O PODER QUE AS PESSOAS EXERCEM NA ORGANIZAÇÃO
Daniel da Silva Gonçalves
RESUMO
O poder exercido nos dias atuais dentro do ambiente organizacional, pelos indivíduos que a compõem, oferece ao detentor e utilizador de poder toda uma probabilidade de realizações e satisfações pessoais, seja através do poder individual, em grupo ou de posição que este ocupa na organização. Este poder é conquistado através de alguns meios, como: a força, influencia, autoridade, coerção ou das relações pessoais as quais o almejador mantém com as pessoas da organização para assegurar e crescer o seu grau de poder, mediante a conquista de novos cargos mais altos, na escala hierárquica da organização. Contudo a busca por poder e desejada por várias pessoas ao mesmo tempo, gerando a ocorrência de vários conflitos entre os componentes da organização, estas disputas podem gerar conquistas (cargos) ou a insatisfação (não crescimento) dos mesmos. A intensidade com que são praticadas essas disputas pode provocar paralisações temporárias, fechamento de setores ou da organização, por isto todos nós que buscamos poder saibamos utilizar no momento certo, na hora exata e com a devida intensidade e sabedoria para atingir os objetivos esperados.
Palavras-chaves: Poder, Organização, Poder- pessoal, Poder - sociedade, Poder – posição, detentor e Utilizador.
SUMMARY
The power exercised in the days act inside of the atmosphere organization, for the individuals that compose her, he/she offers to the holder and ut to use of power an entire probability of accomplishments and personal satisfactions, be through the individual power, in group or of position that this occupies in the organization. This power is conquered through some means, as: the force, influences, authority, coercion or of the personal relationships which the ut to long for, maintains with the people of the organization to assure and to increase his/her degree of power, by the conquest of new higher positions, in the hierarchical scale of the organization. However the search for being able to and wanted by several people at the same time, generating the occurrence of several conflicts among the components of the organization, these disputes can generate conquests (positions) or the dissatisfaction (no growth) of the same ones. The intensity with that those disputes are practiced can provoke temporary stoppages, closing of sections or of the organization, for this all of us that looked for to can know how to use in the right moment, in the exact hour and with the due intensity and wisdom to reach the expected objectives.
Word-key: To can, Organization, Power - personal, Power - society, Power - position, holder and ut to use.
INTRODUÇÃO
Este artigo aborda o que é poder e seu uso por parte das pessoas dentro das organizações como agente modificador e como estas organizações reagem às transformações. Serão enfocadas as causas e repercussões do poder na organização, além das características, as quais deverão estar presentes e visíveis no detentor e utilizador de poder.
As pessoas almejadoras por poder, buscam obter uma satisfação pessoal (ego), um cargo de destaque ou de influência, busca ser “o poderoso, o dono da situação e do ambiente” para esta ocorrência utiliza / padrões, regras, burocracia, símbolos (terno e gravata) ou outros meios para que haja continuidade e estabilidade fazendo que o detentor não perca o poder.
Há vários tipos de poder presente no interior das organizações e que dos quais o indivíduo possa exercer, como: o poder social, o poder de posição ou o poder pessoal. Estes “poderes” são utilizados para que as pessoas se mantenham fortalecidas e ativas perante os acontecimentos e influenciando as organizações a tomarem novos rumos ou metas.
Para sabermos se uma pessoa possui poder é necessário à observância de algumas características que devem estar impregnadas no indivíduo, fornecendo assim uma sustentabilidade do poder. Estas características são descritas por DIAS (2001, p. 194) como sendo: “força, autoridade e influência”.
A ORGANIZAÇÃO E O PODER
Nota-se nas organizações a ocorrência de vários conflitos aflorados pela competição individual praticada pelos indivíduos na busca e detenção do poder. Num primeiro momento o poder encontra-se centrado na figura do proprietário, dono. Contudo cada vez mais há uma disputa entre os funcionários para tentar obter cargos mais elevados, de destaque ou de influencia. A partir do momento em que um indivíduo passa a integrar o ambiente organizacional, este começa a desejar ascender numa escala hierarquica gradativa de posições, variando desde chefe de setor / departamento, até conquistar o cargo maior na organização.
A medida em que estas posições são conquistadas o grau de poder, satisfação ou realização pessoal e financeiro vão se solidificando e aumentando, tomando proporções maiores de ação. Com isto começa-se então a ocorrer um jogo muito interessante por meio dos indivíduos que compõem a organização que, pela utilização da “influência, autoridade e a força” características de poder descrito por DIAS (2001 p.194) passam a utilizá-los como elementos de modificação e manipulação para assegurar o seu poder e crescimento na organização.
O detentor de poder começa a modificar o ambiente que o cerca através de regras, padrões ou comportamentos e, ocorrendo às vezes, até a manipulação de situações ou pessoas para chegar ao seu objetivo mais rapidamente. Por meio da influência, a pessoa que busca o poder é capaz de modificar o pensamento das pessoas ou grupos uma vez que segundo DIAS (2001, p. 196) “é influente o indivíduo que consegue modificar o comportamento dos outros sem ocupar cargo público ou privado e não utilizar de nenhuma forma de coerção física”.
Neste ambiente não ocorre o uso da coerção física, mas utilizam-se meios como amizade, favores, recompensas entre outros, para conseguir influenciar as pessoas que compõem a estrutura organizacional a estarem sempre a seu favor, dando sustentação para que o indivíduo detentor exerça o seu poder. Também não cabe o uso da força ou da autoridade, que são outras características do poder.
Na força ocorre totalmente o inverso da influência, pois há o uso da coerção física, ameaças, agressões ou pressão por parte de pessoas que integram o ambiente organizacional, represando assim a tentativa de alcance do poder por parte de outras pessoas do ambiente. Hoje as organizações desaprovam o uso deste meio por estarem contra princípios mais civilizados de conquistar posições, como o diálogo e a capacidade de trabalho.
DIAS (2001, p.194) diz que “os estados reservam o monopólio de todos os meios importantes de coerção física para a policia (federal, estadual, municipal, militar e cívil) e as forças militares (marinha, exército e aeronáutica)”. No entanto olhando-se “ín loco” é possível perceber o uso da coerção sob as mais variadas formas, um exemplo comum é o assédio sexual onde o detentor do “poder” submete o subordinado a seus caprichos e vontades, normalmente usando-se de chantagens e pressões, dentre outros.
Segundo DIAS (2001, p.194), a autoridade na organização “é a legitimação do poder, através da incorporação de conteúdo jurídico e ou moral”. A pessoa passa a ter o poder (autoridade) garantido pela lei, normas ou estatutos, porém é necessário o consentimento ou aprovação por parte de um grupo ou de uma sociedade. Esta autoridade poderá vir a ser garantida através de tradições ou do carisma da pessoa dentro de qualquer organização, sejam elas patriarcais ou organizações por quota de participação onde a autoridade é garantida pelo maior acúmulo de ações ou a autoridade conquistada através do carisma (identificação pessoal) onde os sócios elegem o diretor da organização.
PODER: O INVISÍVEL PRESENTE
Sabemos que hoje há uma grande busca por cargos ou posições que possam oferecer status de poder nas organizações para aqueles que os ocupam. Contudo, “o poder não é visível e nem mensurável e sua definição vem desafiando os mais argutos pensadores” KRAUSZ (1991, p. 12) diz que não podemos se quer tocar ou pegar o poder. No entanto podemos sentir sua manifestação, nos obrigando a fazer a sua vontade.
Esta presença é invisível e essa busca constante (de poder), por várias pessoas ao mesmo tempo pode ser prejudicial e perigoso para as organizações, tanto no que concerne ao clima ambiental dentro das organizações, quanto ao desempenho indivídual por conta dessas disputas praticadas pelos integrantes (pessoas) da organização.
Assim, WEBER (1991, p. 33) nos diz que o “poder significa toda a probabilidade de impor a própria vontade em uma relação social, mesmo contra resistências, seja qual for o fundamento dessa probabilidade”. Por se tratar de uma probabilidade num ambiente social para a imposição de um indivíduo perante uma coletividade e para que haja a utilização do poder deverá ocorrer uma contrapartida do receptor (coletividade ou sociedade) no sentido de aceitar essa dominação , “pois não basta a vontade de dominar para que haja a dominação, é necessário que haja disposição de obediência por parte do outro” DIAS (2001,p.193). Caso não se observe esta aceitação não haverá a caracterização do poder.
O indivíduo que detém o poder deve ser influente até o ponto em que o indivíduo influenciado o obedeça. Obediência não e concordar mas fazer o que nos é determinado. Quando esta influencia alcança este ponto, o detentor de poder já passou a determinar o comportamento do influenciado.
Há várias formas de se observar a utilização de poder. Uma delas é a lei da oferta e da demanda onde as organizações podem reter o bem (produto ou serviço) para elevar os preços determinando o comportamento do consumidor.
O PODER SOCIAL
Hoje a sociedade está mais atenta aos contextos sociais em todas as suas camadas e vem se organizando e se agrupando. Quando isto acontece o grupo começa a influenciar e a decidir o amanhã, já que o poder da sociedade, segundo DIAS (2001, p. 191) “é a capacidade que possuem os indivíduos ou grupos sociais de modificar o comportamento de outros grupos ou pessoas”. Assim cada vez mais os trabalhadores estão se unindo dentro das organizações para lutar e reivindicar seus direitos. Com esta união há um fortalecimento proporcionando então, o exercício da autoridade, influenciando as organizações a tomarem novos rumos e horizontes.
A sociedade não é mais passiva perante a realidade e abusos praticados pelas organizações e pelos governos. As pessoas passaram a se organizar em sindicatos para obterem uma maior participação nas decisões da organização. Com o surgimento dos sindicatos e o exercício do poder os quais passaram a exercer começaram a reivindicar mudanças e melhorias, que podem se visíveis na organização, graças a união das pessoas.
Este poder social deve ser usado cada vez mais para que haja um bom funcionamento e desenvolvimento da organização. Como em qualquer ação, é necessário a ponderação no uso do poder social para que não haja exageros, evitando assim que a sociedade fique “cega” diante dos benefícios conquistados e comece a utilizar o poder de formas equivocadas e abusivas, visando somente os seus interesses, não raras as vezes desmedidos.
PODER DE POSIÇÃO
Como vimos anteriormente poder social ocorre quando há o agrupamento de pessoas em busca do poder, já no poder de posição as pessoas buscam na posição sua auto realização e satisfação de seus desejos (dinheiro, reconhecimento, valorização), pois o poder encontra-se na posição, no cargo. O poder está inserido na posição, não e preciso buscar,conquistar ou manter. A posição oferece ao ocupante poder, status e autoridade entre outros.
O poder de posição é aumentado a partir do momento em que o indivíduo ocupante do cargo passa a ocupar um cargo mais alto na escala hierárquica da organização. O detentor de cargo superior procura manter sua posição mediante meios de poder os quais ele detém: como poder de recompensa, poder coercitivo e poder legítimo, como forma de se manter e assegurar a sua posição perante os subordinados.
Com isto o superior passa então a recompensar as pessoas para manter a sua influência que é assegurada mediante a amizade, barganha, razão ou outros meios descritos por SCHERMERHORN (1999, p. 212). Ele também pode usar a coerção de forma diferente da descrita por DIAS (2001, p. 194) que fala do uso da coerção física. Pois, no poder de posição, a coerção, “é a medida pela qual o gerente pode negar recompensas desejadas ou administrar punições para controlar outras pessoas” SCHERMERHORN (1999,p.212). Não a coerção física , ocorrendo somente há ameaça ou a retenção de gratificações.
O poder legítimo inserido no poder de posição reflete segundo SCHERMERHORN (1999, p.212) “que a pessoa que ocupa um cargo gerencial tenha o direito de comandar”, este pode ou não fazer autorizações, dispensas ou tomar outras decisões, as quais compreende a abrangência desse poder dentro das organizações. O poder de posição deve ser bem administrado e usado no momento certo, com a devida intensidade para não provocar reações contrárias às expectativas ou planejamentos e que não atrapalhe o fluxo e o desenvolvimento organizacional.
PODER PESSOAL
O poder pessoal é aquele que o individuo adquire ao longo da sua vida, através do acúmulo de conhecimentos, das informações, da sua formação profissional, da competência ou do seu potencial. Ele “é individual, intransferível e inalienável, fruto de experiências pessoais que constitui um patrimônio único de cada ser humano” KRAUSZ (1991, p. 18 e 19). Esse poder independe do papel que o individuo representa e ocupa no contexto social. São as qualidades ou atributos adquiridos através de experiências empíricas.
O indivíduo que possui o poder pessoal não conseguirá transmiti-lo (passar) a outro uma vez que este faz parte de sua composição pessoal, como se fosse um órgão que não pudesse ser transplantado (ex.. cérebro). Entretanto o conhecimento até pode ser transmitido, contudo o poder pessoal não.
CONCLUSÃO
Considera-se que o poder de forma geral deve ser bem administrado dentro das organizações para que haja maior equilíbrio entre os indivíduos. O poder pode proporcionar aos indivíduos dentro das organizações uma satisfação pessoal ou levá-los a conflitos. Quando o poder e adquirido pelo indivíduo seja pessoal, de sociedade ou de posição gera status para aqueles que o detém. E com o controle destes “poderes” passam a determinar novos rumos para as organizações, contudo deve ser bem aplicado e em ocasiões corretas para que não ocorra um desequilíbrio, podendo levar as organizações ao fechamento de setores, ou da mesma.
A organização ou os seus membros influenciam e são influenciados, pelo exercício do poder de que ambas dispõem. Estas, não raras as vezes tomam a forma ou são representadas por recompensa, punições e paralisações entre outras. São utilizadas aleatoriamente para garantir ao detentor deste poder a manutenção de posições, normalmente hierárquicas ou como moeda de barganha para manter-se na sua posição.
BIBLIOGRAFIA
DIAS, Reinaldo. Sociologia e Administração. 2. ed. Editora Alínea, 2001.
KRAUSZ, Rosa R. Compartilhando o poder nas Organizações. São Paulo: Nobel, 1991.
WEBER, Max. Economia e Sociedade. 5. ed. Brasília: Editora UNB, 1991.
WEBER, Max. Conceitos básicos de sociologia.
CALDAS, Miguel; FISCHER, Tânia; FACHIN, Roberto. Handbook de estudos organizacionais. São Paulo: Atlas.
SCHERMERHORN, John. Fundamentos do comportamento organizacional. 2. ed. Porto Alegre, 1999.
WAGNER III, John A; HOLLENBECK, John R. Comportamento organizacional, criando vantagens competitivas. São Paulo: Saraiva, 2000.
BERTERRO, Carlos Osmar.
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