Inclusão Jurídica
Na definição de Kotler (2000, p. 16), “marketing é o processo social e gerencial por meio do qual indivíduos e grupos obtêm aquilo de que necessitam e desejam”.
Para Cobra (1993), algumas pessoas relacionam marketing apenas com propaganda ou venda. Ainda, segundo o autor, o marketing é mais do que propaganda ou venda simplesmente. O marketing, ao integrar forças para colocar o produto certo no local certo, é mais do que um exercício de negociação entre produtores e distribuidores.
O bom marketing pretende facilitar a obtenção de vendas lucrativas, enquanto o mau torna-as impossíveis. McDonald e Pietri (1996) afirmam que é vantagem para as empresas terem conhecimento das necessidades de seus clientes, pois esta seria a chave para o sucesso da gestão do marketing.
Segundo Las Casas (2001, p. 14), “marketing é o desempenho das atividades comerciais que dirigem o fluxo de bens e serviços do produtor ao consumidor ou usuário” :
O marketing é relevante tanto para os mercados industriais como para os de consumo final; tanto para os de indústrias de serviços como para os de indústrias de bens; tanto para pequenas como para grandes empresas; tanto para empresas que não visam ao lucro como para aquelas que o visam; e tanto para compradores como para vendedores. (KOTLER, 2000, p. 45).
2.2 Satisfação do Cliente
De acordo com Boone e Kurtz (1998), qualidade descreve o grau de excelência ou superioridade de mercadorias e serviços de uma empresa. É um termo abrangente que envolve, simultaneamente, características tangíveis e intangíveis de uma mercadoria ou serviço, em sentido técnico qualidade pode referir-se a aspectos físicos, como durabilidade e segurança, incluindo também o componente intangível da satisfação dos clientes, a capacidade de uma mercadoria ou serviço de atender ou exceder as necessidades e expectativas do comprador.
Sustentabilidade e desenvolvimento sustentável
O princípio de sustentabililidade planetária envolve a eclipse social para o meio ambiente. Eclipse social significa esconder o desenvolvimento sustentável. Cada um deve fazer a sua parte.
quinta-feira, 28 de julho de 2011
quarta-feira, 13 de julho de 2011
O empreendedorismo na hotelaria: parte de excelência da empregabilidade e da adaptabilidade do turismólogo no mercado de trabalho
GEP – GRESTUR-CENECISTA
Grupo de Estudos do Turismo da FCSL
Organização e supervisão:
Profa. Msc. Silvânia Mendonça Almeida Margarida
Resumo
Este trabalho versa sobre o empreendedorismo no turismo, como capacidade de inovar, assumir riscos em trabalhos de equipe, como estados de arte em qualquer organização. O empreendedorismo é a capacidade de inovar-se, de correr riscos e gerar riquezas através da adaptabilidade ao mercado e a empregabilidade. No segmento da hotelaria, o empreendedorismo demonstra a importância do trabalho como fonte de auto-realização, o esforço e a criatividade inerente aos atores sociais dos empreendimentos hoteleiros.
Descritores: empreendedorismo, criatividade, turismo, adaptabilidade, empregabilidade, motivação.
Abstract
Entrepreneurship is the keyword to achieve the state-of-the-art in any organization. In Hotels as of ally other activities. As a capacity to innovate, to take risk and generate wealth. It must support the business needs and customer satisfaction. The hotel business, as an example, results the adequation of human and material resources in the market work, which will directly impact the level of customer satisfaction. We here try to demonstrate how work can be a source of self-accomplishment, creativity, motivation and effectiveness found in the social actors. These things are basely the success from hotel entrepreneurship.
Describers: entrepreneurship, Hotel business, tourism, creativity, effectiveness, adaptability, motivation.
1. INTRODUÇÃO
Empreendedorismo, trabalho em equipe, valorização profissional. Nunca essas palavras estiveram tão em foco dentro das empresas e organizações de trabalho como hoje. Invadiram os recursos humanos e se tornaram, inclusive, pauta para planos de ação que visa a aumentar os resultados geradores de microempresas, empresas de médio porte, macroempresas e o aumento tenaz da empregabilidade, otimizando assim todos os recursos existentes nos mais diversificados setores da economia. A economia, enquanto ciência das escolhas e decisões, é uma ciência de natureza prospectiva, que procede estabelecendo hipóteses alternativas sobre preferências futuras de consumidores e processos de produção, em contexto de incerteza e de risco. Como a incerteza associada ao futuro é muito vasta, nem todas as abstrações hipotéticas alternativas podem ser consideradas. É necessário, usar procedimentos heurísticos e empreendedores que diminuam o vasto campo do possível, reduzindo-o às conjeturas logicamente plausíveis. O empreendedorismo é contingente, supõe certeza e continuidade, traz uma era de convergência e de discursividade, concerne as práticas gestoras dos negócios; e, na maioria das vezes, torna-se um coadjuvante e uma inserção de esperança, para indivíduos encadeados nos atuais aspectos organizacionais, na comunicação dentro de empresas e no próprio mercado de trabalho globalizado.
Ser empreendedor , para FERNANDO DOLABELLA, (1999, p.180-181) significa ter, acima de tudo, a necessidade de realizar coisas novas, pôr em prática idéias próprias, característica de personalidade e comportamento que nem sempre é fácil de se encontrar. Psicologicamente, as pessoas podem se divididas em dois grandes grupos, de acordo com DAVID MCCLELLAND (apud DOLABELLA, 1999, p. 190): uma minoria que, quando desafiada por uma oportunidade, está disposta a conseguir algo, e uma maioria que, na realidade, não se importa tanto assim. As pessoas que têm necessidade de realizar se destacam porque, independente de suas atividades, fazem com que as coisas aconteçam.
BERNARD SHAW é muito feliz ao descrever o inconformismo com o “status quo” daqueles que têm grande necessidade de realizar. De acordo com ele: “O homem adapta-se ao mundo, irracional tenta adaptar o mundo a si. Portanto, todo progresso depende do homem irracional”. (apud, DOLABELLA, 1999, p. 45).
1.2. A ADAPTABILIDADE DO EMPREENDEDORISMO NO BRASIL
Parece que finalmente o futuro chegou ao Brasil. Houve uma geração inteira de brasileiros esperando o milagre econômico prometido pelos líderes políticos, o qual nunca chegava. Com a entrada da década de 90, ao que tudo indica, caminhamos mais por força de uma conjuntura econômica mundial globalizada, do que por vontade política de nossos líderes. O capitalismo vem se moldando ao longo do tempo, sofrendo profundas transformações conjunturais e definindo novos paradigmas produtivos. Antes havia confronto entre capital e trabalho; hoje, despontam-se o empreendedorismo, a administração participativa, a necessidade de envolvimento da mão-de-obra na implantação de novas técnicas produtivas. Antes havia a pressão por altas barreiras alfandegárias, limitando a concorrência e, conseqüentemente, administrando os preços em função das margens de lucro desejadas; hoje, há a necessidade de se atingir maior número de mercados. Há a busca dos insumos como na colocação de vários produtos. Ao se diluírem custos fixos com aumento da produção e venda, rompem-se as fronteiras físicas dos países, indo buscar o consumidor onde ele estiver, forçando a concorrência entre empresas e gerando um preço de mercado para os produtos ou serviços, ao qual as empresas devem adaptar suas estruturas de custos ou sair do mercado. Antes havia decisões localizadas, específicas para cada mercado; hoje, no mundo empreendedor dos negócios e em sua gestão, há o intercâmbio de informações e globalização de produtos e consumidores, fazendo com que um mesmo produto seja desejado e consumido nos EUA, na Índia e no Brasil. E assim caminha a humanidade. No entanto, muito será necessário estudar. Empreendedorismo, antes de tudo, é estudo.
1.2. O EMPREENDEDOR EM AÇÃO
A proposta educacional do Turismo é formar empreendedores, ou seja, profissionais eficazes, ágeis e criativos, capazes de gerir suas próprias oportunidades de trabalho, quer conseguindo um bom emprego e construindo uma carreira de sucesso, quer montando seu próprio negócio. A ação do Bacharel em Turismo como empreendedor requer, além de uma visão macro do setor, capacidade para: realizar pesquisas, análises, diagnósticos e proposições de mudanças na administração estratégica; elaborar planos de marketing para o desenvolvimento e crescimento com qualidade no mercado; compatibilizar as necessidades do mercado, seus entraves econômicos, políticos e sociais e as tendências internacionais; enfrentar desafios, criando condições para lidar com a competitividade acirrada, bem como acompanhar e adequar o desenvolvimento tecnológico às exigências crescentes do consumidor quanto a produtos e serviços personalizados.
2. O MERCADO DOS EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS
O setor turístico como atividade socioeconômica, cultural e de lazer, envolve uma série diversa de áreas operacionais, cada uma das quais gera variadas atividades subseqüentes de índole social, cultural, econômica e recreativa. A palavra-chave do profissional do futuro é adaptabilidade empreendedora. O profissional de turismo deverá, pois, ter condições de se adaptar a estilos e métodos de trabalho dentro dos mais diversos contextos econômicos e geoespaciais, compreendendo hábitos de consumo, costumes e gostos das diferentes nacionalidades e tipos de turistas. Deve ter, portanto, uma visão georeferenciada da atividade turística. Outro aspecto importante corresponde às expectativas dos clientes, muitas vezes com parâmetros internacionais de qualidade de atendimento, devendo o profissional desenvolver ações rápidas de planejamento e oferta de bons serviços. Novas tecnologias, novos canais de comercialização, novos hábitos de compras, surgem numa grande velocidade, devendo o profissional ter domínio sobre esse instrumental.
As empresas prestadoras de serviços turísticos caracterizam-se por intensa e freqüente utilização de serviços de terceiros, processo que demanda apurada avaliação, para manutenção de padrões mínimos de qualidade exigidos pelo mercado, vital ao sucesso e longevidade do empreendimento projetado. Num empreendimento de hospedagem, por exemplo, a disponibilidade próxima de negócio de apoio – lavanderia – garante a oferta de serviço adicional ao hóspede, desde que sejam observados prazos de entrega, padrões básicos de lavação e apresentação do produto, de modo a garantir a satisfação do usuário. Num empreendimento de organização de viagens, a disponibilidade paralela de empresas e/ou prestadores de serviços de traslados e passeios terrestres possibilitará a operação de serviços receptivos. Num empreendimento voltado à organização de eventos, a disponibilidade de negócios para montagem de feiras, decoração de ambientes, aluguel de veículos, programação visual, entre outros, alarga as possibilidades de renda empresarial.
3. A DEFINIÇÃO DO SETOR DE HOSPEDAGEM
Para COOPER et alli (2001, p. 353), os hotéis são, sem dúvida, o subsetor mais significativo e visível dentro da hospedagem ou da acomodação. Mesmo sendo muito variados na maioria dos países, os hotéis são o subsetor que fornece o maior emprego total em termos globais e provalmente é responsável pelo nível mais alto da receita. Ainda para o mesmo autor (2001, p. 355), uma importante influência sobre o setor hoteleiro com participação pública nos últimos anos tem sido a das demandas de desempenho, cada vez mais dirigidas que se apresentam a operadoras pelos investidores do mercado de ações.
Componentes importantes da hospedagem e a sua divisão contextual têm sido uma necessidade para o incremento do turismo e motivos de viagem, como também para o mercado atuante. A hotelaria como empreendimento dá ênfase cada vez mais maior a sua capacidade de responder positivamente às demandas de serviços de seus consumidores, e companhias com reputações internacionais (transporte, alimentação, hospedagem, agências etc.) por sua ênfase de serviços variados, seus novos projetos de crescimento no setor, a introdução de novos funcionários e os padrões de qualidade de serviço, vislumbrados nos empreendimentos hoteleiros.
De acordo com COOPER et alli (2001, p. 367) o setor de hospedagem, quando bem administrado, não evoca imagens de poluição e degradação ambiental. A determinação consciencial da parte administrativa do setor hoteleiro deve estar ciente da importância e do significado da conservação do meio ambiente. Vários atores podem colaborar para o processo de sustentabilidade das questões ambientais e sua conservação. Várias campanhas, envolvendo o consumo, a ‘boa governança’, a equipe de engenharia, departamentos variados e os próprios hóspedes podem ser convidados a beneficiar o crescimento do setor hoteleiro, no que prescinde a questão ambiental e os fatores multiplicadores do turismo.
A hotelaria é significativa e faz parte da excelência da empregabilidade do turismo, faz parte de níveis de unidade de investimento dos macros empreendimentos internacionais, em empreendimentos de médio porte, e, finalmente, nos pequenos empreendimentos, tais como: hotéis-fazenda, albergues, pequenos hotéis com as mais diversas características e diversificações. A classificação pode ser definida como “a colocação de hotéis em categorias de acordo com tipo de propriedade, instalações e amenidades oferecidas” (GEE, 1994). O empreendimento tem franquia em larga escala no setor de hospedagem, principalmente na tradução do ambiente próprio e pretendido por investidores e anfitriões. A contribuição tem sido um amálgama visível que representa a questão positiva da valorização do turismo, o estabelecimento da cultura e a melhora dos processos intercambiadores do mundo globalizado. O turista faz da sua hospedagem, o segundo lar, a sua zona de conforto no deslocamento pretendido, seu ponto de apoio longe de suas origens. Afinal, o setor hoteleiro são a garantia de mutação e a volta do turista.
4. O MERCADO DOS EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS
Através do conhecimento (educação), do desenvolvimento de habilidades (treinamento), da formação de bons hábitos e da clara definição das perspectivas, é possível forjarmos profissionais empreendedores na hotelaria, capazes de dar uma resposta positiva quanto à satisfação das necessidades, tanto daquelas que dizem respeito à sua realização pessoal quanto daquelas referentes às empresas e à comunidade.A função hoteleira como atividade sociotécnico-econômica está canalizada para tarefas específicas que exigem responsabilidades, macroempreendimentos em conhecimentos e execução de operações, com a finalidade de alcançar as diversas metas que a sua atividade e o seu entorno lhe estabelecem como incumbência. De simples atividade hospitaleira, a hotelaria transformou-se em atividade organizada que obedece a aspectos técnicos, econômicos e comerciais. Isso a obriga a considerar sua função socioeconômica como um papel estritamente de serviço. Na hotelaria, como em qualquer atividade, deve se subordinar às necessidades do negócio às do cliente. A qualidade do resultado dependerá do uso das informações processadas e da adequação dos recursos humanos e materiais envolvidos com impacto direto no grau de satisfação do cliente.
A hotelaria como atividade subseqüente do turismo responde a vários conceitos e necessidades, a saber:
a) Para a UIOOT (União Internacional de Organismos Oficiais de Turismo) é o serviço de hospedagem, alimentação e complementares requeridos pelo turista, que são oferecidos em um estabelecimento;
b) Para o público em geral, é um lugar de descanso por um breve período em uso de seu tempo livre;
c) Para o executivo, é ponto de chegada com todas as facilidades e as comodidades que a sua atividade requer em situações de bem-estar e segurança;
d) Para qualquer indivíduo, em particular, é um lugar de hospedagem com as melhores condições de bem-estar e segurança, em situações de caráter temporal, ou quando se trata de um modo de vida, de caráter permanente.
Nas mais diversas funcionalidades, é possível visualizar a capacidade empreendedora do investimento:
4.1 FUNÇÃO SOCIAL
Responde a uma realidade interna e do entorno em que se desenvolve a atividade hoteleira: função social interna, função em relação ao hóspede, função em relação ao próprio trabalhador hoteleiro e função em termos de país.
Função Social Interna
Traduz-se na busca do bem-estar do funcionário e dos hóspedes e na auto-realização daqueles. Por isso, devem ser considerados os seguintes aspectos:
Função em relação ao hóspede
• Procurar que sua estada lhe permita reencontrar-se;
• Satisfazer as necessidades em todos os sentidos;
• Oferecer um ambiente de grupo e de entorno de nítida qualidade humana;
• Satisfazer o senso estético da pessoa, ofertando ambiente agradável na arquitetura e na decoração;
• Adaptar medidas de segurança e conforto que garantam a estabilidade física e emocional do hóspede.
Função em relação ao funcionário
• Formar e projetar o funcionário para o futuro, atualizando permanentemente;
• Motivá-lo na tarefa que desempenha;
• Procurar a auto-realização do funcionário e evitar sua frustração;
• Exerce um papel importante na vida cultural do funcionário.
Função em termos de país
• Formalizar o turismo social, facilitando o acesso de todas as classes trabalhadoras às férias, permitindo o uso de suas instalações;
• Fomentar o aspecto cultural, por meio de serviços idôneos, para a realização de eventos culturais;
• Facilitar o reencontro de políticos e diplomatas por meio de reuniões e recepções, desempenhando-se como centro-chave das tomadas de decisões nestes aspectos;
• Propiciar reuniões de comércio e de trabalho para executivos e homens de negócios;
• Desempenhar-se como elemento catalisador das diversas classes sociais.
4.2. FUNÇÃO ECONÔMICA
Para oferecer um serviço de qualidade o hotel abrange, entre outros, os ambientes: recepção, salas para eventos, quadras, administração, saunas, quartos, área de lazer, espaço central, restaurantes etc;
A função econômica do hotel se canalizou como todo sistema empresarial, em duas direções: intrínseca e extrínseca.
Funções Intrínsecas – constituem uma relação de ambientes internos do hotel que atuam como elementos captadores financeiros, usando diversos tipos de salas, minishopping, bares, restaurantes, etc.
Funções Extrínsecas – em relação ao entorno, a função hoteleira abrange uma série de fatores que devem ser considerados:
• Constitui fonte de consumo de produtos de mercado;
• Representa uma fonte de demanda de mão-de-obra;
• Desempenha um papel preponderante na captação de divisas;
• É um ponto de lançamento de primeira ordem em relação à adaptação de novas tecnologias. Por exemplo: o primeiro elevador foi instalado em um hotel.
4.3 OBJETIVOS DA EMPRESA HOTELEIRA
• Captação do mercado;
• Qualidade do serviço;
• Rentabilidade;
• Imagem;
• Competitividade;
• Crescimento;
• Estabilidade;
• Serviços para a comunidade;
Serviços para a Comunidade
• Criam-se fontes de trabalho;
• Fomentam-se as influências turísticas e culturais na zona de influência e;
• Captam-se divisas para o país.
Localização e entorno do hotel
A localização do estabelecimento (em núcleos habitacionais desenvolvidos ou em crescimento, ou em áreas centrais ou periféricas do referido núcleo) compreende uma determinante que influi na organização do hotel, quando considera (ou deveria considerar) o nível de demanda da população, o nível econômico dos núcleos, a exigência dos serviços, as disponibilidades dos meios de abastecimento e as dificuldades que o próprio entorno envolve. De alguma forma, os fatores citados influenciam no dimensionamento do hotel, na determinação dos objetivos e, portanto, na limitação das tarefas que devem ser executadas. Isso significa que o hotel deveria considerar esses fatores no momento de se estruturar.
5. PORÉM, NEM TODO HOTEL SÃO CINCO ESTRELAS
Há nichos que vão bastante bem, como a Hotelaria. Os contrastes entre os vários subnichos do mercado hoteleiro são inegáveis. Como explica VERA COSTA [s.d.]. "As pessoas têm de ter garra, porque hotelaria exige paixão”. E tudo tem de ser bem feito: “o relacionamento com os hóspedes, com as chefias e com os fornecedores precisam ser impecável”. Os salários, conforme o caso, são compensadores. Uma governanta, por exemplo, que gerencia as equipes de arrumação e limpeza, pode ganhar até cinco mil reais, se tiver curso superior.
Porém, nem todo mercado hoteleiro são cinco estrelas. Alguns empreendedores já se destacam nos mercados nacionais e internacionais. Outros já possuem verbas e investimentos precisos. Contam com alternativas inovadoras de crescimento, apresentam existência própria efetiva e socialmente construída. Áreas de atuações já são detectadas com aspirações organizacionais. É preciso empreender. É necessário estar consciente da força de trabalho que este nicho do turismo enseja. É neste ponto de vista que a capacidade empreendedora se manifesta em pessoas capazes de gerar mudanças necessárias, assumir os riscos decorrentes, dar origem a novas idéias, e, principalmente, descobrir e aproveitar oportunidades nos diversos subsetores que a Hotelaria proporciona em chances para a coletividade. Vários tipos de empreendimentos podem ser citados aqui: hotéis de vários portes, aparthotéis, hotéis-fazenda, guesthouses , bed and breakfasts , gites , casas de campo, locais para acampamento, trailers e time-share , hospedagem dentro de transporte móvel, navios de cruzeiros, trens e aviões, hospedagem de jovens, hospedagem em instalações médicas, hospedagem em campus universitário, campings, resorts, spas, dentre outros tipos.
6. CONCLUSÃO
O objetivo deste artigo foi iniciar algumas concepções acerca do trabalho humano, no tocante ao setor de hotelaria e respectivos empreendimentos. A pretensão no aprofundamento neste ângulo de estudos será paulatina e peculiar. Observa-se que na grande maioria de conceitos de empreendedorismo figuram-se os termos criatividade e inovação. Não é possível enfrentar novas realidades, com antigos paradigmas. Essas requerem novos empreendedores no setor hoteleiro, tendo em vista os impactos sociais positivos que o setor fornece ao mercado de trabalho, ao mercado de negócios e no conceito da própria sociedade. Portanto, em primeira análise, hotelaria como empreendimento proporciona um desenvolvimento de um potencial turístico bem sucedido. Como dito anteriormente, a atividade turística requer um novo empreendedor estrategista, o criador de novos métodos de adaptabilidade e empregabilidade no setor hoteleiro, para que se possam criar oportunidades várias e estas gestarem a parturição dos novos mercados conquistados e a conquistar. Afinal, as personalidades criativas e empreendedoras do turismo se constituem em ambientes propícios e inovadores.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARLSON & MOULDEN. Green is Gold -business taking to Business about the Environmental Revolution. Toronto: Harperbusiness, 1991.
COOPER, Chris et alli. Turismo: princípios e prática. Porto Alegre: Artmed, 2002.
CEBALLOS-LASCURAIN, Hector. The Future of 'Ecotourism'. Mexico Journal, Janeiro/27, 1988. citado por LINDBERG, Kreg. Polices for Maximizing Nature Tourism's Ecological and Economic Benefits. USA, World Resources Institute. p. 3, 1991.
CRAIK, Jennifer. "Are there Cultural Limits to tourism?" in: The journal of Sustainable Tourism. Clevedon. Channel View Publications 3(2):87-98, 1995.
D' AMORE, Louis J. "A Code of Ethics and Guidelines for Socialy and Environmentaly Responsible Tourism" Montreal. Journal of Travel Research. Dez/Jan/Fev. pp. 64-66, 1993.
DOLABELA, Fernando. A vez do Sonho. São Paulo: Cultura Editores Associados. 2000.
__________________. A oficina do empreendedor. São Paulo: Cultura Editores Associados. 1999.
FORSYTH, T. "Business Attitudes to Sustainable Tourism: Self-Regulation in the UK Outgoing Tourism Industry". In: The journal of Sustainable Tourism. Clevedon. Channel View Publications 3(4):210-231, 1995.
HALL, Stephen S. J. Quality Assurance in the Hospitality Industry. Milwaukee: Quality Press, 1990.
Grupo de Estudos do Turismo da FCSL
Organização e supervisão:
Profa. Msc. Silvânia Mendonça Almeida Margarida
Resumo
Este trabalho versa sobre o empreendedorismo no turismo, como capacidade de inovar, assumir riscos em trabalhos de equipe, como estados de arte em qualquer organização. O empreendedorismo é a capacidade de inovar-se, de correr riscos e gerar riquezas através da adaptabilidade ao mercado e a empregabilidade. No segmento da hotelaria, o empreendedorismo demonstra a importância do trabalho como fonte de auto-realização, o esforço e a criatividade inerente aos atores sociais dos empreendimentos hoteleiros.
Descritores: empreendedorismo, criatividade, turismo, adaptabilidade, empregabilidade, motivação.
Abstract
Entrepreneurship is the keyword to achieve the state-of-the-art in any organization. In Hotels as of ally other activities. As a capacity to innovate, to take risk and generate wealth. It must support the business needs and customer satisfaction. The hotel business, as an example, results the adequation of human and material resources in the market work, which will directly impact the level of customer satisfaction. We here try to demonstrate how work can be a source of self-accomplishment, creativity, motivation and effectiveness found in the social actors. These things are basely the success from hotel entrepreneurship.
Describers: entrepreneurship, Hotel business, tourism, creativity, effectiveness, adaptability, motivation.
1. INTRODUÇÃO
Empreendedorismo, trabalho em equipe, valorização profissional. Nunca essas palavras estiveram tão em foco dentro das empresas e organizações de trabalho como hoje. Invadiram os recursos humanos e se tornaram, inclusive, pauta para planos de ação que visa a aumentar os resultados geradores de microempresas, empresas de médio porte, macroempresas e o aumento tenaz da empregabilidade, otimizando assim todos os recursos existentes nos mais diversificados setores da economia. A economia, enquanto ciência das escolhas e decisões, é uma ciência de natureza prospectiva, que procede estabelecendo hipóteses alternativas sobre preferências futuras de consumidores e processos de produção, em contexto de incerteza e de risco. Como a incerteza associada ao futuro é muito vasta, nem todas as abstrações hipotéticas alternativas podem ser consideradas. É necessário, usar procedimentos heurísticos e empreendedores que diminuam o vasto campo do possível, reduzindo-o às conjeturas logicamente plausíveis. O empreendedorismo é contingente, supõe certeza e continuidade, traz uma era de convergência e de discursividade, concerne as práticas gestoras dos negócios; e, na maioria das vezes, torna-se um coadjuvante e uma inserção de esperança, para indivíduos encadeados nos atuais aspectos organizacionais, na comunicação dentro de empresas e no próprio mercado de trabalho globalizado.
Ser empreendedor , para FERNANDO DOLABELLA, (1999, p.180-181) significa ter, acima de tudo, a necessidade de realizar coisas novas, pôr em prática idéias próprias, característica de personalidade e comportamento que nem sempre é fácil de se encontrar. Psicologicamente, as pessoas podem se divididas em dois grandes grupos, de acordo com DAVID MCCLELLAND (apud DOLABELLA, 1999, p. 190): uma minoria que, quando desafiada por uma oportunidade, está disposta a conseguir algo, e uma maioria que, na realidade, não se importa tanto assim. As pessoas que têm necessidade de realizar se destacam porque, independente de suas atividades, fazem com que as coisas aconteçam.
BERNARD SHAW é muito feliz ao descrever o inconformismo com o “status quo” daqueles que têm grande necessidade de realizar. De acordo com ele: “O homem adapta-se ao mundo, irracional tenta adaptar o mundo a si. Portanto, todo progresso depende do homem irracional”. (apud, DOLABELLA, 1999, p. 45).
1.2. A ADAPTABILIDADE DO EMPREENDEDORISMO NO BRASIL
Parece que finalmente o futuro chegou ao Brasil. Houve uma geração inteira de brasileiros esperando o milagre econômico prometido pelos líderes políticos, o qual nunca chegava. Com a entrada da década de 90, ao que tudo indica, caminhamos mais por força de uma conjuntura econômica mundial globalizada, do que por vontade política de nossos líderes. O capitalismo vem se moldando ao longo do tempo, sofrendo profundas transformações conjunturais e definindo novos paradigmas produtivos. Antes havia confronto entre capital e trabalho; hoje, despontam-se o empreendedorismo, a administração participativa, a necessidade de envolvimento da mão-de-obra na implantação de novas técnicas produtivas. Antes havia a pressão por altas barreiras alfandegárias, limitando a concorrência e, conseqüentemente, administrando os preços em função das margens de lucro desejadas; hoje, há a necessidade de se atingir maior número de mercados. Há a busca dos insumos como na colocação de vários produtos. Ao se diluírem custos fixos com aumento da produção e venda, rompem-se as fronteiras físicas dos países, indo buscar o consumidor onde ele estiver, forçando a concorrência entre empresas e gerando um preço de mercado para os produtos ou serviços, ao qual as empresas devem adaptar suas estruturas de custos ou sair do mercado. Antes havia decisões localizadas, específicas para cada mercado; hoje, no mundo empreendedor dos negócios e em sua gestão, há o intercâmbio de informações e globalização de produtos e consumidores, fazendo com que um mesmo produto seja desejado e consumido nos EUA, na Índia e no Brasil. E assim caminha a humanidade. No entanto, muito será necessário estudar. Empreendedorismo, antes de tudo, é estudo.
1.2. O EMPREENDEDOR EM AÇÃO
A proposta educacional do Turismo é formar empreendedores, ou seja, profissionais eficazes, ágeis e criativos, capazes de gerir suas próprias oportunidades de trabalho, quer conseguindo um bom emprego e construindo uma carreira de sucesso, quer montando seu próprio negócio. A ação do Bacharel em Turismo como empreendedor requer, além de uma visão macro do setor, capacidade para: realizar pesquisas, análises, diagnósticos e proposições de mudanças na administração estratégica; elaborar planos de marketing para o desenvolvimento e crescimento com qualidade no mercado; compatibilizar as necessidades do mercado, seus entraves econômicos, políticos e sociais e as tendências internacionais; enfrentar desafios, criando condições para lidar com a competitividade acirrada, bem como acompanhar e adequar o desenvolvimento tecnológico às exigências crescentes do consumidor quanto a produtos e serviços personalizados.
2. O MERCADO DOS EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS
O setor turístico como atividade socioeconômica, cultural e de lazer, envolve uma série diversa de áreas operacionais, cada uma das quais gera variadas atividades subseqüentes de índole social, cultural, econômica e recreativa. A palavra-chave do profissional do futuro é adaptabilidade empreendedora. O profissional de turismo deverá, pois, ter condições de se adaptar a estilos e métodos de trabalho dentro dos mais diversos contextos econômicos e geoespaciais, compreendendo hábitos de consumo, costumes e gostos das diferentes nacionalidades e tipos de turistas. Deve ter, portanto, uma visão georeferenciada da atividade turística. Outro aspecto importante corresponde às expectativas dos clientes, muitas vezes com parâmetros internacionais de qualidade de atendimento, devendo o profissional desenvolver ações rápidas de planejamento e oferta de bons serviços. Novas tecnologias, novos canais de comercialização, novos hábitos de compras, surgem numa grande velocidade, devendo o profissional ter domínio sobre esse instrumental.
As empresas prestadoras de serviços turísticos caracterizam-se por intensa e freqüente utilização de serviços de terceiros, processo que demanda apurada avaliação, para manutenção de padrões mínimos de qualidade exigidos pelo mercado, vital ao sucesso e longevidade do empreendimento projetado. Num empreendimento de hospedagem, por exemplo, a disponibilidade próxima de negócio de apoio – lavanderia – garante a oferta de serviço adicional ao hóspede, desde que sejam observados prazos de entrega, padrões básicos de lavação e apresentação do produto, de modo a garantir a satisfação do usuário. Num empreendimento de organização de viagens, a disponibilidade paralela de empresas e/ou prestadores de serviços de traslados e passeios terrestres possibilitará a operação de serviços receptivos. Num empreendimento voltado à organização de eventos, a disponibilidade de negócios para montagem de feiras, decoração de ambientes, aluguel de veículos, programação visual, entre outros, alarga as possibilidades de renda empresarial.
3. A DEFINIÇÃO DO SETOR DE HOSPEDAGEM
Para COOPER et alli (2001, p. 353), os hotéis são, sem dúvida, o subsetor mais significativo e visível dentro da hospedagem ou da acomodação. Mesmo sendo muito variados na maioria dos países, os hotéis são o subsetor que fornece o maior emprego total em termos globais e provalmente é responsável pelo nível mais alto da receita. Ainda para o mesmo autor (2001, p. 355), uma importante influência sobre o setor hoteleiro com participação pública nos últimos anos tem sido a das demandas de desempenho, cada vez mais dirigidas que se apresentam a operadoras pelos investidores do mercado de ações.
Componentes importantes da hospedagem e a sua divisão contextual têm sido uma necessidade para o incremento do turismo e motivos de viagem, como também para o mercado atuante. A hotelaria como empreendimento dá ênfase cada vez mais maior a sua capacidade de responder positivamente às demandas de serviços de seus consumidores, e companhias com reputações internacionais (transporte, alimentação, hospedagem, agências etc.) por sua ênfase de serviços variados, seus novos projetos de crescimento no setor, a introdução de novos funcionários e os padrões de qualidade de serviço, vislumbrados nos empreendimentos hoteleiros.
De acordo com COOPER et alli (2001, p. 367) o setor de hospedagem, quando bem administrado, não evoca imagens de poluição e degradação ambiental. A determinação consciencial da parte administrativa do setor hoteleiro deve estar ciente da importância e do significado da conservação do meio ambiente. Vários atores podem colaborar para o processo de sustentabilidade das questões ambientais e sua conservação. Várias campanhas, envolvendo o consumo, a ‘boa governança’, a equipe de engenharia, departamentos variados e os próprios hóspedes podem ser convidados a beneficiar o crescimento do setor hoteleiro, no que prescinde a questão ambiental e os fatores multiplicadores do turismo.
A hotelaria é significativa e faz parte da excelência da empregabilidade do turismo, faz parte de níveis de unidade de investimento dos macros empreendimentos internacionais, em empreendimentos de médio porte, e, finalmente, nos pequenos empreendimentos, tais como: hotéis-fazenda, albergues, pequenos hotéis com as mais diversas características e diversificações. A classificação pode ser definida como “a colocação de hotéis em categorias de acordo com tipo de propriedade, instalações e amenidades oferecidas” (GEE, 1994). O empreendimento tem franquia em larga escala no setor de hospedagem, principalmente na tradução do ambiente próprio e pretendido por investidores e anfitriões. A contribuição tem sido um amálgama visível que representa a questão positiva da valorização do turismo, o estabelecimento da cultura e a melhora dos processos intercambiadores do mundo globalizado. O turista faz da sua hospedagem, o segundo lar, a sua zona de conforto no deslocamento pretendido, seu ponto de apoio longe de suas origens. Afinal, o setor hoteleiro são a garantia de mutação e a volta do turista.
4. O MERCADO DOS EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS
Através do conhecimento (educação), do desenvolvimento de habilidades (treinamento), da formação de bons hábitos e da clara definição das perspectivas, é possível forjarmos profissionais empreendedores na hotelaria, capazes de dar uma resposta positiva quanto à satisfação das necessidades, tanto daquelas que dizem respeito à sua realização pessoal quanto daquelas referentes às empresas e à comunidade.A função hoteleira como atividade sociotécnico-econômica está canalizada para tarefas específicas que exigem responsabilidades, macroempreendimentos em conhecimentos e execução de operações, com a finalidade de alcançar as diversas metas que a sua atividade e o seu entorno lhe estabelecem como incumbência. De simples atividade hospitaleira, a hotelaria transformou-se em atividade organizada que obedece a aspectos técnicos, econômicos e comerciais. Isso a obriga a considerar sua função socioeconômica como um papel estritamente de serviço. Na hotelaria, como em qualquer atividade, deve se subordinar às necessidades do negócio às do cliente. A qualidade do resultado dependerá do uso das informações processadas e da adequação dos recursos humanos e materiais envolvidos com impacto direto no grau de satisfação do cliente.
A hotelaria como atividade subseqüente do turismo responde a vários conceitos e necessidades, a saber:
a) Para a UIOOT (União Internacional de Organismos Oficiais de Turismo) é o serviço de hospedagem, alimentação e complementares requeridos pelo turista, que são oferecidos em um estabelecimento;
b) Para o público em geral, é um lugar de descanso por um breve período em uso de seu tempo livre;
c) Para o executivo, é ponto de chegada com todas as facilidades e as comodidades que a sua atividade requer em situações de bem-estar e segurança;
d) Para qualquer indivíduo, em particular, é um lugar de hospedagem com as melhores condições de bem-estar e segurança, em situações de caráter temporal, ou quando se trata de um modo de vida, de caráter permanente.
Nas mais diversas funcionalidades, é possível visualizar a capacidade empreendedora do investimento:
4.1 FUNÇÃO SOCIAL
Responde a uma realidade interna e do entorno em que se desenvolve a atividade hoteleira: função social interna, função em relação ao hóspede, função em relação ao próprio trabalhador hoteleiro e função em termos de país.
Função Social Interna
Traduz-se na busca do bem-estar do funcionário e dos hóspedes e na auto-realização daqueles. Por isso, devem ser considerados os seguintes aspectos:
Função em relação ao hóspede
• Procurar que sua estada lhe permita reencontrar-se;
• Satisfazer as necessidades em todos os sentidos;
• Oferecer um ambiente de grupo e de entorno de nítida qualidade humana;
• Satisfazer o senso estético da pessoa, ofertando ambiente agradável na arquitetura e na decoração;
• Adaptar medidas de segurança e conforto que garantam a estabilidade física e emocional do hóspede.
Função em relação ao funcionário
• Formar e projetar o funcionário para o futuro, atualizando permanentemente;
• Motivá-lo na tarefa que desempenha;
• Procurar a auto-realização do funcionário e evitar sua frustração;
• Exerce um papel importante na vida cultural do funcionário.
Função em termos de país
• Formalizar o turismo social, facilitando o acesso de todas as classes trabalhadoras às férias, permitindo o uso de suas instalações;
• Fomentar o aspecto cultural, por meio de serviços idôneos, para a realização de eventos culturais;
• Facilitar o reencontro de políticos e diplomatas por meio de reuniões e recepções, desempenhando-se como centro-chave das tomadas de decisões nestes aspectos;
• Propiciar reuniões de comércio e de trabalho para executivos e homens de negócios;
• Desempenhar-se como elemento catalisador das diversas classes sociais.
4.2. FUNÇÃO ECONÔMICA
Para oferecer um serviço de qualidade o hotel abrange, entre outros, os ambientes: recepção, salas para eventos, quadras, administração, saunas, quartos, área de lazer, espaço central, restaurantes etc;
A função econômica do hotel se canalizou como todo sistema empresarial, em duas direções: intrínseca e extrínseca.
Funções Intrínsecas – constituem uma relação de ambientes internos do hotel que atuam como elementos captadores financeiros, usando diversos tipos de salas, minishopping, bares, restaurantes, etc.
Funções Extrínsecas – em relação ao entorno, a função hoteleira abrange uma série de fatores que devem ser considerados:
• Constitui fonte de consumo de produtos de mercado;
• Representa uma fonte de demanda de mão-de-obra;
• Desempenha um papel preponderante na captação de divisas;
• É um ponto de lançamento de primeira ordem em relação à adaptação de novas tecnologias. Por exemplo: o primeiro elevador foi instalado em um hotel.
4.3 OBJETIVOS DA EMPRESA HOTELEIRA
• Captação do mercado;
• Qualidade do serviço;
• Rentabilidade;
• Imagem;
• Competitividade;
• Crescimento;
• Estabilidade;
• Serviços para a comunidade;
Serviços para a Comunidade
• Criam-se fontes de trabalho;
• Fomentam-se as influências turísticas e culturais na zona de influência e;
• Captam-se divisas para o país.
Localização e entorno do hotel
A localização do estabelecimento (em núcleos habitacionais desenvolvidos ou em crescimento, ou em áreas centrais ou periféricas do referido núcleo) compreende uma determinante que influi na organização do hotel, quando considera (ou deveria considerar) o nível de demanda da população, o nível econômico dos núcleos, a exigência dos serviços, as disponibilidades dos meios de abastecimento e as dificuldades que o próprio entorno envolve. De alguma forma, os fatores citados influenciam no dimensionamento do hotel, na determinação dos objetivos e, portanto, na limitação das tarefas que devem ser executadas. Isso significa que o hotel deveria considerar esses fatores no momento de se estruturar.
5. PORÉM, NEM TODO HOTEL SÃO CINCO ESTRELAS
Há nichos que vão bastante bem, como a Hotelaria. Os contrastes entre os vários subnichos do mercado hoteleiro são inegáveis. Como explica VERA COSTA [s.d.]. "As pessoas têm de ter garra, porque hotelaria exige paixão”. E tudo tem de ser bem feito: “o relacionamento com os hóspedes, com as chefias e com os fornecedores precisam ser impecável”. Os salários, conforme o caso, são compensadores. Uma governanta, por exemplo, que gerencia as equipes de arrumação e limpeza, pode ganhar até cinco mil reais, se tiver curso superior.
Porém, nem todo mercado hoteleiro são cinco estrelas. Alguns empreendedores já se destacam nos mercados nacionais e internacionais. Outros já possuem verbas e investimentos precisos. Contam com alternativas inovadoras de crescimento, apresentam existência própria efetiva e socialmente construída. Áreas de atuações já são detectadas com aspirações organizacionais. É preciso empreender. É necessário estar consciente da força de trabalho que este nicho do turismo enseja. É neste ponto de vista que a capacidade empreendedora se manifesta em pessoas capazes de gerar mudanças necessárias, assumir os riscos decorrentes, dar origem a novas idéias, e, principalmente, descobrir e aproveitar oportunidades nos diversos subsetores que a Hotelaria proporciona em chances para a coletividade. Vários tipos de empreendimentos podem ser citados aqui: hotéis de vários portes, aparthotéis, hotéis-fazenda, guesthouses , bed and breakfasts , gites , casas de campo, locais para acampamento, trailers e time-share , hospedagem dentro de transporte móvel, navios de cruzeiros, trens e aviões, hospedagem de jovens, hospedagem em instalações médicas, hospedagem em campus universitário, campings, resorts, spas, dentre outros tipos.
6. CONCLUSÃO
O objetivo deste artigo foi iniciar algumas concepções acerca do trabalho humano, no tocante ao setor de hotelaria e respectivos empreendimentos. A pretensão no aprofundamento neste ângulo de estudos será paulatina e peculiar. Observa-se que na grande maioria de conceitos de empreendedorismo figuram-se os termos criatividade e inovação. Não é possível enfrentar novas realidades, com antigos paradigmas. Essas requerem novos empreendedores no setor hoteleiro, tendo em vista os impactos sociais positivos que o setor fornece ao mercado de trabalho, ao mercado de negócios e no conceito da própria sociedade. Portanto, em primeira análise, hotelaria como empreendimento proporciona um desenvolvimento de um potencial turístico bem sucedido. Como dito anteriormente, a atividade turística requer um novo empreendedor estrategista, o criador de novos métodos de adaptabilidade e empregabilidade no setor hoteleiro, para que se possam criar oportunidades várias e estas gestarem a parturição dos novos mercados conquistados e a conquistar. Afinal, as personalidades criativas e empreendedoras do turismo se constituem em ambientes propícios e inovadores.
7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARLSON & MOULDEN. Green is Gold -business taking to Business about the Environmental Revolution. Toronto: Harperbusiness, 1991.
COOPER, Chris et alli. Turismo: princípios e prática. Porto Alegre: Artmed, 2002.
CEBALLOS-LASCURAIN, Hector. The Future of 'Ecotourism'. Mexico Journal, Janeiro/27, 1988. citado por LINDBERG, Kreg. Polices for Maximizing Nature Tourism's Ecological and Economic Benefits. USA, World Resources Institute. p. 3, 1991.
CRAIK, Jennifer. "Are there Cultural Limits to tourism?" in: The journal of Sustainable Tourism. Clevedon. Channel View Publications 3(2):87-98, 1995.
D' AMORE, Louis J. "A Code of Ethics and Guidelines for Socialy and Environmentaly Responsible Tourism" Montreal. Journal of Travel Research. Dez/Jan/Fev. pp. 64-66, 1993.
DOLABELA, Fernando. A vez do Sonho. São Paulo: Cultura Editores Associados. 2000.
__________________. A oficina do empreendedor. São Paulo: Cultura Editores Associados. 1999.
FORSYTH, T. "Business Attitudes to Sustainable Tourism: Self-Regulation in the UK Outgoing Tourism Industry". In: The journal of Sustainable Tourism. Clevedon. Channel View Publications 3(4):210-231, 1995.
HALL, Stephen S. J. Quality Assurance in the Hospitality Industry. Milwaukee: Quality Press, 1990.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
RESPONSABILIDADE SOCIAL
PROFA. SILVANIA MENDONÇA ALMEIDA
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
Objetividade e conceitos básicos na Sociologia e da Responsabilidade Social
Os homens, no estudo de si mesmos e da sociedade, podem se deixar influenciar por um conjunto de idéias que aprenderam, pelas crenças que adotam, pelos valores que aceitam. Em Sociologia, a objetividade é mais difícil de se alcançar, mas não é impossível.
Como já vimos, o primeiro passo para a compreensão da Sociologia – como de qualquer disciplina científica – é o conhecimento de seus conceitos básicos. Eles definem os fenômenos que devem ser estudados e diferenciam a Sociologia das outras ciências sociais, pois cada uma delas tem seu próprio corpo de conceitos.
Como ciência, a Sociologia tem um duplo valor: pode aumentar o conhecimento que o homem tem de si mesmo e da sua sociedade e pode contribuir para os problemas que ele enfrenta. Sociologia A sociologia é o estudo da vida e do comportamento social, sobretudo em relação a sistemas sociais, como eles funcionam, como mudam, as conseqüências que produzem e sua relação complexa com a vida de indivíduos.
Para Durkheim, os fatos sociais são os modos de pensar, sentir e agir de um grupo social. Embora existam na mente do indivíduo, são exteriores a ele e exercem sobre ele um poder coercitivo.
Resumindo, podemos dizer que os fatos sociais têm as seguintes características:
- generalidade – o fato social é comum aos membros de um grupo;
- exterioridade – o fato social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade;
- coercitividade – os indivíduos vêem-se obrigados a seguir o comportamento estabelecido.
Em virtude dessas características, para Durkheim os fatos sociais podem ser estudados objetivamente, como “coisas”. Como a Biologia e a Física estudam os fatos da natureza, a Sociologia pode fazer o mesmo com os fatos sociais.
As obras de Durkheim foram importantíssimas para definir os métodos de trabalho dos sociólogos e estabelecer os principais conceitos da nova ciência. Da Sociologia, dos fatos sociais, da sociedade e da gestão empresarial nasce a Responsabilidade Social.
Aspectos Gerais da Sociologia e da Responsabilidade Social
Uma ciência caracteriza-se pelo seu objeto e pelos seus métodos. Quanto à Sociologia e na Responsabilidade Social, seu objeto se encontra no exame dos fenômenos coletivos, através de teorias e métodos próprios. À medida que reconhecemos a categoria de ciência à Sociologia e à Responsabilidade Social, há uma maior objetividade na análise desses fenômenos.
Responsabilidade Social
As transformações sócio-econômicas dos últimos 20 anos têm afetado profundamente o comportamento de empresas até então acostumadas à pura e exclusiva maximização do lucro. Se por um lado o setor privado tem cada vez mais lugar de destaque na criação de riqueza; por outro lado, é bem sabido que com grande poder, vem grande responsabilidade. Em função da capacidade criativa já existente, e dos recursos financeiros e humanos já disponíveis, empresas têm uma intrínseca responsabilidade social.
A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é. portanto, relativamente recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações.
Infelizmente, muitos ainda confundem o conceito com filantropia, mas as razões por trás desse paradigma não interessam somente ao bem estar social, mas também envolvem melhor performance nos negócios e, conseqüentemente, maior lucratividade. A busca da responsabilidade social corporativa tem, grosso modo, as seguintes características:
• É plural. Empresas não devem satisfações apenas aos seus acionistas. Muito pelo contrário. O mercado deve agora prestar contas aos funcionários, à mídia, ao governo, ao setor não-governamental e ambiental e, por fim, às comunidades com que opera. Empresas só têm a ganhar na inclusão de novos parceiros sociais em seus processos decisórios. Um diálogo mais participativo não apenas representa uma mudança de comportamento da empresa, mas também significa maior legitimidade social.
• É distributiva. A responsabilidade social nos negócios é um conceito que se aplica a toda a cadeia produtiva. Não somente o produto final deve ser avaliado por fatores ambientais ou sociais, mas o conceito é de interesse comum e, portanto, deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo. Assim como consumidores, empresas também são responsáveis por seus fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviços usados ao longo de seus processos produtivos.
• É sustentável. Responsabilidade social anda de mãos dadas com o conceito de desenvolvimento sustentável. Uma atitude responsável em relação ao ambiente e à sociedade, não só garante a não escassez de recursos, mas também amplia o conceito a uma escala mais ampla. O desenvolvimento sustentável não só se refere ao ambiente, mas por via do fortalecimento de parcerias duráveis, promove a imagem da empresa como um todo e por fim leva ao crescimento orientado. Uma postura sustentável é por natureza preventiva e possibilita a prevenção de riscos futuros, como impactos ambientais ou processos judiciais.
• É transparente. A globalização traz consigo demandas por transparência. Não mais nos bastam mais os livros contábeis. Empresas são gradualmente obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental, os impactos de suas atividades e as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes. Nesse sentido, empresas serão obrigadas a publicar relatórios anuais, onde sua performance é aferida nas mais diferentes modalidades possíveis. Muitas empresas já o fazem em caráter voluntário, mas muitos prevêem que relatórios sócio-ambientais serão compulsórios num futuro próximo.
Muito do debate sobre a responsabilidade social empresarial já foi desenvolvido mundo afora, mas o Brasil tem dado passos largos no sentido da profissionalização do setor e da busca por estratégias de inclusão social através do setor privado.
Quem é o gestor socialmente responsável
Por Ricardo Young
Não existe empresa socialmente responsável sem que seus líderes o sejam. E ser um gestor socialmente responsável é bem diferente de ser um administrador tradicional. Esse novo perfil de gestor, no entanto, ainda é uma raridade no universo corporativo atual. Explico: os executivos tiveram, em sua maioria, uma formação em administração clássica, que leva em consideração conceitos pouco sistêmicos, muito cartesianos e que priorizam a otimização de lucros do acionista - o contrário do que se espera daqueles que devem liderar as empresas socialmente responsáveis daqui para a frente. Mas, afinal, quais são as principais características do líder socialmente responsável?
Em primeiro lugar, o administrador deve ter em mente que seu objetivo é gerar valor em três dimensões: econômica, social e ambiental. Para isso, precisa ter consciência do todo. O gestor socialmente responsável olha a empresa de um ponto de vista holístico, isto é, sabe que ela faz parte de múltiplos processos interligados, complexos e multicausais. As organizações têm uma nova função social e os gestores devem conhecer o impacto agregado que toda a cadeia produtiva gera em todas essas esferas.
Administrar um negócio sob esse prisma é muito mais complexo. É preciso lidar com diversas variáveis que não têm a ver necessariamente com o seu segmento ou com o seu produto, e que, no entanto, afetam o mercado. Além
disso, a incompreensão da complexidade faz com que se tenha uma percepção ilusória, uma visão especulativa do tempo. As pessoas acreditam que é possível realizar coisas em períodos muito menores do que a organicidade, a sociedade e os processos efetivamente permitem.
O gestor socialmente responsável também precisa entender de ativos e passivos ocultos, que dificilmente são contabilizados. Quanto vale uma relação de parceria com os fornecedores? E uma carteira de clientes fiéis? Por outro lado, quanto custa poluir o meio ambiente e ficar vulnerável a ações de responsabilidade civil? Ou quanto custa desrespeitar os direitos dos funcionários e ser alvo de ações trabalhistas? Considerar esses fatores é imprescindível para quem pensa na sustentabilidade e no longo prazo.
Quem tem um olhar socialmente responsável consegue enxergar uma multiplicidade de oportunidades de negócio muito maior do que permite ver o ponto de vista da gestão tradicional. Cito dois exemplos:
1) A produção de açúcar e de álcool coloca açúcar no mercado e polui o solo com resíduos como o bagaço da cana e o vinhoto. O que os gestores da Usina Vale do Rosário, no interior do estado de São Paulo, fizeram? Descobriram que o vinhoto é um excelente fertilizante e passaram a usá-lo nas plantações. Viram também que uma parte do bagaço pode ser usada para fabricar ração e que outra vira combustível para energia termoelétrica. A ração permitiu
o confinamento do gado, o que possibilitou tirar gado de solo fértil e aumentar a capacidade de produção agrícola e a oferta de emprego. O combustível deu auto-suficiência energética à usina além de aumentar os ganhos com a comercialização da energia excedente.
2) O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu fazendas da Votorantim Papel e Celulose (VPC) no Rio Grande do Sul. O que um gestor tradicional faria? Chamaria a polícia, travaria uma briga e, provavelmente, teria mais terras invadidas. Os executivos da Votorantim iniciaram um processo de cooperação. A idéia é que os sem-terra assentados plantem eucaliptos para a VPC. Com isso, eles desenvolvem uma atividade produtiva e a empresa os inclui na sua cadeia de suprimentos. Se tudo der certo, ganham as duas partes: a comunidade dos sem-terra que terá renda garantida e a empresa que economizará nas suas despesas legais e com segurança.
Em suma, se cada empresa fizer o que quiser, sem essa visão de interdependência, sem estabelecer relacionamentos pautados pela ética, estará deixando de respeitar princípios mínimos de cidadania e, pior, destruindo as condições para o seu exercício. E, quando se fala de cidadania empresarial, os líderes devem respeitar princípios mínimos de sabedoria.
Referências
Apostila de Sociologia – Profa. Silvânia Mendonça Almeida
Instituto J. Andrade – Juatuba 2006
CURSO DE ADMINISTRAÇÃO
Objetividade e conceitos básicos na Sociologia e da Responsabilidade Social
Os homens, no estudo de si mesmos e da sociedade, podem se deixar influenciar por um conjunto de idéias que aprenderam, pelas crenças que adotam, pelos valores que aceitam. Em Sociologia, a objetividade é mais difícil de se alcançar, mas não é impossível.
Como já vimos, o primeiro passo para a compreensão da Sociologia – como de qualquer disciplina científica – é o conhecimento de seus conceitos básicos. Eles definem os fenômenos que devem ser estudados e diferenciam a Sociologia das outras ciências sociais, pois cada uma delas tem seu próprio corpo de conceitos.
Como ciência, a Sociologia tem um duplo valor: pode aumentar o conhecimento que o homem tem de si mesmo e da sua sociedade e pode contribuir para os problemas que ele enfrenta. Sociologia A sociologia é o estudo da vida e do comportamento social, sobretudo em relação a sistemas sociais, como eles funcionam, como mudam, as conseqüências que produzem e sua relação complexa com a vida de indivíduos.
Para Durkheim, os fatos sociais são os modos de pensar, sentir e agir de um grupo social. Embora existam na mente do indivíduo, são exteriores a ele e exercem sobre ele um poder coercitivo.
Resumindo, podemos dizer que os fatos sociais têm as seguintes características:
- generalidade – o fato social é comum aos membros de um grupo;
- exterioridade – o fato social é externo ao indivíduo, existe independentemente de sua vontade;
- coercitividade – os indivíduos vêem-se obrigados a seguir o comportamento estabelecido.
Em virtude dessas características, para Durkheim os fatos sociais podem ser estudados objetivamente, como “coisas”. Como a Biologia e a Física estudam os fatos da natureza, a Sociologia pode fazer o mesmo com os fatos sociais.
As obras de Durkheim foram importantíssimas para definir os métodos de trabalho dos sociólogos e estabelecer os principais conceitos da nova ciência. Da Sociologia, dos fatos sociais, da sociedade e da gestão empresarial nasce a Responsabilidade Social.
Aspectos Gerais da Sociologia e da Responsabilidade Social
Uma ciência caracteriza-se pelo seu objeto e pelos seus métodos. Quanto à Sociologia e na Responsabilidade Social, seu objeto se encontra no exame dos fenômenos coletivos, através de teorias e métodos próprios. À medida que reconhecemos a categoria de ciência à Sociologia e à Responsabilidade Social, há uma maior objetividade na análise desses fenômenos.
Responsabilidade Social
As transformações sócio-econômicas dos últimos 20 anos têm afetado profundamente o comportamento de empresas até então acostumadas à pura e exclusiva maximização do lucro. Se por um lado o setor privado tem cada vez mais lugar de destaque na criação de riqueza; por outro lado, é bem sabido que com grande poder, vem grande responsabilidade. Em função da capacidade criativa já existente, e dos recursos financeiros e humanos já disponíveis, empresas têm uma intrínseca responsabilidade social.
A idéia de responsabilidade social incorporada aos negócios é. portanto, relativamente recente. Com o surgimento de novas demandas e maior pressão por transparência nos negócios, empresas se vêem forçadas a adotar uma postura mais responsável em suas ações.
Infelizmente, muitos ainda confundem o conceito com filantropia, mas as razões por trás desse paradigma não interessam somente ao bem estar social, mas também envolvem melhor performance nos negócios e, conseqüentemente, maior lucratividade. A busca da responsabilidade social corporativa tem, grosso modo, as seguintes características:
• É plural. Empresas não devem satisfações apenas aos seus acionistas. Muito pelo contrário. O mercado deve agora prestar contas aos funcionários, à mídia, ao governo, ao setor não-governamental e ambiental e, por fim, às comunidades com que opera. Empresas só têm a ganhar na inclusão de novos parceiros sociais em seus processos decisórios. Um diálogo mais participativo não apenas representa uma mudança de comportamento da empresa, mas também significa maior legitimidade social.
• É distributiva. A responsabilidade social nos negócios é um conceito que se aplica a toda a cadeia produtiva. Não somente o produto final deve ser avaliado por fatores ambientais ou sociais, mas o conceito é de interesse comum e, portanto, deve ser difundido ao longo de todo e qualquer processo produtivo. Assim como consumidores, empresas também são responsáveis por seus fornecedores e devem fazer valer seus códigos de ética aos produtos e serviços usados ao longo de seus processos produtivos.
• É sustentável. Responsabilidade social anda de mãos dadas com o conceito de desenvolvimento sustentável. Uma atitude responsável em relação ao ambiente e à sociedade, não só garante a não escassez de recursos, mas também amplia o conceito a uma escala mais ampla. O desenvolvimento sustentável não só se refere ao ambiente, mas por via do fortalecimento de parcerias duráveis, promove a imagem da empresa como um todo e por fim leva ao crescimento orientado. Uma postura sustentável é por natureza preventiva e possibilita a prevenção de riscos futuros, como impactos ambientais ou processos judiciais.
• É transparente. A globalização traz consigo demandas por transparência. Não mais nos bastam mais os livros contábeis. Empresas são gradualmente obrigadas a divulgar sua performance social e ambiental, os impactos de suas atividades e as medidas tomadas para prevenção ou compensação de acidentes. Nesse sentido, empresas serão obrigadas a publicar relatórios anuais, onde sua performance é aferida nas mais diferentes modalidades possíveis. Muitas empresas já o fazem em caráter voluntário, mas muitos prevêem que relatórios sócio-ambientais serão compulsórios num futuro próximo.
Muito do debate sobre a responsabilidade social empresarial já foi desenvolvido mundo afora, mas o Brasil tem dado passos largos no sentido da profissionalização do setor e da busca por estratégias de inclusão social através do setor privado.
Quem é o gestor socialmente responsável
Por Ricardo Young
Não existe empresa socialmente responsável sem que seus líderes o sejam. E ser um gestor socialmente responsável é bem diferente de ser um administrador tradicional. Esse novo perfil de gestor, no entanto, ainda é uma raridade no universo corporativo atual. Explico: os executivos tiveram, em sua maioria, uma formação em administração clássica, que leva em consideração conceitos pouco sistêmicos, muito cartesianos e que priorizam a otimização de lucros do acionista - o contrário do que se espera daqueles que devem liderar as empresas socialmente responsáveis daqui para a frente. Mas, afinal, quais são as principais características do líder socialmente responsável?
Em primeiro lugar, o administrador deve ter em mente que seu objetivo é gerar valor em três dimensões: econômica, social e ambiental. Para isso, precisa ter consciência do todo. O gestor socialmente responsável olha a empresa de um ponto de vista holístico, isto é, sabe que ela faz parte de múltiplos processos interligados, complexos e multicausais. As organizações têm uma nova função social e os gestores devem conhecer o impacto agregado que toda a cadeia produtiva gera em todas essas esferas.
Administrar um negócio sob esse prisma é muito mais complexo. É preciso lidar com diversas variáveis que não têm a ver necessariamente com o seu segmento ou com o seu produto, e que, no entanto, afetam o mercado. Além
disso, a incompreensão da complexidade faz com que se tenha uma percepção ilusória, uma visão especulativa do tempo. As pessoas acreditam que é possível realizar coisas em períodos muito menores do que a organicidade, a sociedade e os processos efetivamente permitem.
O gestor socialmente responsável também precisa entender de ativos e passivos ocultos, que dificilmente são contabilizados. Quanto vale uma relação de parceria com os fornecedores? E uma carteira de clientes fiéis? Por outro lado, quanto custa poluir o meio ambiente e ficar vulnerável a ações de responsabilidade civil? Ou quanto custa desrespeitar os direitos dos funcionários e ser alvo de ações trabalhistas? Considerar esses fatores é imprescindível para quem pensa na sustentabilidade e no longo prazo.
Quem tem um olhar socialmente responsável consegue enxergar uma multiplicidade de oportunidades de negócio muito maior do que permite ver o ponto de vista da gestão tradicional. Cito dois exemplos:
1) A produção de açúcar e de álcool coloca açúcar no mercado e polui o solo com resíduos como o bagaço da cana e o vinhoto. O que os gestores da Usina Vale do Rosário, no interior do estado de São Paulo, fizeram? Descobriram que o vinhoto é um excelente fertilizante e passaram a usá-lo nas plantações. Viram também que uma parte do bagaço pode ser usada para fabricar ração e que outra vira combustível para energia termoelétrica. A ração permitiu
o confinamento do gado, o que possibilitou tirar gado de solo fértil e aumentar a capacidade de produção agrícola e a oferta de emprego. O combustível deu auto-suficiência energética à usina além de aumentar os ganhos com a comercialização da energia excedente.
2) O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu fazendas da Votorantim Papel e Celulose (VPC) no Rio Grande do Sul. O que um gestor tradicional faria? Chamaria a polícia, travaria uma briga e, provavelmente, teria mais terras invadidas. Os executivos da Votorantim iniciaram um processo de cooperação. A idéia é que os sem-terra assentados plantem eucaliptos para a VPC. Com isso, eles desenvolvem uma atividade produtiva e a empresa os inclui na sua cadeia de suprimentos. Se tudo der certo, ganham as duas partes: a comunidade dos sem-terra que terá renda garantida e a empresa que economizará nas suas despesas legais e com segurança.
Em suma, se cada empresa fizer o que quiser, sem essa visão de interdependência, sem estabelecer relacionamentos pautados pela ética, estará deixando de respeitar princípios mínimos de cidadania e, pior, destruindo as condições para o seu exercício. E, quando se fala de cidadania empresarial, os líderes devem respeitar princípios mínimos de sabedoria.
Referências
Apostila de Sociologia – Profa. Silvânia Mendonça Almeida
Instituto J. Andrade – Juatuba 2006
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