
- Nada sério, não, patrão. Esqueça. Com licença.
E o João deixou a sala...

Tem muita gente assim. Acomodada, que não faz absolutamente nada além do que foi estritamente pedido ou solicitado. Não tem criatividade, iniciativa, vontade de vencer obstáculos, sobressair-se.

São pessoas que acham "que já fazem demais" e sentem-se os eternos injustiçados. Não fique vegetando no seu trabalho, não deixe que o mofo crie moradia.

Num mercado competitivo como o do mundo atual, quem for melhor, quem se esforçar mais, quem se interessar realmente pelo que faz, é óbvio, que vai galgar postos no ambiente de trabalho. Não se restrinja, não se limite, amplie seus horizontes. Só assim você vai se destacar e ter sucesso na sua vida profissional.

:: Responsabilidade social corporativa e sustentabilidade: longevidade à empresa cidadã ::

Editoria: Paula Sarcinella Data: 3/1/2003

Por Sergio de Albuquerque e Mello

A maioridade está chegando para as grandes empresas transnacionais. A sociedade global acena com uma exigência inadiável, tal qual um adolescente posto diante das responsabilidades da vida adulta.

Imaginemos um velho mestre postulando ao seu discípulo traquinas, como a lançar o desafio do ritual de passagem: “se queres sustentar-te na vida com saúde e por longo tempo, serás diligente e prestarás conta plenamente de teus atos a quem te serve, a quem por ti é servido e a teus pares”.

Cobra-se hoje das empresas uma atitude correspondente ao conceito da “Cidadania Corporativa Global”, que envolve ao mesmo tempo a sustentabilidade e a responsabilidade social, de fato totalmente indissociáveis.

Não se deve pensar em sustentabilidade como algo restrito ao meio ambiente, assim como responsabilidade social não se limita a ações ou investimentos em projetos sociais. Os dois conceitos estão intrinsecamente ligados. Uma empresa que pretenda perenizar seu negócio deverá adotar uma estratégia que contemple o que os ingleses chamam de “triple bottom line”, ou seja, gerar valor nas dimensões econômica, ambiental e social.

Da mesma forma, responsabilidade social corporativa significa entender e agir em resposta a essa nova demanda da sociedade que é a de que o valor gerado por uma empresa se reflita em benefícios não somente para seus acionistas, mas que tenha também um impacto positivo para o conjunto dos afetados por suas operações, em particular o meio ambiente e a comunidade (seus próprios funcionários e o restante da sociedade), respeitando sua cultura e agindo de forma ética e transparente.

Aqui é necessário fazer a distinção entre o que pretende e pode alcançar uma empresa e o que foi definido com “desenvolvimento sustentável” pelo Relatório Brundtland, que cunhou a seguinte definição: “desenvolvimento sustentável é atender as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades”.

Essa é uma aspiração do conjunto da humanidade. As empresas participam desse processo buscando a sua própria sustentabilidade. Pela relação intrínseca entre os dois conceitos, podemos intuir que as empresas que buscam a sustentabilidade de seus negócios passarão necessariamente por um projeto de responsabilidade social corporativa.

Por que um projeto? Que não se tenha a ilusão de empreender uma tal mudança na cultura da empresa sem um projeto profissionalmente planejado e fortemente estruturado. Grandes questões têm que ser levantadas e debatidas e as mudanças identificadas estabelecidas em conformidade com a visão e metas derivadas desse processo.

Assim, passam a coexistir com as preocupações anteriormente focadas apenas no desempenho econômico fatores como a conduta ética nos negócios e nas suas relações com as partes interessadas, o processo de comunicação com estas partes, as dimensões ambientais e sociais que passam a integrar a disciplina do negócio na sua cadeia de valor e a elaboração de balanços ditos “sociais” ou de “sustentabilidade”.

O diálogo com as partes interessadas exige estrutura e método, pois envolve consumidores, comunidades, sindicatos, autoridades reguladoras, organizações não governamentais, organismos financiadores e mesmo os concorrentes.

Nada disso é novidade nem há o risco de que se trate de uma nova moda, pois já há um razoável consenso de que essa tendência é inexorável. Extraordinário é o vigor com o qual as empresas estão sendo naturalmente impelidas a adotar essas posturas, assim como o grau de profissionalismo que já pode ser observado na implantação das ferramentas e modificações organizacionais necessárias para que tais mudanças sejam efetivas.

As empresas brasileiras têm todo interesse em aprender esse novo idioma de negócios e alcançar o mais rapidamente possível essa “maioridade”. Sem isso, terão crescentes dificuldades em um mercado global cada vez mais sofisticado e seletivo.


Sérgio de Albuquerque e Mello é o diretor geral do Grupo Bureau Veritas para o Brasil, que atua na área de gestão ambiental e responsabilidade social.