Sustentabilidade e desenvolvimento sustentável




O princípio de sustentabililidade planetária envolve a eclipse social para o meio ambiente. Eclipse social significa esconder o desenvolvimento sustentável. Cada um deve fazer a sua parte.



quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O princípio da sustentabilidade


Cada vez mais as pessoas vêm demonstrando interesse pelo cuidado e preservação ambiental, sendo isso, fruto dos apelos e alertas da mídia e dos trabalhadores em defesa da natureza.

E quem ainda não ouviu falar dos 3R, 4R ou dos 5R deixa claro não ter interesse por essa preservação.

A sustentabilidade e o princípio dos R’s estão intimamente ligados, pois esses princípios nos levam a uma ação sustentável.


Os 3R significam Reduzir, reutilizar e reciclar, palavras-chaves no cuidado com o meio ambiente, afinal devemos reduzir o consumismo, reutilizar os materiais que já não nos tem aquela serventia que nos levou a adquiri-los e reciclar os que não têm outra serventia estando na mesma forma, havendo a necessidade de transformá-lo em outro objeto para voltar a ser útil.

Os 4R significam Reduzir, reutilizar, reciclar e reintegrar, fazendo-se diferente dos 3R apenas pela palavra reintegrar, que sugere tornar o material ao ambiente transformando-o mais uma vez em natureza.

Os 5R significam Reduzir, reciclar, reutilizar, repensar e recusar, que sugere que tudo que se usa deve voltar ao meio ambiente de maneira não agressora, e deve ser repensada qual a melhor maneira de retorná-lo ou mesmo qual a real necessidade de obter algum produto.

Ser uma pessoa ecologicamente correta não é simples, não basta apenas usar sacola retornável no supermercado ou manter a torneira fechada enquanto escovamos os dentes.

Para cuidar realmente dos nossos bens naturais é necessário consumir corretamente, sem exageros e desperdícios. Ou seja, consciência em primeiro lugar.

Muito do lixo que produzimos todo o dia pode demorar milhões de anos para se decompor e enquanto isso a quantidade de lixo só aumenta e nosso planeta apenas sofre as consequências.

Quantas vezes em nossas vidas reciclamos algo que não nos servia mais? Reciclar pode ser trabalhoso e não dar um resultado cem por cento. Achamos então mais prático jogar as sacolinhas de lixo e comprar outro objeto do mesmo, novinho em folha.

Quantas vezes reutilizamos algo que já não nos serve mais? Para que reutilizar um objeto se posso comprá-lo de última linha, de última moda sem precisar ter o trabalho de utilizar aquela coisa velha que já não tem mais serventia? E lá vai mais um objeto para mais umas sacolinhas plásticas.

Quantas vezes já pensamos em transformar algo inútil em algo saudável ao meio ambiente?
Quantas vezes em nossas vidas já paramos para pensar em nosso meio ambiente?

Na hora de consumir nunca paramos para pensar nos prejuízos que isso pode causar, e nem mesmo quando acontecem as tantas mudanças climáticas inesperadas e as tantas catástrofes passa por nossas cabeças que pode ser a natureza reclamando de tanta poluição, tanta degradação e maus tratos.

O egoísmo muitas vezes fala mais alto e nos trapaceia, não nos deixando enxergar que nossa própria vida depende do equilíbrio da natureza e que, sem ela não existimos. Continuamos a ignorar esses R’s tão valiosos e damos mais valor às nossas falsas necessidades de consumo, nossas vaidades e desejos, deixando na mão de Deus um futuro que só pertence a nós.


fonte: ecologianatural.com.br

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Ética nas relações humanas e nos negócios.

Os atos humanos são, na sua quase totalidade, atos relacionais. Ou seja, são atos que se realizam no relacionamento com o outro ou com os outros. É neste relacionamento que os valores tomam corpo, quando tratamos com uma ou mais pessoas, com a comunidade, com a sociedade (que seja na família, na escola, na empresa, na sociedade...).

Do ponto de vista da ética, destacaria duas atitudes que se destacam como possíveis neste relacionamento:

Ø A ética do interesse próprio
Ø A ética orientada para o outro.
Na ética do interesse próprio, você proporciona algo ao outro, porque é de seu interesse fazê-lo.
Esta perspectiva – cujas sementes foram plantadas pelo filósofo Thomas Hobbes 1,no início do século XVII – tem imensas repercussões no âmbito empresarial, principalmente nas posições de Milton Friedman, da famosa escola de Chicago e do capitalismo, ou, mais atualmente, do liberalismo e do neoliberalismo. De acordo com os seguidores dessa escola, a responsabilidade social da empresa consiste única e exclusivamente em aumentar o seu lucro, maximizar os seus retornos. Logo, tudo o que se faz na empresa e nos negócios tem por objetivo o cumprimento desta responsabilidade. A preocupação com os empregados, com a qualidade, com o bem estar da comunidade, enfim, tudo o que se faz pelos outros, justifica-se apenas se a ação resulta na maximização dos resultados econômicos da empresa ou do negócio.

2. Como limites éticos da ação neste contexto, os defensores da teoria do interesse próprio admitem apenas que tudo tem de ser praticado dentro da lei. Nesta perspectiva, aliás, conforme Hobbes, a lei resulta de um contrato que os indivíduos agrupados em comunidades ou sociedades fazem entre si, abandonando parte de suas liberdades para obter segurança.
Trata-se, portanto, de uma ética onde a vantagem econômica é o valor mais importante, visando fundamentalmente à sobrevivência.
Já a ética orientada para os outros tem por objetivo básico a valorização do outro para o benefício do todo.
Parte do princípio de que é fazendo o outro feliz que eu vou me realizar, que eu vou me sentir bem, feliz. É na medida que os outros crescem que o grupo todo, ao qual também pertenço, vai crescer. Os outros não são mais simples instrumentos de minha realização; a minha realização depende da realização da comunidade, da genuína realização de cada um dos outros.
Em termos empresariais, isto significa uma filosofia ou uma ética do serviço. É na medida que o meu produto, a maneira de produzi-lo, e tudo o que faço em relação a ele representarem um serviço para o mercado (ou seja, acrescentarem valor), é que minha empresa poderá obter um resultado econômico válido.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Tramita na Câmara Municipal o Projeto de Lei 314/09, de autoria da vereadora Elaine Matozinhos (PTB), que proíbe o Assédio Moral no âmbito da Administração Pública Municipal. De acordo com a vereadora, o projeto já conta com o apoio de alguns dos principais sindicatos envolvidos, sobretudo do SINDIBEL (Sindicato dos Servidores Públicos de Belo Horizonte).
Em seu artigo 2º, o projeto define atitudes e comportamentos que configuram a prática de assédio. De acordo com o texto, “consideram-se assédio moral a ação, o gesto, a determinação e a expressão verbal praticados por agente, servidor ou empregado da Administração pública que esteja, para tal, abusando da autoridade que lhe tenha sido conferida em razão do cargo ou da função que exerce, que tenham como objetivo ou efeito atingir a autoestima ou a autodeterminação de outro empregado.”
No parágrafo único do artigo citado, são listadas sete ações que se incluem nesse conceito, sem no entanto esgotar a matéria, uma vez que o texto inclui a expressão “entre outras”: designar servidor especializado para o exercício de função trivial ou conferir-lhe função estranha ao cargo, apropriar-se de idéia ou projeto do empregado, desprezá-lo, ignorá-lo ou humilhá-lo, divulgar boatos, subestimar seu esforço ou proferir crítica que o afete em sua dignidade são exemplos destas ações.
De acordo com o projeto, a denúncia pode ser feita pela vítima ou por autoridade que tiver conhecimento da prática, levando à abertura de sindicância ou processo administrativo para apurar a ocorrência, conduzidos por uma Comissão instituída para este fim, e deve garantir que não haverá qualquer sanção ou constrangimento sobre denunciantes ou testemunhas.

Infração gravíssima
Considerada infração gravíssima, e até mesmo criminosa, a comprovação da prática de assédio moral no âmbito da Administração Municipal acarretará penalidades para os infratores. Estão previstas desde advertência escrita, em casos menos graves, passando por suspensão e/ou multa, podendo chegar até mesmo à demissão do servidor, garantido-se amplo direito de defesa. A aplicação da penalidade leva em conta danos provocados, antecedentes funcionais e circunstâncias agravantes.
Segundo Elaine Matozinhos, que participou de debates sobre o tema, “vários profissionais que estiveram em BH apontaram como um dos efeitos do assédio moral o relevante índice de suicídios cometidos pelas vítimas desse tipo de violência, tão difícil de ser combatida”.

A discussão e apreciação da matéria mostra-se tempestiva neste momento, em que vem sendo apontada a ocorrência freqüente dessa prática na Guarda Municipal de Belo Horizonte. As denúncias foram feitas por membros da corporação e estão sendo apuradas por uma Comissão Especial na CMBH, da qual a autora do projeto é relatora.
Segundo a vereadora Elaine Matozinhos o combate de forma eficaz ao assédio moral no trabalho exige a formação de um coletivo multidisciplinar, envolvendo diferentes atores sociais: sindicatos, advogados, médicos do trabalho e outros profissionais de saúde, sociólogos, antropólogos e grupos de reflexão sobre o assédio moral. Estes são passos iniciais para conquistarmos um ambiente de trabalho saneado de riscos e violências e que seja sinônimo de cidadania.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

DIREITOS HUMANOS E A PESSOA COM DEFICIÊNCIA

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA


SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS


PORTARIA Nº 2.344, DE 3 DE NOVEMBRO DE 2010


DOU de 05/11/2010 (nº 212, Seção 1, pág. 4)

O MINISTRO DE ESTADO CHEFE DA SECRETARIA DE DIREITOS HUMANOS DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA, no uso de suas atribuições legais, faz publicar a Resolução nº 1, de 15 de outubro de 2010, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência CONADE, que altera dispositivos da Resolução nº 35, de 6 de julho de 2005, que dispõe sobre seu Regimento Interno
Art. 1º - Esta portaria dá publicidade às alterações promovidas pela Resolução nº 1, de 15 de outubro de 2010, do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência - CONADE em seu Regimento Interno.
Art. 2º - Atualiza a nomenclatura do Regimento Interno do CONADE, aprovado pela Resolução nº 35, de 6 de julho de 2005, nas seguintes hipóteses:
I - Onde se lê "Pessoas Portadoras de Deficiência", leia-se "Pessoas com Deficiência";
II - Onde se lê "Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República", leia-se "Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República"
III - Onde se lê "Secretário de Direitos Humanos", leia-se "Ministro de Estado Chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República";
IV - Onde se lê "Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência", leia-se "Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência";
V - Onde se lê "Política Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência", leia-se "Política Nacional para Inclusão da Pessoa com Deficiência";
Art. 3º - Os artigos 1º, 3º, 5º, 9º e 11, passam a vigorar com a seguinte redação:
"Art. 1º -
............................................................................

........

XI - atuar como instância de apoio, em todo território nacional, nos casos de requerimentos, denúncias e reclamações formuladas por qualquer pessoa ou entidade, quando ocorrer ameaça ou violação de direitos da pessoa com deficiência, assegurados na Constituição Federal, na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências e demais legislações aplicáveis;
XII - participar do monitoramento e implementação da Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, para que os direitos e garantias que esta estabelece sejam respeitados, protegidos e promovidos; e
............................................................................

................." (NR).

Art. 3º - Os representantes das organizações nacionais, de e para pessoa com deficiência na forma do inciso II, alínea a, do art. 2º, serão escolhidos dentre os que atuam nas seguintes áreas:
............................................................................

..............................
II - um na área da deficiência auditiva e/ou surdez;
............................................................................

..............................

IV - dois na área da deficiência mental e/ou intelectual;
............................................................................

.................... (NR).

Art. 5º - As organizações nacionais de e para pessoas com deficiência serão representadas por entidades eleitas em Assembléia Geral convocada para esta finalidade e indicarão os membros titulares e suplentes
§ 1º - As entidades eleitas e os representantes indicados terão mandato de dois anos, a contar da data de posse, podendo ser reconduzidos.
§ 2º - A eleição será convocada pelo CONADE, por meio de edital publicado no Diário Oficial da União, no mínimo 90 (noventa) dias antes do término do mandato.

§ 4º - O edital de convocação das entidades privadas sem fins lucrativos e de âmbito nacional exigirá para a habilitação de candidatos e eleitores, quetenham filiadas organizadas em pelo menos cinco estados da federação, distribuídas, no mínimo, por três regiões do País.
............................................................................

.............................

§ 6º - O processo eleitoral será conduzido por Comissão Eleitoral formada por um representante do CONADE eleito para esse fim, um representante do Ministério Público Federal e outro da Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência - SNPD, especialmente convidados paraesse fim.
............................................................................

................... (NR).
Art. 9º - Os Conselhos Estaduais e Municipais de Direitos da Pessoa com Deficiência serão representados por conselheiros eleitos nas respectivas Assembléias Gerais estaduais ou municipais, convocadas para esta finalidade.
Parágrafo único - O Edital de Convocação para a habilitação dos Conselhos Estaduais e Municipais será publicado em Diário Oficial pelo menos 90 (noventa) dias antes do início dos novos mandatos e definirá as regras da eleição, exigindo que os candidatos comprovem estar em pleno funcionamento, ter composição paritária e caráter deliberativo.
Art. 11 -
............................................................................

.........

§ 1º - A eleição do Presidente e do Vice-Presidente dar-se-á mediante escolha, dentre seus membros, por voto de maioria simples, para cumprirem mandato de dois anos.
............................................................................

..............................

§ 4º - Fica assegurada a representação do Governo e da Sociedade Civil na Presidência e na Vice-Presidência do CONADE e a alternância dessas representações em cada mandato, respeitada a paridade.
............................................................................

..............................
§ 6º - Caso haja vacância do cargo de Presidente, o Vice- Presidente assumirá e convocará eleição para escolha do novo Presidente, a fim de complementar o respectivo mandato, observado o disposto no § 4º deste artigo.
§ 7º - No caso de vacância da Vice-Presidência, o Plenário elegerá um de seus membros para exercer o cargo, a fim de concluir o mandato, respeitada a representação alternada de Governo e Sociedade Civil.
............................................................................

................... (NR).

Art. 4º - Revogam-se os §§ 1º, 2º e 3º do art. 9º da Resolução nº 35/2005.

Art. 5º - As alterações no Regimento Interno do CONADE entram em vigor na data de publicação desta Portaria.



PAULO DE TARSO VANNUCCHI


fonte:www.presidencia.gov.br

domingo, 10 de outubro de 2010

Marina é elogiada pela Ministra do Meio Ambiente

Célia Froufe, de Brasília


A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, elogiou o fato da ex-ministra Marina Silva ter levado o tema meio ambiente para debate na campanha eleitoral para a Presidência da República. “Ela colocou o tema na pauta diária. Tenho muita admiração pela ministra Marina”, disse Izabella. “A candidata apresentou uma pauta que vai além das questões ambientais. Para nós, da área de meio ambiente é importante, mas todas as outras propostas são importantes para presidência”, considerou. Marina recebeu cerca de 20 milhões de votos no primeiro turno.
Tags: eleições 2010, Izabella Teixeira, Meio Ambiente

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

CURSO DE ORATÓRIA E MARKETING PESSOAL

Recomendamos a leitura do livro acima, de autoria do Professor Claúdio de Souza, lançado em Belo Horizonte, pela Editora Lider, em sua primeira edição.

É um livro didático, indicado para advogados, empresários, educadores e todos aqueles que necessitam desmistificar e desenvolver uma comunicação envolvente e eficaz.

Para contatos e compra do livro: Professor Cláudio de Souza,
email: dr.claudius@hotmail.com
telefone: 0xx319777-9343

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

O FATOR GLOBALIZAÇÃO DA ECONOMIA

Na globalização, os produtos são desenvolvidos para a competitividade e as fábricas são dimensionadas e projetadas em centros de excelência, que são criados em alguns pontos do mundo, e esses modelos são exportados tanto para os países desenvolvidos como para países em desenvolvimento. Os produtos podem ser fabricados em um determinado país ou importados de outros países, dependendo do que for mais competitivo para a empresa. Acontece também a regionalização de produtos, que não necessariamente é realizada no país consumidor, mas no centro de excelência mais adequado. A visão mercadológica da empresa não é mais o Brasil ou um conjunto de países, mas o mundo.
Da mesma forma que as empresas industriais, os serviços têm entrado na era de globalização, grandes redes, como a KFC, McDonald’s, Carrefour, têm levado o conceito de seus serviços, seus produtos (devidamente regionalizados) e até o layout de suas lojas para diversos pontos do mundo.
Dentro dessa perspectiva deve-se buscar a competitividade na localização do empreendimento.
O CENÁRIO DA LOCALIZAÇÃO
Para uma decisão adequada quanto à localização deve-se determinar:
a) a capacidade que é necessária;
a-1) quanto é necessária;
a-2) localização dessa capacidade.

Para uma resposta adequada deve-se:
a) determinar a forma de medir a capacidade necessária;
b) determinar a demanda para os próximos anos;
c) determinar a capacidade a instalar;
d) desenvolver as alternativas;
d-1) avaliar as alternativas;
d-2) decidir qual a melhor alternativa.
MEDIDA DA CAPACIDADE
A capacidade é a máxima produção (ou saída) de um empreendimento.
A capacidade está relacionada à dimensão tempo.
Um aspecto importante é não confundir capacidade com volume. O volume de produção é o que se produz atualmente, enquanto a capacidade é o máximo que pode ser produzido.
Nas empresas de multiprodutos, não faz sentido medir a capacidade de uma montadora de veículos em função do modelo A ou do modelo B. A capacidade é expressada em termos de valor das vendas.

A capacidade também depende das horas de trabalho que são determinadas para o funcionamento da empresa. Finalmente, deve-se considerar se a capacidade deve ser medida em funcionamento de pico ou em funcionamento normal ou nominal.
Em um restaurante a capacidade deve ser medida no pico do atendimento. Em resumo, para a determinação da capacidade devemos:
a) identificar uma forma de medi-la;
b) considerar os aspectos nas empresas de multiprodutos;
c) verificar as horas de trabalho;
d) determinar se deve ou não ser considerado o pico de capacidade.

Dia da árvore é comemorado com distribuição de 500 mudas em Caruaru

Publicado em 20.09.2010, às 17h00
Do JC Online
Núcleo SJCC/Caruaru

Em comemoração ao Dia da Árvore, lembrado nesta terça-feira (21) cerca de 500 mudas de plantas serão distribuídas em Caruaru, Agreste do Estado. A distribuição será feita pelas equipes Diretoria Municipal de Meio Ambiente.

Além da entrega das mudas, moradores das principais ruas e avenidas da cidade receberão a visita de arte-educadores ambientais para orientar a população sobre a importância de preservar o meio ambiente.

Segundo a Prefeitura de Caruaru, na zona urbana do município existem inúmeros bairros com cobertura vegetal insuficiente ou quase inexistente, essa ação vem para arborizar a cidade e a área rural.

As mudas estarão sendo entregues na sede da Diretoria Municipal de Meio Ambiente que funciona no Parque Ambientalista Severino Montenegro, localizado na Avenida José Rodrigues de Jesus, s/nº, bairro Indianópolis.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Sancionada lei que cria a Universidade Luso-Afro-Brasileira

Foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva a lei que cria a Universidade Federal da Integração Luso-Afro Brasileira (Unilab). A instituição, que será instalada no município de Redenção (CE), atuará em cooperação com os países de língua portuguesa da África. As obras do campus têm início previsto para 2011. Até a conclusão, as atividades serão desenvolvidas em instalações provisórias cedidas pela prefeitura da cidade. A projeção é de que a universidade atenda 5 mil estudantes de graduação, dos quais 50% serão brasileiros e 50% de países africanos. A seleção será feita a partir do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, para os estudantes brasileiros, metade das vagas será destinada aos egressos do ensino médio público. Inicialmente a universidade abrangerá cinco áreas do conhecimento: energia e tecnologias; gestão pública; saúde pública; educação pública e agricultura. Até 2013, o quadro da instituição contará com 300 docentes e 208 técnicos administrativos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Projeto turístico municipal

Para desenvolver um Projeto Turístico Municipal, deve-se primeiro:

#Fazer um levantamento se existe um Plano Diretor para o Município - que é o instrumento global e estratégico da política de desenvolvimento urbano, determinante para todos os agentes públicos e privados que atuam no Município. É parte integrante do processo de planejamento municipal, devendo o Plano Plurianual, as Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento Anual incorporar as diretrizes e as prioridades nele contidas e planejamento nele contido quanto:
I - disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do solo;
II - zoneamento ambiental;
III - plano plurianual;
IV - diretrizes orçamentárias e orçamento anual;
V - gestão orçamentária participativa;
VI - planos, programas e projetos setoriais;
VII - planos e projetos regionais a cargo das Subprefeituras e planos de bairros;
VIII - programas de desenvolvimento econômico e social
IX - outros

#Fazer um levantamento dos dados socioeconômicos, infra-estrutura e serviços - para que possamos avaliar a riqueza da região, o nível de qualidade e quantidade das estradas, meios de transporte, acessos, bancos, hospitais,etc e se já existe profissionais habilitados ou devemos treina-los, etc

#Fazer um levantamento dos aspectos sociais, culturais e ambientais – para minimizar ao máximo os efeitos nocivos quanto às distorções dos padrões culturais, de valores e de atitudes, eliminar as diferenças sociais

#Levar em consideração a sazonalidade – pois isso afeta a migração e pode trazer conseqüências desastrosas na baixa temporada

#Estudar o Impacto na valoração dos imóveis, do comercio, indústria, etc – pois isto traz conseqüências para a população nativa

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Fórum SESI/CIESP de Sustentabilidade discute gestão ambiental e responsabilidade social





O Fórum SESI/ CIESP de Sustentabilidade promovido hoje (29) pela manhã no Centro de Atividades do SESI “Luiz Dumont Villares”, em Taubaté, reuniu cerca de 200 participantes, entre empresários, universitários e profissionais interessados no tema, para debater questões sobre gestão sustentável e responsabilidade social no ambiente corporativo.

O evento teve início com uma mesa redonda sobre Programa de conservação e reuso de recursos hídricos, moderada pelo diretor de Meio Ambiente do CIESP, Eduardo San Martin. Para dar sequência ao debate, foram apresentados projetos de sucesso realizados por empresas locais. O primeiro case, exposto pelo chefe de Utilidades e Subestação da Gerdau da unidade de Pindamonhangaba, Robson Vitor Oliva, abordou o Uso Sustentável de Água na Siderúrgica Gerdau. A segunda apresentação foi feita pelo coordenador de produção da IFF, Amarildo Sampaio, juntamente com o coordenador do Sistema de Gestão Integrada, Tiago Alcântara. Os dois falaram sobre o projeto de Recuperação de Nascente com plantio de Mata Ciliar.

A segunda mesa redonda teve como tema a Gestão da Responsabilidade Social Empresarial e foi moderada pelo diretor de Responsabilidade Social do CIESP, Vitor Seravalli. A ALSTOM, representada pela consultora de programa de melhorias, Lilian Costa, apresentou a Formare, uma escola profissionalizante dentro da empresa que oferece a jovens de baixa renda formação inicial para o mercado de trabalho. Para finalizar, o diretor da BASF, Willi Nass, tratou sobre Responsabilidade Social Corporativa e Sustentabilidade.

O Fórum de Sustentabilidade realizado pelo SESI em parceria com o CIESP tem acontecido em várias cidades do Estado de São Paulo desde 2009 e tem como objetivo gerar propostas e soluções que agreguem valor à sustentabilidade dos negócios. “A ideia é incentivar empresas que já estão focadas em um modelo de gestão sustentável a continuar realizando seus trabalhos e motivar quem ainda não começou a pensar sobre isso, a tomar iniciativa e implementar ações sociais e ambientais no ambiente corporativo”, resumiu Eduardo San Martin.


Fonte: http://vozdovaleonline.com.br.nrserver10.net/blog/?p=8677

terça-feira, 27 de julho de 2010

ESTÁGIOS EM UMA CARREIRA

Existem cinco estágios em uma carreira.

1 - O primeiro estágio é aquele em que um funcionário precisa usar crachá, porque quase ninguém na empresa sabe o nome dele.

2- No segundo estágio, o funcionário começa a ficar conhecido dentro da empresa e seu sobrenome passa a ser o nome do departamento em que trabalha..

Por exemplo, "José de contas a pagar."

3- No terceiro estágio, o funcionário passa a ser conhecido fora da empresa e o nome da empresa se transforma em sobrenome. "José da usina tal."

4- No quarto estágio, é acrescentado um título hierárquico ao nome dele: "José, Gerente da usina tal."

5- Finalmente, no quinto estágio, vem a distinção definitiva. Pessoas que mal conhecem o José passam a se referir a ele como 'o meu amigo José, Gerente da usina tal'.
Esse é o momento em que uma pessoa se torna, mesmo contra sua vontade, 'um amigo profissional'.

Existem algumas diferenças entre um amigo que é amigo e um amigo profissional:
Amigos que são amigos trocam sentimentos. Amigos profissionais trocam cartões de visita.
Uma amizade dura para sempre. Uma amizade profissional é uma relação de curto prazo e dura apenas enquanto um estiver sendo útil ao outro.
Amigos de verdade perguntam se podem ajudar. Amigos profissionais solicitam favores.
Amigos de verdade estão no coração. Amigos profissionais estão em uma planilha.

É bom ter uma penca de amigos profissionais. É isso que hoje chamamos networking, um círculo de relacionamentos puramente profissional.

Mas é bom não confundir uma coisa com a outra.

Amigos profissionais são necessários. Amigos de verdade, indispensáveis.

Imagine você um dia descobrir que tinha bem mais amigos do seu cargo do que da sua pessoa!

Algum dia (e esse dia chega rápido) os únicos amigos com quem poderemos contar serão aqueles poucos que fizemos quando amizade era coisa de amadores e não de profissionais.

Por isso preservem as amizades verdadeiras porque os amigos da tua posição desaparecerão, os amigos da sua pessoa permanecerão do teu lado."

quarta-feira, 21 de julho de 2010

ETICA EMPRESARIAL

CONCEITO


Para definir sua ética, sua forma de atuar no mercado, cada empresa precisa saber o que deseja fazer e o que espera de cada um dos funcionários. As empresas, assim como as pessoas têm características próprias e singulares. Por essa razão os códigos de ética devem ser concebidos por cada empresa que deseja dispor desse instrumento. Códigos de ética de outras empresas podem servir de referência, mas não servem para expressar a vontade e a cultura da empresa. que pretende implantá-lo.

O próprio processo de implantação do código de ética cria um mecanismo de sensibilização de todos os interessados, pela reflexão e troca de idéias que supõe.
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CONTEÚDO
O conteúdo do código de ética é formado de um conjunto de políticas e práticas específicas, abrangendo os campos mais vulneráveis. Este material é reunido em um relatório de fácil compreensão para que possa circular adequadamente entre todos os interessados. Uma vez aprimorado com sugestões e críticas de todos os envolvidos o relatório dará origem a um documento que servirá de parâmetro para determinados comportamentos, tornando claras as responsabilidades.

Efetuado um expurgo, determinadas assertivas serão aproveitadas para a criação de um código de ética, enquanto outras podem servir para um Manual de ética. Várias organizações têm optado por definir com clareza, no código, ações disciplinares em casos de violação dos artigos. Muitas vezes o descumprimento das determinações contidas no código de ética podem ser passíveis de punições já previstas nas legislações trabalhistas, de responsabilidade civil, penal, e outras.

Entre os inúmeros tópicos abordados no código de ética, predominam alguns como respeito às leis do país, conflitos de interesse, proteção do patrimônio da instituição, transparência nas comunicações internas e com os stakeholders da organização, denúncia, prática de suborno e corrupção em geral.

As relações com os funcionários, desde o processo de contratação, desenvolvimento profissional, lealdade entre os funcionários, respeito entre chefes e subordinados, saúde e segurança, comportamento da empresa nas demissões, entretenimento e viagem, propriedade da informação, assédio profissional e sexual, alcoolismo, uso de drogas, entre outros, são aspectos que costumam ser abordados em todos os códigos.

Dentre os problemas éticos de maior conhecimento público estão aqueles referentes às relações com os consumidores, e sujeitos aos enquadramentos da lei de defesa do consumidor, incluindo-se práticas de marketing, propaganda e comunicação, qualidade do atendimento e reparações no caso de serem causados danos.

Quanto à cadeia produtiva, envolvendo fornecedores e empresas terceirizadas, o código de ética pode estabelecer condutas de responsabilidade social, respeito à legislação, eventual conduta restritiva, bem como estimular a melhoria dos parceiros visando um crescimento profissional e mercadológico conjunto.

O código de ética pode também fazer referência à participação da empresa na comunidade, dando diretrizes sobre as relações com o sindicatos, outros órgãos da esfera pública, relações com o governo, entre outras.

Um aspecto extremamente atual é o da privacidade de informações, que atinge particularmente funcionários, fornecedores e consumidores. Importa levar-se em conta a sofisticada tecnologia disponível das gravações, filmagens e outros recursos de telefonia, informática e comunicação.

Relações com acionistas, estabelecimento de políticas de convivência com os concorrentes, também são pontos que devem constar do código de ética.


VANTAGENS
O código de ética de uma instituição, seja ela governo, empresa, ou ONG- Organização não governamental, teoricamente só pode ser vantajoso para os seus vários públicos com os quais interage, eis que fortalece a imagem da organização.

Enquanto muitos executivos apenas vêem um modismo capaz de capitalizar benefícios ou dividendos, outros têm se desdobrado para criar um instrumento genuíno, com adesão voluntária de todos os integrantes da organização, incorporando de maneira natural e profissional os princípios éticos da instituição.

A adoção de um código de ética é uma ótima oportunidade de aumentar a integração entre os funcionários da empresa e estimular o comprometimento deles. Ademais, o código de ética permite a uniformização de critérios na empresa, dando respaldo para aqueles que devem tomar decisões. Serve de parâmetro para a solução dos conflitos. Protege , de um lado, o trabalhador que se apoia na cultura da empresa refletida nas disposições do código. De outro lado, serve de respaldo para a empresa, por ocasião da solução de problemas de desvio de conduta de algum colaborador, acionista, fornecedor, ou outros.

O código de ética costuma trazer para a empresa harmonia, ordem transparência, tranqüilidade, em razão dos referenciais que cria, deixando um lastro decorrente do cumprimento de sua missão e de seus compromissos.

É absolutamente imprescindível que haja consistência e coerência entre o que está disposto no código de ética e o que se vive na organização. Caso contrário, ficaria patente uma falsidade que desfaz toda a imagem que a empresa pretende transmitir ao seu público. Essa é a grande desvantagem do código de ética.

Há, ainda, aqueles que, considerando que a consciência ética dos integrantes de uma organização, desde os mais altos executivos até o mais simples funcionário, é um patrimônio do indivíduo, defendem a desnecessidade de se implantar códigos de ética, já que a atuação de cada um propiciará , por via de conseqüência, um ambiente ético.

Com efeito, a conduta ética das empresas é o reflexo da conduta de seus profissionais. Tal conduta não se limita ao mero cumprimento da legislação, sendo o resultado da soma dos princípios morais de cada um de seus integrantes. Assim como a educação , a ética vem do berço. A conduta ética, portanto, que se espera das empresas vai muito além do simples cumprimento da lei, mesmo porque, pode haver leis que sejam anti éticas ou imorais. Importa que os homens de negócios sejam bem formados, que os profissionais sejam treinados, pois o cerne da questão está na formação pessoal. Caso contrário, a implantação do código de ética será inócua.


*Maria do Carmo Whitaker é Advogada, Consultora de empresas na área de Ética, Professora Universitária e Coordenadora do Site de Ética Empresarial do Portal Academus.
*Maria Cecilia Coutinho de Arruda é fundadora do Cene-FGV- EAESP- Centro de Estudos de Ética nas Organizações da Fundação Getúlio Vargas e Vice-presidente da ISBEE - International Society for Business, Economics, and Ethics.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

UM GRANDE EMPREENDEDOR

Esta é a história de Alex Fabiane, um empresário bem sucedido, que atua no ramo de hardware e software. O nome de sua empresa é: HARDWARE CORPORATION LTDA.
Sempre atualizado, busca novas tecnologias de produção e estratégias de vendas.
Pioneiro no ramo de informática, na cidade de Sete Lagoas, procura sempre inovar para não falecer no mercado de trabalho. Possui um sistema de atendimento em domicílio, personalizado, conforme a necessidade do cliente.
Não possui a ingenuidade dos antigos desbravadores, mas uma visão holística do mundo empresarial, que garante, há dez anos, o sucesso de sua empresa. E isto mostra que ele tem a visão de um desbravador.
Aprendeu a usar, com sabedoria, a técnica dos dez chapéus do grande empreendedor, os quais são:

• Comandante  Dá as ordens, conduz. É respeitado por suas ações.
• Desbravador  Cria mudanças e antecipa os fatos.
• Visionário  Tem grande visão do mercado de trabalho e das necessidades da empresa.
• Empresário  Administra com objetividade.
• Atleta  Sabe separar momentos para o lazer. Administra bem o seu tempo.
• Juiz  Usa de imparcialidade. Não julga pela aparência e sim pela competência.
• Estudante  Esta sempre buscando aprimorar-se.
• Treinador  Promove cursos e treinamentos.
• Super-Vendedor  Promove campanhas inovadoras.
• Professor  Cria um ambiente de estudo na organização

E utiliza-os de acordo com cada situação vivida em sua empresa.
No exercício de sua função, Alex Fabiane é procurado por seus colaboradores diretos para solução de problemas do cotidiano na sua empresa.

Dez horas da manhã Alex é procurado por Jeovany Carvalho, gerente de produção, que estava com dificuldades na área de produção.


- Sr. Alex, temos uma grande dificuldade!
- Pois, não, Jeovany. Vamos lá. Qual é a dificuldade?
- De acordo com as últimas planilhas, nossa fabricação não está sendo suficiente para atender nossos pedidos.
- Bem Jeovany! Vamos criar uma nova estratégia para aumentar a produção. Vamos pagar os funcionários por número de peças produzidas.

Trinta dias depois...

- Sr. Alex, venho comunicar-lhe que nossa produção aumentou 45,8% depois de nossa nova estratégia. - Disse Jeovany, todo contente.
- Ótima notícia! Quer dizer que atingimos o nosso objetivo. - Exclamou Alex.
- Sim, Sr. Alex, isso nos mostra que o senhor usou muito bem o seu “chapéu de visionário”.
Em outro momento...
Alex estava muito preocupado com a quantidade de relatórios que tinha para examinar e nem se lembrava mais que havia marcado um compromisso com sua namorada Jackeline.
- Sra. Marta, ligue para a pizzaria e peça uma pizza, porque hoje preciso trabalhar até mais tarde, pois tenho que ler uns relatórios muito importantes. - disse Alex.

Neste instante aparece Jackeline, sua namorada, toda sorridente e convicta que iria ao teatro com ele.

- Alex, você está pronto? - Perguntou Jackeline.
- Pronto para que? - perguntou Alex.
- Nós não tínhamos combinado ir ao teatro e depois jantarmos? Não me diga que esqueceu? - disse Jackeline meio brava.
- Nossa! É verdade! Sabe que eu me esqueci! Desculpe querida, mas não vai ter jeito. Esses relatórios não podem esperar. Vamos ao teatro outro dia, está bem? - disse Alex meio sem jeito.
- Claro, Alex! Os relatórios não podem esperar... Eu quem espero sempre. Então fique você com seus papéis que eu vou ao teatro sozinha. - disse Jackeline indignada.

Alguns minutos depois, Alex chama D. Marta:
- Sra. Marta, cancele o pedido da pizza e peça ao garagista que retire meu carro com urgência.
- Vou ao teatro encontrar a Jackeline. Ver se ainda há tempo de salvar nosso relacionamento. - pensou Alex.
Minutos depois, no teatro, estava Alex ,ao lado da Jackeline, todo feliz por salvar o seu relacionamento. Afinal um empresário de sucesso também precisa ter seus momentos de lazer...Alex pôs em prática o seu “Chapéu do Atleta”.

Numa segunda-feira...

Adriana Faria, Gerente do R.H., procura Alex para falar a respeito do Mário, um funcionário que sempre foi exemplar:

- Sr. Alex, o Mário está totalmente mudado. Não tem executado suas tarefas em tempo hábil, anda desanimado, chega sempre atrasado e ainda está desmotivando seus colegas de seção. Acho melhor demiti-lo.
- Mas Adriana, ele está conosco há 10 anos, neste tempo, foi sempre muito dedicado. Você já procurou conversar com ele e saber o que está se passando?
- Já. Mas não adiantou. Ultimamente ele está sempre mal humorado, não quer conversa com ninguém. - disse Adriana, taxativa.
- Estranho... Mário sempre foi tão pontual, alegre, amigo. Já apresentou várias sugestões para melhoria do setor de R.H. - disse Alex, um tanto pasmo.
- É Sr. Alex, mas isso é coisa do passado...
- Cabe a nós, Adriana, sabermos o motivo dessa mudança radical. Chame o Mário e procure ouvi-lo.
Assim fez Adriana...
- Mário, Sr. Alex e eu, estamos preocupados com sua mudança de comportamento. Gostaria de saber o que está te aborrecendo tanto.
- Não é nada não, D. Adriana. Está tudo bem. - exclamou Mário.
- Não, Mário, sei que tem algo muito errado e precisamos discutir. - insistiu Adriana.
- Está bem. A Sra. Tem razão. Eu ando muito desmotivado. Semana que vem completarei 10 anos na empresa, sempre vesti com prazer a camisa da HARDWARE COORPORATION.
- Sim Mário é verdade. Tanto o Sr. Alex, quanto eu sabemos disto.
- Sinceramente não parece. Estou me sentindo descartado.
- Não é nada disso Mário, você é muito importante na empresa
- Não parece. Minhas opiniões não são mais ouvidas.

Algumas semanas depois...


- Sr. Alex. É sobre o Mário. - disse Adriana
- Ah! Sim. Então Adriana!
- Conforme sua orientação, chamei o Mário para uma conversa franca.
Analisei as causas de seu mal desempenho. Separei o joio do trigo. Priorizei as necessidades do Mário, conforme sua escala de valores.
- E deu certo? - perguntou Alex.
- Claro! Mário voltou a ser o que era antes.




- Quer dizer, Adriana, que você tomou emprestado o meu “chapéu de Juiz”?
- Sim, Sr. Alex. Estes seus chapéus são sempre úteis.
E os dois sorriram contentes por conseguirem solucionar mais um problema da empresa, com a ajuda da técnica dos chapéus do grande empreendedor.

Juliana – Gerente de Vendas:


- Sr. Alex, precisamos reunir todo o departamento para tratarmos da reestruturação de um organograma para nossas vendas.

Mais tarde.... na reunião...

- Juliana, qual é o primeiro assunto da pauta desta reunião? - perguntou Alex.
- O Setor de Software. Não estamos atingindo o público alvo de maneira satisfatória. - respondeu Juliana.
- Quero ouvir as opiniões e depois faremos um apanhado geral das idéias.

Neste momento, Elísio – Sub-gerente de vendas, toma a palavra:

- É isso mesmo, nosso principal concorrente está com um preço mais baixo nos principais programas. Há cinco dias não vendemos um software.
- Temos que reverter esse quadro. - disse Juliana.
- Continuo ouvindo... - disse Alex.

- Sinceramente não sei como. - disse Elísio.
- E se lançarmos uma promoção? - diz Alex, todo eufórico. _ “Na compra de um programa fiscal, que é nosso carro chefe, ganha-se um programa de contabilidade”. O que me dizem?
- Claro! O programa fiscal precisa de constante manutenção, teremos a fidelização do cliente... - Juliana fala, cheia de expectativas.
- Tenho boas idéias para o lançamento deste projeto. Vai ser um sucesso. - afirma Elísio, todo confiante.


E assim saem Juliana e Elísio estimulados e cheios de expectativas e fica Alex satisfeito por ter sabido utilizar do seu “chapéu de Super-Vendedor.”


Fátima – Assistente Social da HARDWARE CORPORATIONS estava em sua sala, quando recebeu um chamado do Sr. Alex:

- Sra. Fátima, dê uma chegadinha em minha sala por favor.
- Pois não, um momento. - diz Fátima.
- Fátima, a empresa necessita que a Sra. lidere um programa de treinamento para melhora da performance de nossos funcionários. - Diz Alex categórico.
- Que ótimo, Sr. Alex! Em alguns setores estamos mesmo precisando de maior desempenho dos liderados. - exclamou Fátima, entusiasmada.
- Mas, Fátima, lembre-se: indivíduos diferentes, motivações também.
- Claro Sr. Alex, usarei seu “chapéu de treinador”.

O treinamento foi um sucesso e mostrou que temos que ser como um time, cada um precisa aprender a desempenhar o seu papel. A desenvolver-se e melhorar sempre.


Após o treinamento, Fátima procurou Vânia para compartilhar com ela os benefícios que ele promoveu em sua vida profissional e se lembraram do dia em que Alex se utilizou do chapéu de estudante. Fátima disse para Vânia:

- Alex, sem dúvida, utilizou muito o seu “chapéu de estudante”, pois procura estar sempre atualizado. Lê cinco jornais por dia. Está sempre fazendo cursos de pequena ou longa duração na área de informática. Aceita com serenidade e sabedoria as críticas e opiniões dos seus comandados. E isto nos ensina que devemos estar sempre buscando o conhecimento.

Alex procurou Vânia, Assistente da Diretoria, para marcar uma reunião urgente.

- Sra. Vânia, por favor, marque uma reunião com todos os gerentes de departamento.
- Qual o motivo? - perguntou Vânia, meio assustada.
- Estive pensando, ou melhor, usando meu “chapéu de professor”, e cheguei à conclusão que devemos desenvolver na empresa o desejo de aprender; criar ambiente para estimular a pesquisa. - disse Alex, pensativo.
- Ótimo! Vamos colher sugestões. A empresa está disposta a investir em novos recursos e tecnologia? - disse Vânia com grande expectativa.

- Sim. E temos que dar exemplo, ir na frente. Depois desta reunião, irei a São Paulo fazer um curso na escola estadual de informática. - disse Alex, categórico.
- Li na última edição de VOCÊ S/A que nessa escola estão ministrando um curso com tecnologia de ponta Microsoft. - afirmou Vânia.
- Isso aí, Vânia, mãos à obra.

Enquanto Alex viajava, Vânia tomou suas providências conforme solicitado.
Convocou Elísio, Jeovany, Fátima e Adriana para uma reunião administrativa.

Na reunião da gerência administrativa...

- Pessoal, vocês devem estar curiosos para saber o motivo desta reunião. - disse Vânia.
- É, Vânia, achei estranho você nos chamar assim que o Alex viajou. - disse Jeovany.
- Tenho certeza que vocês me apoiarão. No próximo mês haverá, na cidade, entrega de um prêmio para os melhores empresários do ano passado. - Disse Vânia.
- Já sei. Eles concederão esse prêmio para o Sr. Alex. - disse Juliana.
- Ouvi dizer que esses empresários são inscritos pelos próprios funcionários. - disse Fátima.
- Mas, esses homenageados não têm que preencher alguns requisitos preestabelecidos? - perguntou Adriana.
- Não. Basta que façamos uma carta à comissão organizadora, descrevendo o perfil do nosso patrão, assinada por todos os funcionários. - explicou Vânia.
- Entendi! É isto que faremos agora. - exclamou Elísio.
- Fátima, você começa. - disse Vânia.

- O Alex sempre demonstrou talento e competência. Está sempre identificando as oportunidades. - disse Fátima.
- Antecipa tecnologia. Está sempre à frente de qualquer projeto. - disse Jeovany.
- Impulsiona pessoas e idéias. - disse Adriana.


- Centraliza e descentraliza poderes. - disse Juliana.

- Exerce sempre uma administração por objetivos. É um grande planejador.
- disse Elísio.

- Bem! Penso que podemos concluir. - disse Vânia.
- O Sr. Alex não só usa sempre seu “chapéu de empresário”, como também será o “Empresário do Ano”. - concluiu Adriana.


CONCLUSÃO:

Decidimos contar está história desse tão bem sucedido empreendedor, usuário de todos esses chapéus, que compõe a imagem do empresário, que muitos sonham ser no futuro, ou do patrão que desejam ter.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DIREITO EMPRESARIAL

silvania mendonça almeida margarida

1 Introdução

Este trabalho versa sobre os bens integrantes da propriedade industrial, ensejando uma idéia profissionais do Direito, de forma a regular a conduta moral e profissional e indicar normas que devem inspirar o exercício das atividades profissionais, é matéria de alta relevância para o exercício profissional, no que diz respeito à invenção, desenho industrial, marca, dentro outros.

2 Bens integrantes da propriedade industrial

As leis reconhecem segundo Bertoldi (2009, p.114) os bens integrantes da propriedade industrial a invenção, o modelo de utilidade, o desenho industrial e a marca.
A Lei 9.279/96 não apresenta conceito do que seja invenção, mas traz um critério de exclusão que deve ser utilizado para identificá-la. Estabelece o art. 10 da referida lei que não são consideradas invenções as descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; concepções puramente abstratas; esquemas, planos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, publicitários, de sorteio e de fiscalização; as obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética; programas de computador; apresentação de informações; regras de jogo; técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos e de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou no animal; o todo ou parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer ser vivo natural e os processos biológicos naturais.
2.1 Direito Industrial versus Direito Autoral (diferenças)
Para Bertoldi (2009, p. 118) o direito industrial garante a exploração, com exclusividade do objeto protegido (invenção, modelo de utilidade, desenho industrial e marca) àquele que requerer em primeiro lugar referido privilégio, pouco importando quem seja o autor da invenção, modelo de utilidade, desenho industrial ou marca. Ao contrário, o autor da obra literária, científica, artística ou de programa de computador tem o direito de reivindicar a exclusividade de exploração da obra, mesmo que não tenha efetuado qualquer registro, bastando que comprove ser o autor. Assim, o direito industrial decorre de um ato administrativo de natureza constitutiva (requerimento de patente ou registro junto ao INPI), enquanto o direito autoral decorre não de um ato administrativo, mas sim da própria criação da obra. Um eventual registro tem natureza meramente declaratória.
2.2 Patenteabilidade (conceito)
São patenteáveis a invenção e o modelo de utilidade. Estabelece o art. 8º. do CPI que, para a patente ser concedida, a invenção deve preencher os seguintes requisitos:
a) Novidade: a invenção não deve ser compreendida no estado de técnica, não pode ser de conhecimento público da data do depósito da patente. O estado de técnica significa tudo que é acessível ao público. Se há a acessibilidade do público, principalmente para estudiosos, não se faz presente o requisito de novidade.
b) Atividade inventiva: a criação deve ser original, não podendo, ser um desdobramento daquilo que já é de domínio público.
c) Aplicação industrial: Somente obtém a patente a invenção ou modelo de utilidade que possa ser utilizado na indústria ou produzido mediante escala industrial.
2.3 Segredo industrial
Diante de um invento ou de um modelo de utilidade, não está o empresário obrigado a depositá-lo junto ao INPI – esta é uma faculdade que lhe assiste. Se entender mais conveniente, seu titular poderá guardá-lo em segredo, não disponibilizando ao público os métodos, os projetos, as composições que materializam seu invento. Optando pela patente, o titular do invento terá garantida sua utilização exclusiva durante determinado período de tempo, após o qual seu invento cairá em domínio público, podendo ser utilizado por qualquer um. Nosso ordenamento jurídico protege o segredo industrial. O art.195 do Código de Propriedade Industrial considera que se comete crime de concorrência desleal aquele que divulga, explora ou se utiliza, sem autorização, de conhecimentos, informações e dados confidenciais utilizados na indústria.


2.4 Registrabilidade
Se a patente se refere à invenção e ao modelo de utilidade, o registro diz respeito ao registro industrial e à marca. No que se refere ao desenho industrial, para que possa ser registrado, e, portanto, ter o seu criador direito de exclusividade sobre ele, devem estar presentes dois requisitos:
a) novidade: a exemplo do que ocorre com a invenção, o desenho industrial é considerado novo em seu estado de técnica.
b) Originalidade: é original aquele desenho industrial quando ele resulta em configuração visual distintiva, em relação a outros objetos, mesmo que decorrente da combinação de elementos já conhecidos.
Quanto ao registro da marca o Código de Propriedade Industrial foi bastante abrangente ao determinar que são registráveis como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais (art.122). O critério a ser utilizado é, portanto, o de exclusão, de modo a verificarmos quais as marcas que não podem ser registradas, para então identificarmos quais estarão aptas a ser registradas. A marca deverá ter como característica a novidade. O artigo 124, por sua vez, traz extensa lista na qual constam todas as hipóteses em que não se admite registro de marcas. É o caso, exemplificativamente, de brasões, armas, medalhas, dentre outros; indicação geográfica, pseudônimo ou apelido notoriamente conhecidos, nome artístico singular ou coletivo, salvo consentimento do titular, herdeiros e sucessores, reprodução ou imitação, no todo ou em parte, ainda que com acréscimo, de marca alheia registrada, para distinguir ou certificar produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com marca alheia; sinal que emite ou reproduza, no todo ou em parte, marca que o requerente evidentemente não poderia desconhecer em razão de sua atividade, cujo titular seja sediado ou domiciliado em território nacional ou em país com o qual o Brasil mantenha acordo ou que assegure reciprocidade de tratamento, se a marca se destinar a distinguir produto ou serviço idêntico, semelhante ou afim, suscetível de causar confusão ou associação com aquela marca alheia. Todos os itens elencados estão no CPI.

2.5 Processo administrativo junto ao INPI
No que diz respeito à concessão de patente para o autor da invenção ou do modelo de utilidade, a lei brasileira adota o sistema do “primeiro a depositar”, em oposição ao sistema “primeiro a inventar”. Segundo nosso regime legal, presume-se o requerente legitimado a obter a patente, independente de ter sido ele ou não aquele que efetivamente criou por primeiro. O pedido de patente deverá ser apresentado ao INPI acompanhado de: a) requerimento; b) relatório descritivo; c) reivindicações; d) desenhos, se for o caso; e) resumo; e f) comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito.
O INPI irá estabelecer exigências que serão cumpridas no prazo de 30 dias, sob pena de devolução ou arquivamento da documentação. Cumpridas as exigências, o depósito será considerado como efetuado na data do recibo; caso contrário, aquela data não mais será levada em consideração.
O requerimento mencionado diz respeito ao pedido escrito da patente, mediante preenchimento de formulário-padrão fornecido pelo próprio INPI, onde deverão constar informações básicas relativas à invenção ou ao modelo de utilidade, tais como o nome e qualificação do depositante e do inventor, tipo de patente que se requer etc. Existe também o relatório descritivo, lugar onde se descreve pormenorizadamente o objeto, de modo a possibilitar sua realização, técnica e forma de execução.
O prazo de sigilo é de dezoito meses contados da data do depósito do pedido de patente. Somente após a concessão da patente é que será possível a terceiro interessado requerer sua nulidade, mediante a instauração de processo administrativo específico no prazo de seis meses contados da concessão da patente.
Quanto ao registro do desenho industrial, deverá ser encaminhado mediante requerimento acrescido de relatório descritivo, reivindicações, desenhos ou fotografias, descrição do campo de sua aplicação e comprovante do pagamento da retribuição relativa ao depósito. Caso os desenhos ou fotografias sejam suficientes para descrever o objeto de proteção, serão dispensáveis tanto o relatório quanto as reivindicações. O pedido deverá ser sigiloso caso seja requerido pelo depositante, e somente pelo prazo de 180 dias contados da data do depósito. O INPI examina somente os requisitos formais do pedido mediante a análise dos documentos apresentados, sendo o registro automático e imediatamente concedido após publicação do pedido. O exame do mérito, relativo aos aspectos de novidade e originalidade, somente se dá mediante provocação do próprio titular do desenho industrial, ou então por iniciativa de terceiro com legítimo interesse, ou ainda de ofício pelo próprio INPI.
No que se refere ao registro de marca, deverá ele referir-se somente a um sinal distintivo, devendo conter: a) requerimento; b) etiquetas, quando for o caso; c) comprovante de pagamento da retribuição relativa ao depósito (art.155). Apresentado o pedido, será ele submetido ao exame formal preliminar e, se devidamente instruído, será protocolizado, considerando a data de depósito a da sua apresentação. Se o pedido não atender as formalidades legais, mas contiver algumas características, deve-se atinar para o prazo de cinco dias, cumprindo-se as exigências que faltam.
Após mencionado protocolo do pedido de registro da marca perante o INPI, será ele publicado para apresentação de eventuais oposições de terceiros, no prazo de sessenta dias (art.158). Havendo oposição, o depositante será intimado para se manifestar igualmente no prazo de sessenta dias. Decorridos os sessenta dias do protocolo do pedido de registro, ou após a apresentação de eventual oposição, o INPI deverá proferir decisão deferindo ou não o pedido de registro. Após tramitações será concedido o certificado de registro após deferido o pedido. Poderá ser proposto procedimento de nulidade dentro de prazos legais e acordados com o INPI. A ação judicial de nulidade deverá ser intentada no prazo de cinco anos.
2.6 Prioridade
O artigo 16 do Código de Propriedade Industrial estabelece que será assegurado direito de prioridade ao pedido de patente ou registro industrial apresentados em país que mantenha acordo com o Brasil, ou em organização internacional. Dessa forma, se houver interesse do titular da propriedade industrial, devidamente depositada em outro país, em expandir seu direito ao território brasileiro, deverá reivindicar a prioridade no prazo máximo de doze meses, em se tratando de invenção e modelo de utilidade, e, em seis meses, no caso de desenho industrial ou marca, sempre contados da data do primeiro pedido. Dessa forma, para o preenchimento do requisito da novidade, a data que valerá no Brasil será a do primeiro pedido depositado no exterior, desde que seja reivindicada a prioridade no prazo mencionado.
2.7 Extinção do direito industrial
O Código menciona que o direito industrial extingue-se: a) pela expiração do prazo de vigência ; b) pela renúncia de seu titular; c) pela caducidade; d) pela falta de pagamento da retribuição periódica; e e) se o titular do direito industrial não for domiciliado no Brasil e não tiver representante legal no País (arts.78, 119, 142 e 217). A extinção significa que objeto protegido pelo direito industrial cairá no domínio público e qualquer pessoa poderá utilizá-lo livremente sem que seu antigo titular possa apresentar qualquer tipo de oposição.
A expiração do prazo de vigência do direito industrial é diferente para cada um dos bens industriais. A patente de invenção vigora pelo prazo de vinte anos, e a do modelo de utilidade pelo prazo de quinze anos, contados do depósito, sendo que o prazo de vigência nunca será inferior a dez anos para a patente de invenção e a sete anos para a patente de modelo utilidade, a contar da data de concessão do privilégio, ressalvada a hipótese de o INPI estar impedido de proceder ao exame do mérito do pedido, por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior.
No caso do desenho industrial, o prazo de vigência será de dez anos contados da data do depósito e, ao contrário da patente, poderá ser prorrogado por até três períodos sucessivos de cinco anos cada, o que perfaz um total de 25 anos.
O registro da marca vigora pelo prazo de dez anos, contados da data da concessão, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. A marca é o único bem industrial que não tem um limite máximo de vigência: desde que providenciadas as prorrogações sucessivas, a marca vigorará enquanto for de interesse de seu titular.
O titular da patente que não explorar a invenção ou modelo de utilidade poderá ficar sujeito a ter a patente compulsoriamente licenciada a outra pessoa, e se verificada sua utilização de forma abusiva, ou então se não for explorada pelo prazo de três anos, contados da concessão da primeira licença compulsória, caducará a patente se não cessados o abuso ou o desuso ensejadores da licença compulsória, caindo em domínio público a invenção ou o modelo de utilidade.
O registro da marca caducará a requerimento de qualquer pessoa que demonstre legítimo interesse, decorridos cinco anos da sua concessão, desde que a) o uso da marca não tiver sido iniciado no Brasil; b) o uso da marca tiver sido interrompido por mais de cinco anos consecutivos, ou se, no mesmo prazo, a marca tiver sido usada com modificação que implique alteração do seu caráter distintivo original, tal como constante do certificado do registro.
2.8 Invenção, modelo de utilidade, desenho industrial e marca
Invenção, é, portanto, o produto da inteligência humana que objetiva criar bens até então desconhecidos, para aplicação industrial. Difere da descoberta, na medida em que esta significa a revelação de algo já existente na natureza, enquanto aquela diz respeito à criação de algo até então inexistente.
O modelo de utilidade nada mais é do que o instrumento, utensílio ou objeto destinado ao aperfeiçoamento ou melhoria de uma invenção preexistente. O modelo de utilidade tem como ponto de partida um objeto já inventado e o objetivo é melhorar, ampliar ou modificar sua utilização.
Desenho industrial é a forma plástica ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas e cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado visual novo e original na sua configuração externa e que possa servir de tipo de fabricação industrial. O seu autor procura tão-somente agregar ao produto particularidades visuais, de molde a diferenciá-lo aos olhos do consumidor, dotando-o de características estéticas que propiciem ou facilitem sua comercialização.
A marca faz parte da estratégia de persuasão da qual lança mão o empresário, sempre com o objetivo de distinguir seu produto ou serviço em relação aos seus concorrentes. Estabelece o Código de Propriedade Industrial que “são suscetíveis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis” .
2.9 A importância e a prioridade
Cada etapa da propriedade industrial, seja a invenção, o modelo de utilidade, o desenho industrial e a marca permeiam a capacidade de criação que a natureza humana possui. A importância e a prioridade estão disseminadas ao longo do texto sugerido por Bertoldi (2009).
2.10 Nome empresarial e marca
Se a marca é o sinal visualmente perceptível que tem como função distinguir produtos ou serviços colocados à disposição do público consumidor, o nome empresarial, ao contrário, identifica o sujeito de direito que comercializa, fabrica ou produz os produtos ou presta os serviços que serão, por sua vez, diferenciados dos demais existentes no mercado pela marca.
Existem duas espécies de nome empresarial: a firma e a denominação. A firma divide-se, ainda, em firma individual e firma social ou razão social. A firma individual é constituída pelo nome do comerciante singular – pessoa física, que, ao explorar a atividade empresarial, deve necessariamente utilizar seu próprio nome, por extenso ou de forma abreviada, para designar seu nome empresarial que será conhecido na praça. A firma social ou razão social, por sua vez, serve para individualizar algumas sociedades empresárias – pessoa jurídica.
Existem diferenças entre a marca e o nome empresarial. A primeira diferença diz respeito ao órgão onde são registrados. Enquanto a marca deve ser registrada no INPI, de âmbito nacional, o nome empresarial ganha proteção jurídica com o arquivamento dos atos constitutivos. A segunda diferença refere-se ao fato de que a marca é protegida somente nos limites da classe de produtos ou serviços em que foi registrada, enquanto o nome empresarial garante exclusividade ao seu titular em relação a toda e qualquer atividade econômica. Diante da terceira divergência encontramos no prazo de duração da proteção jurídica. A marca vigora pelo prazo de 10 anos, prorrogável por períodos iguais e sucessivos dependendo de requerimento do titular. O nome empresarial, por sua vez, tem duração coincidente com a duração do próprio empresário enquanto estiver em atividade.




3 Conclusão
Pode-se captar que o Direito de propriedade tem regime jurídico específico, sendo que para cada bem integrante da propriedade industrial há uma prioridade. Dividem-se em invenção e modelo de utilidade com respectivas patentes; em contrapartida o desenho industrial e a marca contêm o registro de cada um. A marca de acordo com o CPI pode ser de serviço ou produto, certificação ou coletiva. Quanto à forma ou apresentação pode ser nominativa, figurativa, mista e tridimensional.
A extinção da patente de invenção é de 20 anos; do modelo de utilidade 15 anos. O registro do desenho industrial 10 anos, com 3 prorrogações de 5 anos cada e o registro de marca tem 10 anos prorrogáveis por iguais períodos.
O nome empresarial e a marca têm o órgão de registro, o limite de proteção e o prazo de duração, sendo que, havendo colidência entre marca e nome empresarial, prevalece o mais antigo.

Referência
BERTOLDI, Marcelo M. Curso avançado de direito comercial. 5.ed. ver.e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2009.

sábado, 3 de julho de 2010

A participação plena de todo cidadão só pode ocorrer dentro de uma sociedade inclusiva

Na natureza, todas as criaturas vivas possuem a mesma estrutura de código genético - o DNA. Num certo ponto do processo, os códigos começam a se diferenciar, trazendo identidade peculiar a cada espécie, a cada ser. Uma das belezas da vida está no fato de que o mesmo DNA, responsável por tantas semelhanças entre os seres vivos, é também aquele que os torna tão diferentes e individuais.
No processo de formação da Natureza, ficou assegurado que a vida iria conter ao mesmo tempo simplicidade e complexidade. Cada peça do quebra-cabeças, mesmo a sua menor parte, tem um papel, de maneira (a única maneira) que este pode ser montado e mantido em equilíbrio. Sob a perspectiva do Ser Humano são necessários humildade e orgulho, para compreender e aceitar que somos realmente pequenos em todo o contexto do Universo; porém, cada um de nós tem um papel que deve ser desempenhado para alcançar o equilíbrio. Devemos aprender sobre como viver em diversidade, como aceitar as diferenças individuais e como fazer com que elas nos beneficiem a todos.
Parece que nós, pessoas ligadas à área da deficiência, temos essa visão. Podemos sentir e compreender tais conceitos. Esta visão nos torna responsáveis e nos transforma em importantes porta-vozes para as transformações que a sociedade está começando a introduzir. Estaremos prontos para isto?
No Brasil, costumamos contar a história de um colibri que, durante um grande incêndio na floresta, foi visto indo e vindo, carregando água no bico e derramando-a sobre o fogo. Os outros animais, muitos deles maiores e mais fortes do que o colibri, fugiam o mais rápido que podiam, pensando somente em salvar a própria pele. Enquanto corria, um leão que observava o colibri perguntou-lhe se ele não havia ainda se dado conta de que não iria conseguir extinguir o incêndio com aquelas poucas gotas de água mas, em vez disso, iria acabar morrendo. Sem parar de trabalhar, o colibri disse, então, ao leão: - estou somente fazendo a minha parte.
Em nosso dia-a-dia, quando tomamos decisões, a maior parte do tempo precisamos escolher entre a visão do leão e a do colibri, sobre o mundo, a vida e sobre nós mesmos. Será que, nesse processo, sequer consideramos ou nos importamos de fato com aqueles que nos rodeiam? Pobreza & Deficiência
A pobreza é uma privação dos bens e oportunidades essenciais aos quais todo ser humano tem direito. Todos deveriam ter acesso à educação básica e aos serviços primários de saúde. Indo ainda mais além do que apenas renda e serviços básicos, os indivíduos e sociedades são pobres - e tendem a permanecer assim - se não forem capacitados a participar da tomada de decisões que dão forma e sentido às suas próprias vidas.
Aproximadamente 80% das pessoas portadoras de deficiência existentes no mundo vivem em países em desenvolvimento. A pobreza cria condições para a deficiência e a deficiência reforça a pobreza. A exclusão e a marginalização de pessoas deficientes reduzem suas oportunidades de contribuir produtivamente para o lar e a comunidade, aumentando assim o ciclo da pobreza.
Há a expectativa de que o número de indivíduos com deficiências aumente no futuro, caso o crescimento econômico permaneça em desequilíbrio e não se solucionem problemas como eqüidade, meio ambiente e outras questões sociais. As deficiências irão aumentar na medida em que a sociedade envelhece. A proporção de crianças deficientes em países em desenvolvimento é também maior quando comparada a países industrializados. Muitos tipos de deficiências, que raramente são encontrados em países ricos (como poliomielite, lesões causadas por minas terrestres, seqüelas de hanseníase), ainda são comuns nos países pobres.
As deficiências colorem e aguçam todos os aspectos e condições humanas. Acentuam e agravam situações de discriminação, preconceito e exclusão enfrentados por mulheres, por minorias em geral, por populações de baixa renda e por todos os outros grupos desprivilegiados. Também salientam claramente e ilustram os diversos aspectos físicos, mentais, sensoriais de sermos humanos, obrigando a sociedade a reagir, a interagir e a refletir sobre isso.

Inclusão e Participação Plena
O caminho para se alcançar auto-suficiência e plena participação como cidadãos é longo e constante. Obriga-nos a forjar a nossa história, pessoal e coletiva, numa base diária. A participação plena somente pode ser verdadeiramente atingida dentro de uma sociedade inclusiva, na qual cada um de nós e, ao mesmo tempo, todos juntos sejamos considerados parte integral do comum, da comunidade que, por sua vez, é responsabilidade do conjunto de seus membros. No entanto, para alcançar esta "sociedade ideal", constante vigília é necessária.
Nossa existência e nossas vidas, nossa luta permanente por aceitação e reconhecimento são um testemunho de resistência contra a exclusão. Afinal, ainda estamos aqui, após milênios de discriminação, marginalização e até mesmo eliminação de indivíduos com deficiência da face da Terra, através de iniciativas racistas e eugênicas. Porém, o ser humano resiste e sobrevive porque é uma forma de vida feita para esse fim...
É justamente porque nós, pessoas com deficiências, nossos familiares e nossos aliados em todo o mundo, temos enfrentado historicamente discriminação e exclusão, somos sem sombra de dúvidas o grupo de seres humanos mais preparado para discutir e propagar os conceitos de diversidade e inclusão.
É nosso papel, nossa vez de oferecer nosso testemunho, nosso conhecimento, nossa sabedoria à sociedade, neste preciso momento em que - embora ainda não percebido por muitos - chegou a hora de avançar. Já possuímos o sentimento, o conceito, a compreensão, o discurso para explicar o que uma sociedade inclusiva significa. É chegada a hora de incorporar estes conceitos em nossas vidas, atitudes e ações. Somente assim podemos verdadeiramente ajudar a abrir as mentes e os corações, na direção de uma sociedade para todos. Temos esta responsabilidade enorme e não temos o direito de falhar.

Fonte: s.n.t.

sábado, 26 de junho de 2010

EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL

EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL:
A EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA INICIATIVA JOVEM



FERNANDO FILARDI


DOUTORANDO EM ADMINISTRAÇÃO
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – FEA/USP


E-MAIL: filardi@fgvmail.br

EMPREENDEDORISMO SUSTENTÁVEL:
A EXPERIÊNCIA DO PROGRAMA INICIATIVA JOVEM


Resumo:
Este trabalho tem como finalidade apresentar a experiência de um programa de empreendedorismo e responsabilidade social implantado no Rio de Janeiro, mostrando o contexto das comunidades envolvidas, a metodologia utilizada, os principais objetivos e analisando os resultados alcançados. Na parte final, o estudo mostra as próximas etapas do Programa e apresenta algumas tendências a serem seguidas com vistas à consolidação e expansão. A partir destas análises, são apresentadas algumas conclusões sobre esta iniciativa, destacando o importante papel da iniciativa privada e sua participação ativa no desenvolvimento das comunidades que a cercam, tendo função fundamental para a consolidação deste processo de mudança. O presente trabalho busca contribuir para o entendimento desta nova realidade empresarial.

1. INTRODUÇÃO

1.1 - Contexto e Objetivo

Nos últimos 10 anos, principalmente após a abertura econômica iniciada nos anos 90, as empresas instaladas no Brasil estão tendo que enfrentar profundas mudanças em todos os ramos de negócio e tem dado enorme atenção a aspectos ligados à sua atividade fim. Investimento em marketing, melhoria contínua dos processos, aumento da produtividade, busca pela qualidade total, treinamento massivo de seus colaboradores, desenvolvimento de produtos e serviços adequados às necessidades de clientes cada vez mais exigentes, terceirização das atividades de suporte e foco na estratégia de longo prazo, são alguns dos exemplos.
Porém, recentemente, as empresas líderes nas suas áreas de atuação vêm descobrindo que não basta se adaptar a uma nova dinâmica do mercado e um nível maior de concorrência. Segundo Vassalo (2000), é preciso que as empresas entendam que neste novo ambiente, os interesses dos acionistas dividem espaço com as demandas da comunidade, dos clientes, funcionários e fornecedores.
Dentro deste contexto, e com o objetivo de incentivar o espírito empreendedor de jovens de comunidades, desenvolvendo as competências necessárias para a criação de seus próprios negócios, é que o Grupo Shell resolveu implantar no Brasil seu programa internacional de responsabilidade social. O Programa teve origem na Inglaterra, onde foi lançado em 1982 com o nome de Live Wire, e desde então vem sendo re¬plicado e desenvolvido também em outras partes do mundo, como Holanda, Austrália, África do Sul, Oman, Argentina, Chile, Hungria e outros países, sempre buscando adaptar a metodologia à realidade de cada país.
No Brasil, o programa ganhou o nome de Iniciativa Jovem, mantendo a mesma proposta original de desenvolver o espírito empreendedor dos jovens, entretanto, precisou sofrer alguns ajustes visto que a versão original que foi desenvolvida para a Inglaterra tinha como público-alvo os jovens com formação superior, e no Brasil o programa vem buscando dar oportunidade aos jovens com formação a partir do 1º grau.
O programa vem sendo desenvolvido com o objetivo de contribuir para uma economia mais dinâmica, gerando fontes de trabalho e renda para o jovem, sua família e sua comunidade, reforçando assim o compromisso da empresa com o desenvolvi¬mento sustentável. Para tanto, o programa vem atuando em três principais frentes: a) promoção da cultura empreendedora e do conceito de Empreendedor Sustentável; b) incentivo e apoio a jovens empreendedores, capacitando-os e estimulando sua visão social; c) incentivo e apoio à criação, ao desenvolvimento e à implementação de novos negócios nas regiões que abrigam o programa.

1.2 - A Comunidade

O território escolhido foi o bairro de Santa Teresa, no Rio de Janeiro, devido a diversos fatores, entre eles por abrigar 13 comunidades carentes no seu entorno, que são pacíficas e têm pouca ou nenhuma influência do crime organizado e do tráfico de drogas, portanto permitem a criação de programas sociais, e por contemplar ainda alguns bairros vizinhos, como: Glória, Catete, Laranjeiras, Largo do Machado, Lapa e Centro.
De acordo com Filardi (2002), a comunidade de Santa Teresa foi escolhida através de pesquisas que demonstraram um forte potencial de desenvolvimento, possibilidade de redução das diferenças sociais, grande diversidade de público-alvo, e carência de vários tipos de serviços.
Segundo pesquisa do IBGE (2001), Santa Teresa possui uma população de aproximadamente 41 mil pessoas formalmente instaladas e 14 mil moradores de comunidade carentes, que somados chegam a 55 mil pessoas divididas da seguinte maneira: 42 % na faixa etária de 15 a 39 anos, como pode ser visto nos quadros 1.1 e 1.2, sendo que a maior parte da população possui 1º grau completo e se situa na classe média com relação à faixa de renda.
Analisando os números do quadro 1.1, podemos notar um fenômeno ocorrendo no bairro, onde nos últimos 20 anos a população formal caiu de 51 mil habitantes para cerca de 41 mil, enquanto a população favelada aumentou em quase 50%, passando de 9.700 pessoas para 14.449. Este processo tem sido chamado de “favelização” e possui várias origens, entre elas o aumento da violência e a queda do poder aquisitivo dos moradores.

QUADRO 1.1 – POPULAÇÃO DE SANTA TERESA QUADRO 1.2 – FAIXAS ETÁRIAS (%)


Fonte: IBGE, 2001.

1.3 - Conhecendo o Território

O trabalho de implantação do programa foi iniciado com uma pesquisa realizada pela equipe do programa, nos meses de junho e julho de 2001, na qual foram identificadas as principais atividades desenvolvidas no bairro, baseadas em negócios voltados para cultura, entretenimento e lazer, entre eles os bares e restaurantes, como pode ser conferido no quadro 1.3. Esta constatação veio de encontro às vocações do bairro, que são a vida noturna e a boemia, que recebem muitos freqüentadores de fora do bairro, principalmente nos finais de semana.
Além disso, a pesquisa também identificou que a população de Santa Teresa é composta por muitos profissionais liberais, especialmente os artistas, músicos, escritores e intelectuais, que desenvolvem suas atividades profissionais e mantêm seus ateliês, estúdios e escritórios no bairro, a fim de aproveitar o silêncio e as paisagens que são um diferencial local. Completam o perfil de negócios instalados no bairro algumas escolas, hotéis, padarias, e outros estabelecimentos de famílias tradicionais, que segundo moradores não suprem adequadamente as demandas da comunidade, criando lacunas que deveriam ser preenchidas por novos negócios.
A metodologia utilizada para realizar a pesquisa procurou entender os hábitos de consumo da comunidade de Santa Teresa, especialmente no que diz respeito às rotinas de consumo, preferências e rituais, interação dos consumidores e da comunidade, com aspectos tangíveis e intangíveis do consumo e com os serviços oferecidos. Entre os produtos e serviços mais necessários para a comunidade de Santa Teresa e seu entorno, os entrevistados citaram: um banco com caixa eletrônico, uma padaria com delikatessen, uma lanchonete, um mercado, uma academia de ginástica, natação para crianças, alguma programação para a 3º idade, um centro cultural, uma lotérica, um posto dos correios, mais bancas de revistas, uma livraria com café, lojas de roupas alternativas, uma loja de animais domésticos (pet-shop) e uma agência de turismo receptivo com guias mirins.

QUADRO 1.3 – PRINCIPAIS ATIVIDADES

Fonte: Pesquisa realizada no bairro entre os meses de jun/jul de 2001. www.iniciativajovem.org.br

2. METODOLOGIA E DESCRIÇÃO DO PROGRAMA

A metodologia do programa foi estruturada durante o mês de julho de 2001, com base na pesquisa realizada, e começou a ser implantada em agosto, seguindo uma seqüência de seis etapas, que teriam como finalidade qualificar os jovens inscritos nas competências empreendedoras, que vão desde a avaliação de oportunidades e desenvolvimento de um plano de negócios, até a implementação e gestão de um novo empreendimento, conforme abaixo.

QUADRO 2.1 – ETAPAS DO PROGRAMA


Portal de Oficina Fábrica Selo Vitrine Mercado
Oportunidades de Idéias de Negócios Empreendedor de Negócios Aberto



2.1 - Portal de Oportunidades

Esta etapa foi criada com o objetivo de promover o programa Iniciativa Jovem e a cultura empreendedora, e foi o momento em que os jovens foram apresentados ao programa e incentivados a participar do desafio de empreender seu próprio negócio. Para tanto foi criada uma estratégia de divulgação através de palestras nas escolas da região onde o programa seria desenvolvido, as quais receberam o nome de Blitz.
Estas ações foram conduzidas pela equipe de coordenadores com o apoio visual de cartazes, biombos e panfletos. Em seguida, foram realizadas palestras que apresentaram o tema Empreendedorismo e os objetivos do programa, e foi iniciado o processo de inscrição através de três principais canais de comunicação: a) a sede do programa em Santa Teresa, b) as Blitz realizadas em locais estratégicos como escolas e universidades da região, e c) a página do programa na internet. No ano de 2001, foram realizadas cerca de 800 inscrições de jovens cujo perfil pode ser visto no quadro 2.2.
Após a realização das inscrições, os jovens passaram pela adequação aos critérios de seleção que foi bastante simples, tomando como base apenas três aspectos, a saber: a idade, o nível de renda familiar e o nível de instrução. Os jovens deveriam ter entre 18 e 30 anos, ser preferencialmente de baixa renda, ou seja, com renda familiar até 10 salários mínimos, e com escolaridade mínima da 4ª série do 1º grau e, preferencialmente, em desvantagem social. Do total de inscritos, 127 jovens foram aprovados nos critérios de seleção, e passaram a contar com a sede em Santa Teresa onde seriam realizadas as atividades do programa.

2.2 - Oficina de Idéias

Na segunda etapa os jovens foram estimulados a pensar em suas habilidades, reconhecer oportunidades na região, testando assim seu grau de empreendedorismo. Para auxiliá-los, o programa passou a disponibilizar voluntários, que iriam acompanhá-los nas demais fases do programa, recrutados na própria Shell e em outras empresas privadas de vários setores, com o objetivo de unir a criatividade e a ousadia das idéias dos jovens com a base sólida dos profissionais que conhecem a realidade do mercado.
Os objetivos do programa foram debatidos pelos participantes com a intenção de fazer com que os jovens entendessem o seu papel no processo de transformação da realidade em que vivem, contribuindo para o beneficiamento do bairro de Santa Teresa e seu entorno, assim como da comunidade, através da criação de negócios úteis que gerem empregos e melhorem a qualidade de vida da região.



QUADRO 2.2 – PERFIL DOS JOVENS INSCRITOS

Fonte: www.iniciativajovem.org.br. 2002. sm = salário mínimo

Os jovens levantaram algumas questões, sendo que a principal era quanto à apresentação de duas idéias de negócio semelhantes, ao que a equipe explicou que o mais relevante para o sucesso era o plano de negócios e este dificilmente seria igual ao de outro participante. Foi evidenciada a necessidade de o negócio estar relacionado com a preservação do meio ambiente, e foi colocado como fator importante o impacto social que os futuros negócios trariam, tendo como indicador primordial o número total de pessoas que seriam beneficiadas.
Além disso, fez parte desta etapa da metodologia uma explanação a respeito do conceito de empreendedor e as principais características do seu perfil para que consiga transformar idéias em negócios, entre elas: autoconfiança, dedicação, perseverança, criatividade, coragem e iniciativa.
Primeiramente, foi necessário convencer os jovens de que conhecer o assunto é fundamental, ou seja, ter uma boa noção do funcionamento de um negócio na área escolhida. Depois, saber identificar oportunidades de acordo com os habitantes da região para instalação do empreendimento, no caso de Santa Teresa e dos bairros vizinhos. Conhecer suas necessidades, deficiências e tendências, além de observar os hábitos e hobbies destas pessoas.
Alguns pontos foram listados e discutidos pelos grupos, lembrando as particularidades de Santa Teresa, como o bondinho, arquitetura, paisagens, boemia e o turismo, além de algumas deficiências como nos setores de saúde, segurança e transporte e falta de saneamento nas favelas que foram assuntos abordados.
Cerca de 70 jovens chegaram ao final da fase da Oficina de Idéias, que teve como propósito impulsionar a criação e o desenvolvimento de novas idéias de negócios para a comunidade de Santa Teresa e arredores.

2.3 - Fábrica de Negócios

Os jovens aprovados na Oficina de Idéias passaram para a terceira e mais complexa fase, na qual foram capacitados a desenvolver seus planos, baseados nas idéias de negócio que tiveram na fase anterior. Nesta fase, os jovens foram convidados a participar de dois jogos que serviram para simular a realidade empresarial, facilitando o entendimento de alguns termos complexos da linguagem do mundo dos negócios, como análise da viabilidade e vulnerabilidade.
Segundo Vicente (2001), o processo de aprendizado baseado em jogos é uma técnica cada vez mais difundida, principalmente no ambiente empresarial, e é chamada de edutainment, que significa aprender jogando, e vem gerando resultados bastante significativos.
O primeiro jogo foi o de Micro Crédito, jogado em grupos de até oito jovens que fizeram o papel de investidores que teriam como objetivo analisar novas idéias. Cada grupo recebeu um determinado número de idéias de negócios e teve que julgar se estas idéias eram viáveis e investir em algumas delas. Se as idéias vencessem todas as barreiras de entrada, virassem negócios e dessem lucro, os jovens ganhariam mais capital para investir em novas idéias, ao passo que se as idéias não vingassem eles perderiam o capital investido e poderiam até ir à falência. O objetivo deste jogo é fazer com que o jovem possa identificar os critérios e os fatores críticos de sucesso que garantem um bom plano de negócios, selecionar em que planos irá investir e vivenciar as pressões do mercado sobre os principais aspectos de um negócio. Os jovens se colocam do outro lado da mesa e entendem como funciona a cabeça de um investidor.
O segundo jogo foi de Plano de Negócios, que foi jogado em dois dias, onde os jovens tiveram o objetivo de construir um plano de negócio fictício, baseado num tema proposto, simulando a implementação do negócio, avaliando sua viabilidade financeira e reagindo às mudanças do mercado propostas pelo jogo. No caso proposto, os jovens deveriam montar um curso de línguas, e os voluntários tiveram o papel de diferentes agentes do mercado, como: bancos, agências de pesquisa, empresas da consultoria, representantes do conselho da comunidade, investidores, e outros a quem os jovens poderiam consultar em busca de informações para embasar seu plano e tomar decisões.
Passando pelos jogos, os jovens começaram a desenvolver seu plano de negócio real e nesta etapa o programa disponibilizou metodologia para 4 tipos de plano, conforme a seguir: Plano Empresarial voltado para quem quer abrir uma empresa privada, o Plano de Geração de Renda também voltado para quem quer montar empresas, porém com um perfil um pouco mais simples, o Plano de Carreira, voltado para quem quer planejar e desenvolver sua carreira, e o Plano Social, voltado para aqueles que queiram montar empresas sem fins lucrativos.
Cada jovem recebeu um manual com a metodologia para o desenvolvimento do plano, que foi dividida em fases que seguiram a seguinte seqüência: definição do negócio, visão e missão, plano de marketing, gestão operacional, gestão de pessoas, descrição do impacto social, análise financeira e a perspectiva pessoal que o plano traria para o jovem. Esses tópicos passaram a ser os critérios de aprovação do plano e do selo de empreendedorismo concedido pelo programa.
Este ponto foi crucial, pois permitiu à equipe identificar as etapas onde os jovens precisariam de maior apoio. Para isto, foi fundamental a participação dos voluntários e especialistas que fizeram um trabalho de pesquisa junto aos jovens e notaram que os principais problemas eram na parte de análise financeira, que provavelmente já vinha como carência da educação básica ou de um certo bloqueio com relação à matemática, e na expressão oral e escrita, que reduzia a capacidade de produzir o plano e levar a idéia para o papel.
Por conta disso, passaram a ser realizadas atividades complementares e seminários de suporte durante toda esta fase de construção dos planos de negócios, algumas voltadas para a superação de obstáculos, com esportes radicais, escaladas e trilhas, e outras voltadas para o desenvolvimento de habilidades empreendedoras, com palestras sobre comunicação e técnicas de apresentação, finanças, responsabilidade social, criatividade e marketing.
Esta foi sem dúvida a etapa mais importante, pois foi onde as idéias começaram a ser testadas e avaliadas e o sonho começou a virar realidade. Foi nesta fase também que os planos de negócio tiveram sua viabilidade avaliada, e 36 jovens conseguiram completar a elaboração de seus planos de negócio para apresentá-los na fase seguinte para avaliação e julgamento.

2.4 - Selo Empreendedor Sustentável e Prêmio Shell

Com os planos de negócio prontos, os jovens se prepararam para apresentá-los para uma equipe técnica de especialistas que os avaliaria de acordo com critérios estabelecidos pelo programa. Algumas das instituições parceiras participaram da banca julgadora, entre elas a Caixa Econômica Federal, o BNDES, o SEBRAE, a PUC, a ESPM, a FIRJAN, o CIEE, a DAI, a IBM, a UNESCO, o Portal do Voluntário e a Viva Santa. Após criteriosa avaliação, foram aprovados 13 planos de negócio que receberam o Selo Empreendedor Sustentável e se tornaram aptos a participar da Vitrine de Negócios, concorrendo ao Prêmio Shell Empreendedor Sustentável.
O programa premiou três jovens com os melhores planos, e os jovens que mais se destacaram em cada categoria. Os prêmios consistiram na entrega de um troféu e um montante em dinheiro a ser empregado obrigatoriamente na implementação do negócio. Os voluntários e orientadores também concorreram ao prêmio na categoria voluntário.
Para não criar um clima de vitória e derrota entre os jovens, os planos parcialmente aprovados e os reprovados receberam feedback da equipe do programa com os motivos da avaliação negativa, e indicando os pontos de melhoria. A metodologia do programa possibilitou aos jovens a oportunidade de reescrever seu plano de negócios e submetê-lo novamente ao programa, pois o princípio é que mesmo não tendo seu plano de negócios aprovado, o jovem possa levar uma experiência positiva e que isso possa elevar sua auto-estima e mudar sua vida para melhor.

2.5 -Vitrine de Negócios

Os jovens empreendedores cujas propostas foram selecionadas participaram de um evento chamado Vitrine de Negócios, no qual tiveram a oportunidade de apresentar, em forma de painel, seus planos de negócio para a comissão julgadora do programa. A Vitrine de Negócios, que foi realizada juntamente com um fórum sobre "O Jovem e o Mercado de Trabalho", apresentou os planos de negócios que receberam o Selo Empreendedor Sustentável, com o objetivo de atrair a atenção dos investidores e da mídia para os jovens e seus respectivos negócios.
Nesta fase foi realizada uma feira onde os plano de negócios foram apresentados aos convidados, empresas diretamente ligadas ao setor empresarial. Os futuros empreendimentos foram expostos visando possibilitar contatos com empresários, fornecedores, parceiros e futuros sócios.
A apresentação dos projetos foi marcada pela oportunidade de rever pontos fracos, obter opiniões de pessoas envolvidas com o empreendedorismo e pensar em novas estratégias. Além de fazer a avaliação, os examinadores deram sugestões de aprimoramento dos planos de negócio, questionaram valores e forneceram idéias para conquista de mercado e expansões futuras.

2.6 - Mercado Aberto

Mercado Aberto foi o nome dado à última etapa do programa Iniciativa Jovem, onde os jovens puderam contar com a possibilidade de conseguir crédito através das parcerias firmadas entre o programa e as instituições financeiras e de ocupar uma unidade de negócios na incubadora montada junto à sede em Santa Teresa.
Dos treze jovens aprovados, seis optaram por ficarem instalados na incubadora junto à sede do programa, e passaram a oferecer seus produtos e serviços à comunidade local, buscando potencializar a vocação regional de Santa Teresa. Enquanto implantam seus negócios, os jovens têm o acompanhamento e a orientação de profissionais voluntários, empresários, executivos com experiência em empreendedorismo, e da equipe do programa que ajuda a desenvolver o negócio em seus primeiros passos.
Nesta fase o programa busca dar prioridade aos jovens que demonstraram perfil de Empreendedor Sustentável, ou seja, que se desenvolvem e constroem um negócio pensando também no desenvolvi¬mento social, no bem-estar da comunidade e no meio ambiente em que está inserido. Ao invés de se ocupar apenas em não prejudicar a comunidade e a natureza, o Empreendedor Sustentável tem como objetivo colaborar com a comunidade e com a preservação do meio ambiente, ou seja, ser socialmente responsável.

3. Resultados alcançados no primeiro ano

A experiência desenvolvida no primeiro ano foi batizada de programa piloto, por que possibilitou um grande aprendizado e alcançou resultados extremamente positivos. Por exemplo, na etapa do Portal de Oportunidades, mais de 5.000 jovens foram informados sobre o programa, sendo realizadas 800 inscrições, um número bastante expressivo considerando que os canais de comunicação de massa, como televisão, jornais e rádio, não foram utilizados. Além disso, conseguiu recrutar também cerca de 40 voluntários. Todas as escolas públicas e particulares, bem como as principais faculdades da região foram trabalhadas e envolvidas, a mídia alternativa foi contatada, 12 importantes parcerias foram estabelecidas, surgiram diversas possibilidades de replicação do programa para o ano de 2003.
Na fase de Oficina de Idéias, dos 800 jovens inscritos, 127 jovens foram convocados, de acordo com os critérios de seleção, e os indicadores quanto à idade, nível de renda e instrução ficaram acima do esperado, sendo que mais de 80% dos jovens aprovados faziam parte da classe de renda que ganha até 10 salários mínimos, preservando o foco nos jovens em desvantagem social.
Na Fábrica de Negócios os jogos alcançaram 96% de aprovação, que segundo os jovens ajudaram muito na compreensão do papel do investi¬dor e da estrutura de um Plano de Negócios. Ao todo 13 jovens receberam o Selo Empreendedor Sus¬tentável, sendo dois planos de carreira, três Planos de Negócio Culturais ou Sociais e oito Planos de Negócio Empresariais, trazendo bom nível de diversidade quanto ao tipo de negócio.
Nas Atividades Complementares, foram oferecidos cursos do SEBRAE e orientação do CIEE, além da orientação de voluntários especialistas em finanças e marketing para Plano de Negócios, Plano de Carreira, técnicas de apresentação e atividade de superação.
Os resultados alcançados no primeiro ano podem ser considerados bastante satisfatórios, pois há uma estimativa de que cada negócio criado por um jovem na comunidade possa beneficiar direta ou indiretamente, em média, 10 pessoas, e, portanto no primeiro ano o número de beneficiários do programa aponta para algo em torno de 130 pessoas.

QUADRO 3.1 - PLANOS DE NEGÓCIO APROVADOS

Um Ateliê de Jóias
Uma Brinquedoteca
Um Restaurante Mexicano
Um Estúdio de Música
Uma Oficina de Artes
Uma produtora de Micro Eletrônica Uma Agência de Moda
Uma Agência de Turismo
Um Café Cultural
Uma Loja de Artesanato
Uma ONG de Eco Identidade
Um Plano de carreira: Cartunista e Desenhista
Um Plano de carreira: Músico e Compositor

4. Próximos Passos e Tendências

Até o final de 2003 o programa deverá ser ampliado para outros bairros e em 2004 começará a se expandir para outras cidades do país. Para os próximos anos, o programa deverá dobrar o número de inscrições no Rio de Janeiro, visando beneficiar um contingente cada vez maior. A previsão é de 300 jovens na Oficina de Idéias e 90 para a Fábrica de Negócios, apenas na sede de Santa Teresa, sem contar com o processo de replicação em outros bairros do Rio de Janeiro e em outras cidades e estados do Brasil.
O objetivo é avançar para um modelo replicável, sempre baseado no tripé Plano de Negócio – Crédito – Incubadora, no sentido de beneficiar o maior número possível de jovens que se encaixem no perfil definido pelo programa, buscando eliminar as principais dificuldades que limitam a criação de novos negócios, que são a falta de competência em técnicas de gestão, falta de capital e de espaço físico.
A Incubadora criada em Santa Teresa terá como objetivo a criação de trabalho e ocupação permanente para os jovens envolvidos com os negócios, que deverá prover 15 unidades de negócio para os jovens que tiverem seus Planos de Negócio aprovados segundo os critérios definidos pelo programa, que terão como principais benefícios o suporte técnico e administrativo, tendo à sua disposição alguns serviços e facilidades que serão gratuitos e outros que serão pagos.
O segundo objetivo é dar equilíbrio e sustentabilidade financeira ao programa Iniciativa Jovem, com o intuito de contribuir para o seu potencial de crescimento e expansão, tornando possível levar esta oportunidade a novos grupos de jovens todos os anos, a partir da cobrança de alugueis pelo espaço e de taxas pelos serviços utilizados na incubadora, tanto pelos jovens como pela comunidade local, que também terá acesso aos serviços de uso comum.
O sucesso da incubadora do programa Iniciativa Jovem será medido pela quantidade de pessoas que ela irá beneficiar direta e indiretamente, e pela quantidade de negócios efetivamente bem sucedidos. Este será sem dúvida o maior desafio que o programa irá enfrentar nos próximos anos.

5. Conclusões

5.1 Aspectos Sociais

O Instituto Ethos (2000) define responsabilidade social como um conjunto de valores baseados em princípios éticos que envolvem inicialmente os produtos e serviços, evolui para a abordagem dos processos, até chegar ao tratamento abrangente das relações compreendidas na atividade empresarial, com os empregados, os fornecedores, os consumidores, a comunidade, a sociedade e o meio ambiente. A busca da excelência pelas empresas passa a ter como objetivo, além da qualidade nas relações e da sustentabilidade econômica, uma preocupação social e ambiental.
A implantação desta idéia no programa foi conseguida principalmente através do reconhecimento, apoio e estimulo ao trabalho voluntário dos empregados, o que tem sido considera¬do um fator de motivação e satisfação das pessoas em seu ambiente interno. A Shell vem incentivando essas atividades, liberando seus empregados em parte de seu horário de expediente para ajudar organizações da comunidade ou dando incentivos aos empregados para que se envolvam em projetos de caráter social como o Iniciativa Jovem.
O respeito aos costumes e culturas da comunidade local, além do empenho na educação e na disseminação de valores sociais devem fazer parte de qualquer política de envolvimento comunitário. Neste ponto o programa vem se preocupando em desenvolver nos jovens as características do empreendedorismo sustentável, buscando mostrar que todo e qualquer negócio a ser montado deve ter como foco o gerenciamento do impacto da atividade produtiva na comunidade.
Uma das inovações mais marcantes é a visão territorial social do pro¬grama, que busca o desenvolvimento local sustentável através da formação de empreendedores e da implantação de incubadoras auto-sustentáveis nas áreas a serem desenvolvidas. A possibilidade de criação e desenvolvimento de várias categorias de plano, também é outra inovação importante, pois além de não restringir a criatividade dos jovens, quebra o padrão de que planos de negócios devem ser sempre empresariais e ter fins lucrativos.
A conclusão final é que, de acordo com os principais indicadores sociais formulados pelo Instituto Ethos, o programa vem atingindo resultados significativos e tem grande potencial de contribuição para a transformação da realidade social das comunidades através do empreendedorismo sustentável.


5.2 Aspectos do Empreendedorismo

Em pesquisa realizada anualmente, englobando 21 países, o instituto Global Entrepreneurship Monitor (1999) em parceria com a London Business School da Inglaterra, o Babson College de Boston e o Kauffman Center for Entrepreneurial Leadership dos EUA, constatou que o Brasil é o país que tem o maior número de pessoas com espírito empreendedor no mundo.
Já no Global Entrepreneurship Monitor (2000), o Brasil aparece como o país que possui a melhor relação entre o número de habitantes adultos que começam um novo negócio e o total da sua população: 4 em cada 8 adultos. Nos Estados Unidos esta relação é de 1 em cada 10; na Austrália, 1 em cada 12; na Alemanha, 1 em cada 25; no Reino Unido, 1 em cada 33; na Finlândia e na Suécia, 1 em cada 50; e na Irlanda e no Japão, 1 em cada 100. Isso mostra que, apesar de ocorrer de maneira menos organizada do que em países mais desenvolvidos, o empreendedorismo no Brasil vem ganhando espaço na economia.
Entretanto, o Cadastro Central de Empresas, divulgado pelo IBGE (2002), mostra que entre 1999 e 2000, para cada dez empresas que abriram no país, 6,5 fecharam. Em números absolutos: foram 710.258 nasci¬mentos para 457.990 mortes de empresas. Conforme pesquisa do Sebrae (1999), realizada em alguns estados do Brasil, a taxa de mortalidade empresarial varia de cerca de 30 a 61% no primeiro ano de existência da empresa, de 40 a 68% no segundo ano, e de 55 a 73% no terceiro ano do empreendimento.
O fato é que existe uma vocação muito forte para o empreendedorismo no Brasil, mas ao que parece ainda não se sabe muito bem como reduzir ou evitar que uma enorme quantidade de empresas feche as portas de maneira precoce.
A capacitação de habilidades empreendedoras nos jovens através de uma metodologia que permita uma maior compreensão dos conteúdos abordados na criação e implementação de um novo negócio, além de funcionar como um elemento integrador frente à diversidade do público alvo, reduz sobremaneira a mortalidade de novos empreendimentos.
O modelo proposto pelo programa Iniciativa Jovem, baseado num tripé Plano de Negócio – Crédito – Incubadora, ganha força e vem se provando como alternativa eficaz no combate à mortalidade precoce de micro e pequenas empresas. Segundo estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – FIESP (2002), apenas 15% dos empreendimentos que participam do processo de incubação são extintos atualmente. Há cinco anos este número era de 50%.
Num país que luta para reduzir as enormes discrepâncias sociais, o empreendedorismo e iniciativas como esta mostram que, através da criatividade e do engajamento de todos os agentes da sociedade, inclusive das empresas privadas, ainda existem caminhos a serem explorados, os resultados aparecem e que a iniciativa privada deve ter papel destacado na busca da redução da exclusão social.
Entretanto, é necessário que as empresas entendam que este não é mais um modelo de gestão baseado na moda empresarial, como foram a reengenharia, benchmarking ou downsizing. É preciso superar a tentação do assistencialismo fácil, buscando criar estruturas e projetos de longo prazo, envolver empregados, voluntários, parceiros, clientes, e todas as organizações que possam e queiram se engajar, pois somente assim uma empresa poderá se tornar realmente cidadã, gerando benefícios reais para a comunidade.


6. Referências
DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa. São Paulo, Editora Cultura, 1999.
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro, Editora Campus, 2001.
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